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Os navios estão chegando
Por Rodermil Pizzo
30/10/2023 | 19:40
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Depois de um período como os vilões da saúde pública, os navios chegam com força total e prometem balançar, não literalmente, as águas brasileiras. Está aberta oficialmente a temporada 2023/2024.As cias. Marítimas, como Costa e MSC, iniciam a partir de novembro as viagens para os cruzeiristas. Ainda que sabido que os navios que chegam ao Brasil, de modo geral, trazem estrutura e serviços de segunda linha, mesmo assim são considerados queridinhos pelos brasileiros.


Os destinos nacionais que mais receberão turistas oriundos de viagens marítimas são Santos, Salvador, Rio de Janeiro, Búzios e Camboriú. Já os internacionais, como sempre, se restringem a Buenos Aires e Montevidéu. Mesmo sendo mais do mesmo os roteiros são aprovados pelos clientes, afinal não se tem como mudar muito. As rotas dos navios no Brasil são bem restritas, pela falta ou inexistência de estrutura portuária.


Recordo-me claramente quando estava no Rio de Janeiro e vi a chegada do famoso Queen Mary, que só atracou aqui uma única vez, para nunca mais regressar, já que o navio, de primeira linha, não conseguiu estrutura física e humana para recebê-lo. Se foi e nunca mais retornou. Bons tempos, quando Fernando de Noronha, antes de se tornar um paraíso particular da família global Gagliasso, recebia também navios de cruzeiros, e permitia aos turistas brasileiros que ficassem em cabines confortáveis, ao contrário do desconforto de casas de pescadores.


Esta briga de Noronha com os navios me soa igual à das sacolinhas de mercado. Noronha acusava os cruzeiristas de deixar lixo, poluir as águas e de não gastar nada nos desembarques, ou seja, provocar somente prejuízos ambientais. Todavia, tal qual as sacolinhas plásticas, que, quando eram gratuitas, poluíam ambiente e não eram bem-vindas, mas que deixaram de ter restrições de uso e de consumo. Resumindo: pagando caro, se pode tudo.


Voltando à realidade, os navios trazem muitos temas. Samba, rock, sertanejo, navios de comunidades, grupos de empresas, entre tantas outras tribos. A temporada é para todos os gostos e bolsos. Com roteiros que, na sua maioria, são de oito dias e sete noites. Ou os mini cruzeiros, que são mini mesmo, já que se dizem de quatro dias, todavia se ingressa a bordo às 15h do primeiro dia e desembarca-se – ou melhor, é desembarcado – forçosamente das cabines às 7h do último dia – ou seja, o tempo a bordo real é de dois dias apenas.


Bom, não podemos negar, ainda que tenhamos navios de qualidade inferior, são divertidos, alegres e sempre muito casuais. Esqueça o livro de cabeceira. Esta imagem de paz e sossego a bordo é só nas propagandas. Também não perca tempo com as roupas de festas e trajes de gala. Na temporada de cruzeiros brasileiros é biquíni, sunga, canga, bermuda, chinelo e, é claro, muito funk e sertanejo nas piscinas durante o dia todo. Bora se jogar? Não no mar.


Rodermil Pizzo é doutorando em Comunicação, mestre em Hospitalidade e colunista do Diário, da BandFMBrasil e do Diário Mineiro.




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