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'A história da Pan será respeitada', diz vice-presidente da Cacau Show

Nilton Valentim
16/10/2023 | 09:05
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FOTO: Divulgação
FOTO: Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Por quase nove décadas a Chocolates Pan produziu guloseimas em um espaço de 10.432 metros quadrados em São Caetano. Essa longeva história foi um dos motivos que levaram a Cacau Show a oferecer lance de R$ 70 milhões pelas instalações da antiga fábrica, que sucumbiu a uma montanha de dívidas. 

Desde o dia 15 de setembro, quando formalizou o maior lance, a Cacau Show espera a Justiça homologar o resultado e declará-la vencedora do pregão. Existe expectativa que isso ocorra nesta semana. Segundo o vice-presidente da empresa, Daniel Roque, a intenção é respeitar a história da Pan. “Vamos surpreender positivamente”, afirma.

Nome: Daniel Roque.
Idade: 43 anos.
Local de nascimento: São Paulo, Capital.
Formação: Economia, administração e marketing.
Hobby: Brincar com os filhos.
Local predileto: Minha casa.
Livro que recomenda: Guga, um Brasileiro, de Gustavo Kuerten. A grande mensagem é que talento sem disciplina trará menos resultados que o esforço com dedicação.
Personalidade que marcou sua vida: Morgan Freeman em Um Sonho de Liberdade.
Profissão: Vice-presidente de Negócios da Cacau Show.
Onde trabalha: Cacau Show.

DGABC

Como tem sido o desempenho da Cacau show neste ano?
Os últimos anos têm sido incríveis. Até hoje não teve ano em que não tenhamos conseguido realizar alguma coisa bacana e tenhamos contribuído com os empreendedores. Agora, falando de resultados, durante a pandemia, tínhamos uma crença de que ia precisar trabalhar mais, com mais energia para recuperar aquela ‘barrigada’ que todo mundo passou. Aí, em 2020, sofremos aquele baque. Todo mundo parou. Cada um com um pouco mais ou menos de dor, mas todo mundo com alguma dor. E daí, na recuperação, a gente se desafiou a fazer mais. E saímos de uma abertura média de 200 (pontos de venda) em 2021, para 1.000 lojas no ano passado. E neste ano estamos tendenciando a fazer 600 novas operações. E isso vem funcionando bem. Estamos com mais de 550 lojas em processo de abertura ou já inauguradas. Sob a perspectiva de atendimento do mercado e de proximidade do consumidor, os primeiros nove meses foram encerrados com bastante sucesso, porque a nossa busca é de nos aproximarmos do consumidor, de estar mais perto das pessoas e proporcionar ao franqueado essa oportunidade de empreender. Tivemos a melhor Páscoa da nossa história, tanto no portfólio de produtos quanto na repercussão dos itens que lançamos e também na venda. Além de no giro e na aceitação do consumidor. Já estamos pensando nos projetos do ano que vem, como a ampliação da nossa fábrica de Linhares (Espírito Santo), a fazenda (de produção de cacau), que vem se consolidando dentro do nosso ecossistema – e a gente está verticalizando todo esse processo –, além das nossas rede de lojas. Então está tudo bem endereçado; assim as coisas estão acontecendo.

Como a Cacau Show olha para o Grande ABC?
O Grande ABC possui cidades super bem desenvolvidas, com alto potencial de empresas e de onde vemos saindo muitos profissionais bem formados e com potencial. Para nós é uma região superimportante. Eu não vou saber o percentual de cabeça, mas se eu pegar o Estado de São Paulo, estou para lhe dizer que, em número de operações e de importância de vendas, o Grande ABC representa mais do que 10% do faturamento.

Qual será o faturamento da Cacau Show em 2023?
Deve girar em torno de R$ 5,2 bilhões e R$ 5,5 bilhões.

Quantos empregos a Cacau Show gera hoje no Brasil?
Nesse momento, a gente deve ter alguma coisa perto de 12 mil. Isso contando franqueados, contando com os vendedores das lojas, no nosso escritório e na fábrica. Se gente contar os revendedores e o pessoal que de uma forma ou de outra tem um impacto indireto, aí a gente está falando de mais de 50 mil pessoas. Então, se incluirmos os revendedores, são quase 65 mil pessoas.

A Cacau Show deu o maior lance, de R$ 70 milhões, pelas instalações da Chocolates Pan, de São Caetano. Ainda falta a homologação da Justiça, mas qual é a intenção da empresa com essa aquisição?
Nós temos algumas intenções. Mas queremos muito esperar que isso (homologação da Justiça) se conclua para poder abrir, falar abertamente sobre o caso. A fábrica da Pan tem um histórico que é algo supervalioso para o mercado de chocolate brasileiro. Tem uma história muito bonita e tem muita energia naquele ambiente, de coisas que aconteceram e que participaram desse processo de transformação do mercado de chocolate no Brasil. E, sem desrespeitar as demais participantes do leilão, foi uma empresa de chocolate que demonstrou interesse e, não só por isso – mas também por isso –, quem deu a maior oferta. A gente tem mais uma conexão com tudo isso, que é uma conexão emocional, uma conexão de uma história que foi construída inspirada pela história da Pan. A ideia é que a gente vá além de um terreno, de uma fábrica. Tem uma história por trás de tudo isso, que nós vamos poder contar daqui a pouco. A gente só não vai contar agora porque, se não der certo, vai ficar estranho. Mas, de verdade, estamos acreditando bastante que vai dar certo e a partir disso vão ter desdobramentos muito importantes. E o que eu quero, de verdade, deixar marcado, é que vamos respeitar muito essa história da Pan e isso, com certeza, vai nos ajudar e nos inspirar em alguns projetos que a gente tem pela frente.

A notícia de que a Cacau Show deu o maior lance no leilão foi muito bem recebida no Grande ABC. As pessoas viram como a possibilidade de investimentos e geração de empregos. Elas estão certas?
Honestamente, o que eu posso dizer é que nós vamos surpreender positivamente não só os moradores da região, mas também os do Estado de São Paulo e, posso até estar exagerando, mas os do Brasil também. O que eu posso dizer é que nós vamos respeitar essa história.

O espaço da antiga fábrica pode virar um parque temático sobre a história do chocolate?
A princípio, não. Mas, apesar de o mundo dos negócios ser um mundo mais pragmático, mais objetivo, tem coisas que acontecem e que surpreendem. A primeira vez que a fábrica foi a leilão e não teve nenhum interesse inicial, a gente discutiu esse assunto por aqui, lembro que a gente conversou sobre o assunto e resolveu entrar. E decidimos por vários motivos. Um deles foi a história e o legado que foi deixado. A gente não havia parado para olhar para esse negócio e, quando parou e olhou, fomos com bastante energia e vontade para o leilão, considerando tudo o que tinha acontecido e o que estudamos, porque tem uma série de coisas ali que, para nós, faz mais sentido que para outras empresas. Então, se as coisas entrarem nos eixos, podemos olhar com um outro olhar, pois as coisas evoluem.

O sr. poderia detalhar como foram os bastidores do leilão da Pan? O sr. participou?
Não. Eu estava perto, mas na hora do leilão a gente tinha uma outra reunião. Quem estava à frente era o diretor-jurídico e o Alexandre (Costa, presidente da Cacau Show) também foi para a sala. Depois entrou o time do jurídico. E, no fim, empolgou todo mundo. No fim de semana começaram a vir as matérias de todos os lugares, todo mundo perguntando. Depois começou a sair um monte de memezinho, né? De foto da Cacau Show com a foto da Pan. E aí fez todo sentido! Começou super despretensioso e aí a adrenalina aconteceu, energizou todo mundo aqui. Na semana seguinte, tivemos um encontro com toda a nossa liderança, com os gestores e a gente compartilhou. Foi uma celebração superbacana. Agora estamos esperando o juiz. Nós estamos superconfiantes de que as coisas vão se concretizar e a gente vai conseguir fechar esse negócio. E daí para frente vamos pensar nos próximos passos para aquele espaço, que é tão importante para a nossa história.

Como está sendo tratada a questão da internacionalização da Cacau Show?
Estamos trabalhando nesse assunto. No último ano, eu posso dizer que estruturamos muito a Cacau Show da porta para dentro. Ir para o mercado internacional, para algumas marcas, é uma coisa muito simples porque exportam produtos acabados – roupas, calçados, perfumes… O nosso negócio está muito pautado no gênero alimentício, que é muito mais complexo nas homologações das vigilâncias sanitárias desses países. Temos de trabalhar uma lista técnica, olhando composição de produto, logística. Além de tudo, é um produto perecível. Estamos trabalhando um modelo de parcerias com empresas locais que possam ser nossas sócias neste empreendimento e, a partir disso, com lojas próprias. Nos próximos dois meses nós vamos ter novidades sobre o início de operações em outros países, para 2024. Eu não duvido de que vamos ter alguma coisa perto de três, quatro países, para começar esse processo de amadurecimento dessa frente internacional, mas nós estamos trabalhando pesado, muito duro nisso.

Mas a Cacau Show já está em outros países?
Não, a gente fez alguns processos de comercialização nos Estados Unidos, alguma coisa no Canadá, na Colômbia, mas foram ações pontuais. Eu posso lhe dizer que nós já organizamos, inclusive, planos de expansão para alguns mercados, como a Colômbia, Estados Unidos e alguns países da Europa e até o próprio Canadá. Eu já tenho até visão de mais ou menos quantas lojas cabem nesses mercados.

O que é o chocolate para o senhor?
A gente brinca que a Cacau Show não é uma fábrica de chocolate, mas uma fábrica de dignidade. Para a gente, dignidade é transformar o momento por meio do cacau, pois tudo começa nele. O chocolate é o que transformou a nossa vida e a de muitas pessoas. Tudo isso o cacau e o chocolate nos deram. É o sustento de um monte de famílias, é a nossa vida, o nosso dia a dia, é o nosso amor, a nossa paixão. Chocolate é o que viabiliza, é o que permite que façamos tudo isso que temos feito. E consigamos alcançar voos cada vez mais altos e com uma perspectiva cada vez melhor. O chocolate para nós é isso, é tudo. É o que nos permitiu ter construído tudo isso e para onde a gente vai. O chocolate permeia tudo, transforma um momento e permite a gente participar da vida das pessoas no fim de semana, no aniversário do filho, num casamento, num pedido de desculpa… Onde quer que seja a gente consegue participar desse momento especial. É o nosso propósito.




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