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O coração do Faustão e os nossos
Por Antonio Carlos do Nascimento
28/08/2023 | 09:13
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Fausto Silva, pouco conhecido pelo extraordinário ser humano que é, porém, famoso pelo espetacular apresentador que sempre foi, tem tomado as mídias nos últimos dias pelo fato de sua vida depender de um transplante cardíaco.

Sua condição crítica é a insuficiência cardíaca grave, caracterizada pela incapacidade do coração em bombear sangue para as demandas orgânicas.

O coração é um órgão muscular, dividido em quatro câmaras, duas localizadas à direita e duas à esquerda e cada qual desses setores possui uma câmara de recepção e outra de bombeamento.

O lado direito recebe o sangue utilizado pelo organismo e o encaminha para os pulmões, onde ocorrerá a troca do gás carbônico pelo oxigênio. Enquanto o lado esquerdo recebe o sangue oxigenado para bombeá-lo para todo o corpo.

O processo é sincronizado e dependente de várias estruturas e desempenhos, que além da musculatura cardíaca com boa condição vascular, incluem válvulas competentes, eficiente troca gasosa pulmonar e sistema elétrico intacto, para citar os encadeamentos mais importantes.

São muitas as possibilidades de danos nestas relações que podem culminar com a ineficiência momentânea ou definitiva da capacidade de bombeamento, contudo, a doença coronariana e a hipertensão arterial são as origens mais comuns da insuficiência cardíaca.

A compreensão mais objetiva da coronariopatia como motivo de incompetência funcional do coração ocorre quando observamos a evolução de infartos extensos e não fatais, os quais promovem grandes áreas inativas que comprometem a eficiência da contração muscular deste órgão.

A obesidade e sua potencial evolução para o diabetes tipo 2 é um dos pilares da doença coronariana a ser enfrentado, com dieta saudável e exercícios físicos para sua prevenção, e tratamento clínico ou cirúrgico para sua correção. O diabetes e alterações nas concentrações de gorduras sanguíneas devem ser tratados com austeridade e o tabagismo deve ser combatido à exaustão.

De outro lado, os cuidados com o peso minoram a prevalência da hipertensão arterial, assim como suas complicações, mas o tratamento medicamentoso anti-hipertensivo eficaz, em magros ou portadores de excesso de peso, é capaz de prevenir a hipertrofia da musculatura do ventrículo esquerdo, condição predisponente para posterior inabilidade contrátil e desenvolvimento de insuficiência cardíaca.

Cansaço aos mínimos esforços, falta de ar ao decúbito horizontal e inchaço nos membros inferiores, compõem a tríade sintomática mais comum da insuficiência cardíaca grave, incurável, de difícil tratamento clínico e para a qual, o transplante cardíaco surge como única alternativa para solução do quadro.

Enquanto desejo que Faustão receba seu novo coração e possa manter sua vida e seus generosos projetos, espero que seu exemplo alerte obesos, diabéticos e hipertensos para os rigores necessários em seus tratamentos, sob pena de esperar por um coração que pode não chegar.

*Antonio Carlos do Nascimento é doutor em endocrinolgia pela Faculdade de Medicina da USP e membro da Sociedade de Endocrinologia e Metabologia.




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