
A Bolívia informou neste sábado que já retomou o envio de gás para Brasil e Argentina, cortado por algumas horas na sexta, depois que o governo de Evo Morales convenceu autoridades e líderes civis do sul boliviano - palco de violentos protestos durante uma semana - a negociar na segunda-feira, em La Paz.
A exportação de 5 a 7,7 milhões de metros cúbicos (MMC) de gás diários para a Argentina se restabeleceu depois do meio-dia deste sábado. Na sexta-feira à noite, as forças de segurança retomaram o controle de uma instalação de gás que permaneceu por mais de um dia nas mãos de milhares de manifestantes na localidade de Yacuiba.
Ao mesmo tempo, descartou-se a possibilidade de um corte para o Brasil, que importa uma média de 26 MMC diários. "Recuperou-se o controle da unidade Yaboo", disse o ministro da Defesa, Walker San Miguel.
"Isso implica o restabelecimento do fluxo de exportação de gás para a Argentina", celebrou seu colega da presidência, Juan Ramón Quintana. O governo argentino negou a existência de problemas com o fornecimento de gás natural boliviano.
"Não haverá problemas com o fornecimento de gás durante o fim de semana", garantiu o secretário de Energia, Daniel Cameron.
Depois de cinco dias de violentos confrontos, nos quais um civil morreu no departamento de Tarija e que levaram à tomada, destruição e até saque de instalações petroleiras por parte de manifestantes, o governo Morales restabeleceu a autoridade nesta região no extremo sul boliviano.
Na origem desta crise, está um conflito entre as províncias Gran Chaco e O'Connor, parte de Tarija, pela jurisdição de um megacampo de gás que distribui 25 milhões de dólares por ano em royalties.
A disputa pela posse de Margarita, um dos maiores reservatórios de gás da Bolívia e que possui a segunda reserva de gás de América do Sul com 1,55 bilhão de m3, pode ser resolvida em uma negociação convocada para a próxima segunda-feira em La Paz, sede do Executivo boliviano, e que será liderada pelo vice-presidente Alvaro García.
Depois do fracasso de uma primeira tentativa na sexta-feira, o governador de Tarija, Mario Cossio (de oposição), e autoridades da província Gran Chaco, epicentro do conflito, garantiram participação no encontro.
O governo Morales - que responsabilizou Cossio pela violência - comemorou "a decisão de diálogo dos dirigentes da província Gran Chaco", reticentes em princípio a se sentar na mesa de negociação com seus pares de O'Connors.
"Temos de resolver as causas estruturais desta situação que é o conflito de limites" entre ambas as províncias, situadas sobre enormes reservatórios de gás nos contrafortes da Cordilheira dos Andes, na fronteira com Argentina e Paraguai, disse o vice-ministro de Coordenação com os Movimentos Sociais, Sacha Llorenti.
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