Economia Titulo Trabalhar é um direito
Falta de emprego é maior entre as pessoas mais jovens

Taxa de desocupação no País é de 7,8%; na faixa etária de 18 a 24 anos, chega a 16,1%

Por Nilton Valentim
11/02/2024 | 09:21
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 O Brasil fechou 2023 com taxa média de desocupação de 7,8%, a menor desde 2014, segundo dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua. Os brasileiros mais jovens, entretanto, não têm motivos para comemorar. Para eles, os percentuais de desemprego são bem superiores à média nacional e isso, segundo especialistas, se deve a vários fatores, dentre eles a formação educacional inadequada.

“Os jovens têm enfrentado historicamente dificuldades consideráveis ao ingressar no mercado de trabalho, dada a inexperiência e a necessidade de equilibrar trabalho e estudo. Esses desafios se intensificam em períodos de crise e transformações no mercado de trabalho. A taxa de desemprego entre jovens geralmente é o dobro da média nacional. As pessoas entre 18 e 24 anos enfrentam uma taxa 8,3 pontos percentuais superior à média nacional, e os adolescentes, 22,5 pontos maior”, aponta Euzebio Jorge de Sousa, professor de Economia da Strong Business School e autor do livro Juventude, Trabalho e o Subdesenvolvimento.

Ele destaca que a prioridade dos mais novos deveria ser os estudos, mas que nem sempre isso é possível por conta das dificuldades que as famílias enfrentam. “A insuficiência de políticas públicas e a renda familiar limitada contribuem para a elevada participação sem a geração de empregos decentes, expondo os jovens a um ingresso precoce e precário, especialmente em meio à expansão da economia de plataforma, que busca contornar as regulamentações trabalhistas”, destaca o especialista.

A advogada Cíntia Fernandes, especialista em direito do trabalho, cita outro problema enfrentado pelos jovens, que é a exigência de experiência prévia de quem está iniciando a vida profissional. Fator que limita o acesso e, ao mesmo tempo, resulta na privação de direitos.<EM>

“O jovem trabalhador tem direitos trabalhistas garantidos, tanto constitucionalmente quanto legalmente. No entanto, em muitos casos, a falta de experiência e o desconhecimento sobre esses direitos, aliados à pressão para ingressar no mercado de trabalho, resultam em situações em que a mão de obra jovem é explorada e seus direitos são desrespeitados”, afirma Cíntia.

Ela aponta questões como a informalidade, remuneração abaixo do mínimo e extrapolação da jornada do trabalho como as principais dificuldades enfrentadas pelos jovens no mercado e que, em muitos casos, estão associadas à chamada ‘uberização’. “As plataformas digitais têm se tornado uma opção atraente devido à facilidade de cadastro para prestação de serviços. No entanto, a contraprestação nem sempre está em conformidade com os direitos estabelecidos na Constituição Federal e na legislação trabalhista, resultando na precarização do trabalho”, disse.

Investimento em educação é o melhor caminho
O investimento na formação dos jovens é apontado pelos especialistas como o melhor caminho para que eles conquistem lugar de destaque no mercado de trabalho. No Grande ABC, o Consórcio Intermunicipal deu início a um programa regional que visa a qualificação de pessoas de 16 a 29 anos, pertencentes, prioritariamente, a grupos em situação de vulnerabilidade social. Mas existem outras iniciativas.

“A melhor abordagem para preparar os jovens para o mercado de trabalho é evitar um ingresso precoce e precário na vida laboral, permitindo que ampliem a escolarização e desenvolvam habilidades valorizadas pelo mercado. A combinação de conhecimentos técnicos deve ser articulada com habilidades sociais, liderança e capacidade de solucionar problemas. O cenário contemporâneo exige que as pessoas estejam sempre aprendendo, com empresas valorizando cursos mais curtos para habilidades específicas, mas também buscando profissionais com formação mais elevada, como mestrado e doutorado, para posições estratégicas nas organizações”, aponta o economista Euzebio Jorge de Sousa.

A Mercedes-Benz mantém, desde 1957, uma unidade do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) dentro da fábrica de São Bernardo. Por lá passaram cerca de 8.300 aprendizes. A empresa mantém ainda o Estrelas do Amanhã, que funciona há 10 anos e já formou 270 alunos.

CONSÓRCIO
O programa do Consórcio Intermunicipal irá atender 3.750 jovens e será realizado em parceria com a UFABC (Universidade Federal do ABC). A instituição de ensino dará suporte científico, técnico e tecnológico.

“Além do incentivo ao conhecimento e à qualificação, é essencial que tanto o Estado quanto as empresas se empenhem em oferecer programas de treinamento, estágios e oportunidades de aprendizado prático. Trata-se de medidas importantes para que os jovens adquiram a experiência e os conhecimentos necessários para se destacarem em um mercado de trabalho em constante evolução. Parcerias entre escolas, empresas e governos desempenham um papel fundamental nesse processo, garantindo uma transição suave e bem-sucedida dos jovens para o mundo do trabalho”, detalha a advogada especialista em direito trabalhista Cíntia Fernandes.

“A capacitação e inclusão dos jovens no mercado de trabalho é um desafio nacional. Por isso, precisamos criar alternativas para dar oportunidades para esta faixa etária”, afirma o secretário-executivo do Consórcio Intermunicipal, Mario Reali.




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