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Cooper e eu: correr ou caminhar?
Por Antônio Carlos do Nascimento
04/12/2023 | 10:29
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Fernandes


O cardiologista norte-americano Kenneth Cooper ficou mundialmente conhecido por ter criado, na década de 1960, um modelo avaliador de aptidão física, inicialmente idealizado para os integrantes das forças armadas americanas.

A análise, nomeada teste de Cooper, consiste em uma corrida de 12 minutos, em que o consumo máximo de oxigênio é calculado a partir da distância percorrida.

Intencionando ou não, Cooper deflagrou um movimento de investigações científicas que permitiram rapidamente a compreensão popular quanto à importância dos exercícios físicos na saúde física e mental.

Para além dos testes de condicionamento, interroga-se quais seriam os melhores exercícios aeróbicos a serem executados para benefício da saúde e muito embora existam muitos exemplos, a discussão paira entre a corrida e a caminhada.

Sou defensor entusiasta do consenso (embora com arestas), com o qual Cooper concorda, que define a distância percorrida como o parâmetro conciliador, em outras palavras, completar 6, 8 ou 10 quilômetros em 30 minutos ou em duas horas, fornecem benesses similares, no que importa muito mais a frequência que estas atividades sejam praticadas, do que a maneira.

Porém, de tempos em tempos surgem novos debates e há pouco o jornal The New York Times, que dispensa apresentações, expôs artigo sobre o assunto, suficiente para que nossos principais meios de comunicação reavivassem o tema, que o faço agora para o Diário do Grande ABC.

Lemos frequentemente que correr promove melhor condicionamento, porém, com menor expectativa de vida e risco de comprometimentos graves nas articulações. De outro lado, surgem estudos posicionando a caminhada como alternativa à corrida e não como opção de mesmo porte. Inúmeras versões, cada qual balizada por vieses investigativos diversos. 

Em meu entendimento, o sedentarismo mundial instalou-se em uma população sem qualquer perfil atlético, não corríamos atrás de presas, nem tampouco nadávamos grandes distâncias para alcançar destinos. 

Se culpamos a ociosidade como causa para inúmeros males orgânicos, notadamente a obesidade, não o fazemos referindo que pais, avós e bisavós viviam apostando corridas entre si, mas sim para apontar que não possuíam carros, controles remotos, internet e tantos outros itens modernos, obrigando-os ao movimento.

Compreendo os apaixonados pelas corridas e a sensação fornecida pelas substâncias resultantes do trabalho muscular vigoroso e rápida exigência cardiopulmonar, mas entendo que esse deleite possa ser proporcionado em menor amplitude e tempo mais alongado para aqueles que preferem caminhar.

Estou seguro de que o espaço percorrido e a regularidade que praticamos o exercício sejam as melhores métricas, as quais, para não ferir a narrativa, terão valor discutível para fumantes, usuários de drogas ilícitas, consumidores de grandes quantidades de álcool e alimentos ultraprocessados. 




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