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Fogos de artifício são motivo de preocupação durante a ‘virada’

Especialista alerta sobre perigo do contato dos artefatos com postes elétricos; item também causa medo em pessoas com hipersensibilidade

Por Beatriz Mirelle
30/12/2023 | 07:00
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Os fogos de artifício são um dos itens que mais remete às comemorações de fim de ano. Seja no Natal ou no momento da virada de ano, é difícil desvincular as festas desses artefatos explosivos. Na Avenida Paulista, em São Paulo, por exemplo, estão programados 12 minutos de queima silenciosa de fogos quando o relógio marcar a meia-noite do dia 1º de janeiro de 2024. O que pode ser considerado bonito também é sinal de preocupação. Quando disparados próximos às linhas de energia aéreas, que estão no alto dos postes, os fogos causam explosões e podem prejudicar o abastecimento da região. Além disso, podem provocar medo em quem possui hipersensibilidades sonora e visual.

No Estado, a soltura, comercialização, armazenamento e transporte de fogos de artifício de estampido (som forte) e de qualquer artefato pirotécnico de efeito sonoro com ruídos são proibidos desde 2021. Apesar disso, a lei não é seguida à risca e algumas pessoas precisam usar de abafadores para se resguardar do barulho. 

O engenheiro eletricista Juliano Gonçalves, Head da Divisão de Cabos da Megger Brazil, afirma que é necessário cuidado ao soltar fogos em lugares com redes elétricas, vegetação densa ou edificações. “Caso ocorra a explosão de um rojão em algum ponto dessa rede, há o risco de rompimento (dos fios elétricos), resultando em um possível acidente fatal ao cair no solo. Essa situação pode acarretar na interrupção temporária ou permanente do fornecimento de energia elétrica na região, afetando até mesmo serviços essenciais.” 

Gonçalves chama atenção para os prejuízos da explosão já que o curto-circuito provocado por um fio da rede elétrica pode atingir temperaturas de até 6.000°C, enquanto a chama de um fogão doméstico alcança aproximadamente 650°C. “Essa intensidade de calor é gerada instantaneamente e resulta em uma situação na qual não há tempo hábil para reação das pessoas próximas.” O especialista também aconselha que as pessoas evitem transportar os artefatos no bolso para não ter contato com o corpo. 

Por causa das comemorações de fim de ano, a jornalista Cibele Gallinucci Campos, 39, decidiu comprar um abafador para o filho Gabriel Gallinucci, de 9 anos, que tem hipersensibilidade auditiva. Essa foi a alternativa que ela encontrou para evitar crises de choros quando começarem as queimas dos fogos.

“Quando ele era bebê, chorava desesperado por causa dos fogos. Ninguém conseguia acalmá-lo. Só fomos entender o que acontecia quando ele recebeu o diagnóstico de TEA (Transtorno do Espectro Autista). O Gabriel fica muito incomodado com barulhos estrondosos, como de escapamento de carro, liquidificador e furadeira. Cada pessoa lida de um jeito. Ele fica assustado e tampa as orelhas com as mãos para diminuir o impacto. Também tentamos usar fones de ouvido, mas não se comparam com o abafador”, relata a moradora do Jardim Cristiane, em Santo André.

Com essa compra, Cibele considera que a qualidade de vida do filho vai melhorar, mas, mesmo assim, pede para que as pessoas tenham mais consciência sobre a utilização de fogos de artifício. “Ele vai precisar do abafador para que nenhum barulho da rua o incomode. A soltura dos fogos pode ser evitada. Isso ajuda não só pessoas com TEA, mas também idosos e outros grupos que têm hipersensibilidade.”

Pets precisam de atenção redobrada

Os barulhos estrondosos dos fogos de artifício não incomodam apenas os humanos. Os animais de estimação também precisam de cuidado redobrado durante a virada, já que são extremamente sensíveis aos estímulos sonoros e visuais. Marcus Leap, diretor do Departamento de Proteção à Fauna e Bem-Estar Animal de Ribeirão Pires, destaca que os pets ficam estressados e agitados nesses momentos. Sendo assim, a regra número um é não deixá-los presos em correntes e coleiras. 

Para aliviar a tensão, ele aconselha que os tutores os coloquem em um lugar mais isolado da casa, fechado com cortinas e persianas, e evitem pegá-los no colo. Colocar um chumaço de algodão nos ouvidos dos animais ameniza um pouco, mas não resolve o problema. 

“Se o animal tem histórico de medo por causa dos fogos, ele não pode ficar preso com corrente de jeito nenhum, porque, com o desespero, vai fazer de tudo para se livrar disso e pode acabar se machucando. O conselho é deixar em uma área da casa que tenha o som mais abafado. Aos que deixam os pets no quintal, é necessário preparar um espaço, como uma casinha, para que ele possa se abrigar.”

De acordo com o especialista, dar remédios não é recomendado. “Algumas pessoas medicam com sedativos. Isso é proibido porque se o animal for hipersensível ao princípio ativo do remédio, ele pode ter um mal súbito. É necessário tomar muito cuidado com essas medicações e os sprays calmantes.”

Outro problema comum durante as festas de fim de ano é a intoxicação alimentar dos bichinhos. “Alguns tutores têm costume de ofertar alimentos que sobraram da ceia. Muitas opções são tóxicas, como uva, chocolate e castanhas, e podem causar problemas”, alerta.




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