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Longevidade: as Zonas Azuis!
Por Antônio Carlos do Nascimento
25/09/2023 | 09:19
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Pesquisadores em busca de lugares nos quais os índices de longevidade fossem substancialmente mais altos que a média mundial, faziam suas marcações em mapas com canetas de cor azul e a identificação de áreas com grande densidade dessas anotações receberam o nome de “Zonas Azuis” (Blue Zones), também conhecidas como “Terras de Centenários”.

Dan Buettner, jornalista, detentor do recorde mundial do Guinness para ciclismo de longa distância, “explorador” da National Geographic e produtor vencedor do Emmy, liderou essa procura e destacou as cinco principais Zonas Azuis através do mundo: Sardenha (Itália), Okinawa (Japão), Península de Nicoya (Costa Rica), Ikaria (Grécia), Loma Linda (EUA).

Para um vilarejo recordista em centenários da Sardenha, Buettner ressaltou os benefícios das pequenas subidas e descidas constantes que a região montanhosa exige, assim como a utilização de grande variedade de vegetais em suas dietas e a ausência do stress urbano. Porém, outros autores sugerem que os privilégios orgânicos sejam majoritariamente provenientes do consumo de seus vinhos tintos, produzidos com a uva Cannonau. 

Em Okinawa o enfoque dietético é dado também para os vegetais, com menções especiais àqueles com propriedades medicinais, mas o hábito de encerrarem suas refeições antes que estejam absolutamente satisfeitos é tido como segredo extra para os anciões. É dito ainda que a prática de atividades constantes, cuidando de hortas e no envolvimento com a comunidade é mais uma chave para atravessarem as portas do tempo.

Na Península de Nicoya, Buettner é mais econômico em suas sugestões, deixando a tríade alimentar baseada em milho, abóbora e feijão, no centro das atenções, sem deixar de anotar como benéfica a movimentação para os afazeres diários.

Chás de ervas, variadas plantas, mel, vinho, música e dança podem ser a receita dos longevos de Ikaria, enquanto em Loma Linda, a forte presença dos adventistas de sétimo dia com seus cuidados nutricionais, focados em vegetais, prática de exercícios físicos leves e sua fé cristã, parecem garantir os predicados para viver mais e melhor.

Muito embora seja possível especular inúmeros itens promotores de longevidade e qualidade de vida, vê-se que sedentarismo, tabagismo, excesso de álcool, alimentos processados e noites insones não constavam na rotina de nenhuma das “Blues Zones” estudadas, o que traz bons ensinamentos para construirmos nossa estrada azul para o futuro!

Antonio Carlos do Nascimento é doutor em endocrinologia pela Faculdade de Medicina da USP e membro da Sociedade de Endocrinologia e Metabologia.




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