Política Titulo "Facada"

Família Zacarias tem histórico de descumprimento de acordos

Bem antes de o vice romper com prefeito na segunda-feira, seu filho, o vereador Lucas, ignorou acerto de bastidores com Marcos Pinchiari

16/03/2024 | 21:00
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Lucas Ttansferiu responsabilidade para o pai, Luiz; Pinchiari quase ficou fora da Câmara em 2017 (FOTOS: Reprodução/Facebook)
Lucas Ttansferiu responsabilidade para o pai, Luiz; Pinchiari quase ficou fora da Câmara em 2017 (FOTOS: Reprodução/Facebook) Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O anúncio da pré-candidatura a prefeito de Santo André feito por Luiz Zacarias (PL) na segunda-feira, que marcou o rompimento com o grupo do prefeito Paulo Serra (PSDB), não é o primeiro episódio de descumprimento de acordos políticos por integrantes da família do liberal. Houve pelo menos mais um episódio, em 2016, que envolveu o vereador Lucas Zacarias (PTB).

Oito anos atrás, o então vereador Marcos Pinchiari (hoje no PSDB) foi convidado para se filiar ao PTB, onde já estavam o próprio Lucas e Edson Sardano (hoje no Novo), dois pré-candidatos com alto potencial eleitoral. Como Pinchiari relutasse, temeroso de que poderia não ter votos suficientes para obter a reeleição, foi agendada uma reunião para que se estabelecesse um acordo.

Sentaram-se à mesa os então três pré-candidatos a vereador, mais Paulo Serra e Luiz Zacarias – esses dois últimos formariam a chapa que disputaria a Prefeitura contra Carlos Grana (PT), que concorreria à reeleição em outubro de 2016.

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O acordo fechado estabelecia que, se Lucas se elegesse e Pinchiari ficasse fora como 1° suplente, o filho de Luiz Zacarias assumiria cargo no Executivo, no eventual governo do pai, para abrir a vaga na Câmara para Pinchiari. O atual vice prefeito avalizou o trato.

Contabilizados os votos depositados nas urnas em 2 de outubro de 2016, Sardano, com 6.132, e Lucas, com 4.252, elegeram-se. Pinchiari, com 4.037, ficou de fora, mas com a primeira suplência.

Em 2017, Pinchiari esperou então a sinalização para o cumprimento do acordo. Mas ninguém se manifestou. Quando, cansado de esperar, foi cobrar Lucas, ouviu que o acerto havia sido feito pelo pai, Luiz, e que ele, Lucas, não tinha concordado com os termos.

Pinchiari continuou atrás da família Zacarias, que deu de ombros. Sardano, indignado com as posturas de Luiz e Lucas, decidiu a assumir a Secretaria de Segurança na administração Paulo Serra, que derrotou Grana no segundo turno, para abrir vaga para Pinchiari na Câmara.

“Existia um acordo e infelizmente não foi cumprido. Tive a oportunidade de assumir como suplente, pelo fato que, em 2017, o Edson Sardano assumiu a Secretaria de Segurança”, confirmou Pinchiari ao Diário. O jornal tentou contato com Lucas Zacarias, mas não o localizou.

“FACADA”

Em entrevista ao Diário, publicada na quinta-feira, Paulo Serra disse que se sentiu “traído” por aqueles integrantes do grupo que não compreenderam que o processo de escolha do nome governista no processo sucessório demora e, por causa disso, descumpriram o acordo de decidir em consenso. “Descobrir quem deu a facada às vezes é mais dolorido do que a facada em si. Mas isso faz parte do processo político”, disse o prefeito.

Luiz Zacarias, por sua vez, declarou que foi Paulo Serra quem descumpriu o acordo sobre a sucessão. No dia em que lançou sua pré-candidatura, o liberal contou que em 2016 abriu mão de lançar-se ao Paço para dar apoio ao tucano desde que, após oito anos, obtivesse a reciprocidade, o que não ocorreu: “Me sinto chateado e traído por compromissos assumidos e não honrados”.




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