Editorial Titulo Charge
O alerta do Azulão
Da Redação
08/11/2023 | 09:19
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A Associação Desportiva São Caetano, equipe profissional que, nos anos 2000, encantou o Brasil e a América do Sul ao disputar, de igual para igual com as agremiações tradicionais do País e do continente, os títulos mais desejados do futebol, hoje não passa de um arremedo de clube. A decadência do Azulão, registrada nesta edição do Diário, tem explicação. Consolidado com mobilização histórica do município, então conduzido pelo prefeito Luiz Olinto Tortorello (1937-2004), o símbolo começou a se desmanchar quando perdeu o esteio oficial. Hoje, sob o governo de José Auricchio Júnior (PSDB), o são-caetanense não tem um time do qual se orgulhar. Mas ainda possui uma cidade. Ainda.

Determinados analistas conseguem enxergar alguns paralelos entre a decadência do clube e o próprio município. Embora ainda goze de certo prestígio na cena administrativa nacional, São Caetano vê se aproximar no horizonte uma sombra carregada de incertezas. Já há, por exemplo, quem questione o que poderá ocorrer com os cofres da Prefeitura quando o mundo abandonar os veículos com motor a combustão – exatamente a cadeia produtiva que hoje sustenta o Palácio da Cerâmica, sede do Poder Executivo, e a qualidade de vida dos são-caetanenses. A busca global por mais sustentabilidade pode representar um baque. E o que acontecerá com a cidade? Cairá para a Série D?

A decadência de seu time profissional de futebol deve servir de exemplo às autoridades de São Caetano. Se não corrigir a rota econômica, aproveitando o atual momento de pujança de recursos gerados pela indústria de carbono para prospectar alternativas mais limpas e sustentáveis, a cidade que ostenta o maior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Brasil pode comprometer o futuro de seus habitantes. Estas considerações não são sinal de mau agouro, mas um alerta destinado a abrir os olhos de quem comanda o município. Os ventos e a sorte mudam. Rapidamente. Quem iria dizer que o Azulão, vice-campeão das Américas em 2002, hoje não disputaria nem a última divisão do Brasileiro?




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