Setecidades Titulo Descaso

Família tem de cavar cova para enterrar jovem após falta de espaço e funcionário em Rio Grande

Prefeitura diz que irá apurar o fato e culpa trabalhadores; família pagou taxa do serviço

04/12/2023 | 20:25
Compartilhar notícia
Reprodução
Reprodução Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O jovem Paulo da Silva Júnior, de 26 anos, não pôde ter uma despedida tradicional neste domingo (3), no Cemitério Municipal São Sebastião, em Rio Grande da Serra. Familiares elutados tiveram de abrir por conta própria a cova de Paulo (que morreu afogado em um riacho do município) para realizar o sepultamento, já que funcionários do local teriam afirmado que todos os túmulos estavam ocupados e que os mesmos não eram contratados para realizar a função de coveiro. Procurada pelo Diário, a Prefeitura disse que irá apurar o fato e culpou os trabalhadores.

Segundo Mauricio Aparecido da Silva, 43, tio enlutado, ao chegar no cemitério havia dois funcionários no local, que disseram não ser possível realizar o sepultamento devido as covas estarem todas ocupadas, sendo necessário aguardar uma nova disponibilidade de vaga, o que só aconteceria após a exumação de outros corpos. Ainda de acordo com o tio do falecido, os funcionários afirmaram que não poderiam desempenhar a função de abrir a cova, pois eram contratados para outras funções. A família estava acompanhada do vereador Akira do Povo (Podemos), que foi acionado pela família. Depois de um breve diálogo, os trabalhadores apontaram um local onde poderia haver uma vaga. A família, então, começou a abrir a cova por conta própria.

“Como membro da família tive de entrar no meio da cova, pegar pá e enxada e começar a cavar”, diz Maurício, que conta ter cavado por cerca de 45 minutos. “Isto é uma negligência muito grande por parte da Prefeitura, nunca pensei que um dia passaria por uma situação dessa. Estamos sujeitos a perder um familiar, mas o Paço não ter um espaço para poder enterrar alguém do próprio município é deplorável”, desabafa Maurício. O familiar diz que vai buscar assistência jurídica contra o Paço, já que não havia coveiro no local no momento.

DGABC

Mesmo realizando a abertura da cova, a família ainda teve de arcar com os custos da taxa de prestação de serviço funerário, que gira em torno de R$ 160.

RESPOSTA

A Prefeitura de Rio Grande da Serra, comandada por Penha Fumagalli (PSD), enviou nota em que se defende sobre os eventos ocorridos na tarde deste domingo, no Cemitério Municipal. O Paço confirmou a presença de dois funcionários no local, sendo um roçador e um servente de serviços gerais, e acusou os profissionais de se recusaram a executar o serviço, qoe constata infração disciplinar. “De acordo com a Lei 2.291/18, que regulamenta as atribuições dos funcionários públicos do município, um dos encargos para o servente de serviços gerais diz respeito à: ‘serviços de escavações’, portanto, a recusa dos funcionários alegando desvio de função não procede”, afirma a administração. A Prefeitura informou que abriu um PAD (Processo Administrativo Disciplinar), para avaliar a conduta dos referidos funcionários, bem como dos responsáveis pelos serviços no cemitério.

“Nossos esforços visam garantir a responsabilização e a adoção de medidas corretivas para evitar a repetição de situações semelhantes. Lamentamos profundamente os constrangimentos causados à família afetada e reiteramos nosso compromisso em zelar pela dignidade e respeito em todos os serviços oferecidos à população. A Prefeitura esclarece que todo apoio necessário será prestado aos familiares”, diz a nota.




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


;