Setecidades Titulo 23 mortes
Trânsito da região tem junho mais letal da série histórica

Motociclistas seguem sendo maior vítima do fluxo de veículos; especialistas apontam alta vulnerabilidade

Renan Soares
Do Diário do Grande ABC
20/07/2023 | 08:00
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Motociclistas seguem sendo as maiores vítimas do trânsito; no semestre, 42 pessoas perderam a vida em motos, somente em junho foram 12 óbitos (FOTO: Claudinei Plaza/DGABC)


O número de mortes no trânsito no Grande ABC durante o mês de junho deste ano foi o maior da série histórica, divulgada desde 2015 pelo InfoSiga, sistema de monitoramento do governo estadual gerenciado pelo Detran-SP (Departamento de Trânsito de São Paulo). No período de 1º a 30 de junho de 2023 foram registrados 23 óbitos na região, um a mais do que o número apontado em 2015 e 2017, quando 22 pessoas morreram.

Do total de 23 mortes, 61% ocorreram nas vias públicas da região (14). A maioria das vítimas guiava motocicletas (12), eram homens (17) e tinham entre 30 e 39 anos (7). As colisões foram o tipo mais comum de ocorrência, com 10 registros. Três cidades da região, São Caetano, Mauá e Rio Grande da Serra, não registraram óbitos no período. São Bernardo apresentou o maior número, com 12 mortes, seguida de Santo André (5), Diadema (4) e Ribeirão Pires (2).

Para Fábio Bertrani, psicólogo e membro do Observatório Nacional de Segurança Viária, é necessário apostar em uma política de redução de velocidade para diminuição das mortes, fazendo com que os trajetos dos motoristas sejam feitos em um mesmo tempo e com mais segurança, principalmente para motociclistas. “Temos de ser incisivos na política pública com esse público. Entender as razões pelas quais eles estão correndo, e isso só se compreende conversando. No trânsito, todo mundo tem sua responsabilidade e o ser humano é passível de erro”, afirma Bertrani, que também é gestor de educação de trânsito em Ribeirão Pires.

Para o especialista, a grande quantidade de veículos nas vias é um dos principais fatores para o número. Ele avalia que a diminuição dos carros e motocicletas nas vias passa por uma maior adesão da população ao transporte público. “Com a pós-pandemia, tem um grande número de pessoas voltando a utilizar o sistema viário”, aponta Fábio. “Outro fator que colabora é que os motoristas ficaram sem dinheiro na pandemia e deixaram de fazer manutenção em seus veículos, além da não renovação da CNH (Carteira Nacional de Habitação)”, finaliza.

Já o advogado e professor de Direito, André Nascimento, avalia que os acidentes estão normalmente ligados a homens jovens, justamente pelo fato de aceitarem mais os riscos. “O motociclista é a principal vítima dos acidentes de trânsito, uma vez que são mais vulneráveis, pela própria estrutura do veículo que utilizam”, avalia o advogado. “Normalmente as modificações legislativas visam impor penas mais rigorosas e isso alcança somente um efeito localizado e momentâneo. Veja nos dados que o único período de redução se deu em 2020, justamente pela pandemia. Com a retomada da atividade, os números voltaram a crescer”, finaliza.

Em relação ao semestre – 1° de janeiro a 30 de junho –, o Grande ABC apresentou estabilidade, passando de 112 óbitos em 2022 para 108 neste ano. Durante o mesmo período, o número de acidentes que não envolveram vítimas subiu na região, de 3.783 no ano passado para 3.829 em 2023, um aumento de 1,2%. O número é semelhante aos apresentados no Estado de São Paulo, que apresentou alta de 8,5%, passando de 85.531 para 92.794.

O alto índice foi registrado justamente no mês seguinte ao que os municípios se mobilizaram com a campanha do Maio Amarelo, visando conscientizar e orientar motoristas, pedestres e ciclistas. 

MAIO AMARELO

O alto índice é registrado no mês seguinte aos municípios da região se mobilizarem com a campanha do Maio Amarelo, visando conscientizar e orientar motoristas, pedestres e ciclistas. A cor do movimento remete ao amarelo do semáforo, que simboliza atenção, e o tema de 2023, ano em que a campanha completou dez anos no Brasil, foi ‘No trânsito, escolha a vida’.

Santo André promoveu ações com o Cimob (Circuito Itinerante de Mobilidade), estrutura móvel que simula uma cidade para trabalho, com alunos da rede municipal. Além de presença do Mister Mão e palestras nas unidades escolares. Em São Bernardo, o município firmou parceria com a concessionária Ecovias, responsável pelo Sistema Anchieta-Imigrantes, para unificar esforços com a cidade para a prevenção de acidentes, com blitzes educativas e panfletagem para pedestres.

São Caetano sediou um Fórum com apresentações de autoridades e especialistas municipais e estaduais sobre ações de fiscalização e segurança no trânsito. Na educação, houve atividades de conscientização junto a 3.300 alunos de 15 escolas da rede municipal de ensino. A campanha Maio Amarelo em Diadema promoveu a peças de teatro para o público infantil nas 12 Emebs (Escolas Municipais de Educação Básica) do município. Além de intervenções artísticas em diversos pontos do município. 

Em Ribeirão Pires o trabalho foi semelhante, com entrega de cartilhas interativas com orientações sobre trânsito, jogos e desenhos para colorir para crianças. Além disso, o Paço começou a reforçar a sinalização horizontal de trânsito na região central. 




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