Polo Petroquímico Vítima era funcionário terceirizado e realizava serviços de pintura quando acidente ocorreu em um tanque desativado; Braskem confirmou óbito
André Henriques/DGABC

Um incêndio causou uma morte e deixou seis pessoas feridas na manhã desta quinta-feira (22), no Polo Petroquímico, entre Santo André e Mauá. O acidente em um dos tanques do local, que estava desativado e em manutenção, começou por volta das 9h, e se estendeu até o início da tarde, quando o óbito de um funcionário terceirizado foi confirmado. A Braskem, responsável pelo local, e a Tenenge, empresa da qual a vítima fatal fazia parte, lamentaram o ocorrido.
O fogo foi controlado em aproximadamente uma hora, mas o resfriamento do tanque ocorreu até o início da tarde. Segundo informações do Corpo de Bombeiros, das sete vítimas, duas foram socorridas em plena consciência, sendo orientadas e atendidas pelo ambulatório da Braskem, no próprio Polo Petroquímico. Outras duas pessoas tiveram cerca de 90% do corpo queimado, com uma delas necessitando ser transportada pelo helicóptero Águia da Polícia Militar ao Pronto Socorro do Tatuapé, na Capital.
Outras duas foram encaminhadas ao Pronto Socorro NotreDame, com contusão nas pernas, após serem arremessados ao ar com a explosão. A última vítima foi levada ao Hospital São Mateus, também na Capital, com queimaduras na face e vias aéreas. Pelo menos cinco das sete pessoas realizavam serviços de pintura no momento do acidente. No total, 33 agentes e 11 viaturas do Corpo de Bombeiros participaram da ocorrência.
Salvador da Silva Santos Sobrinho, 39 anos, era um dos funcionários dentro do Polo Petroquímico no momento da explosão. Motorista de caminhão, ele presta serviços de retirada de lixo industrial. Ao Diário falou sobre o momento da explosão. “Eu estava dentro do caminhão que presto serviços. Estava com um amigo e com vidros fechados, e ouvimos pouco barulho. Logo passamos ver representantes da Braskem solicitando que todos saíssem rapidamente”, falou.
No caminho até a saída, Salvador diz ter visto uma das vítimas com queimaduras na perna e no rosto sendo socorrida por uma das ambulâncias internas. “Eu e meus amigos estávamos lá no setor próximo, e largamos os caminhões parados. Tivemos que nos deslocar andando até a portaria, pois essa era a orientação”, relatou o funcionário. “Era um fogo muito forte, intenso, e muita fumaça preta”, concluiu.
Segundo a Braskem, empresa responsável pelo local do acidente, todas as medidas de segurança foram adotadas após o início do incêndio, com a evacuação total do polo. Em relação à morte, a Braskem lamentou o ocorrido. “Nos solidarizamos com os familiares e amigos e reforçamos que nosso departamento médico/assistência social está acompanhando para prestar todo o apoio necessário”, diz o comunicado. A empresa afirma ainda que já tomou as medidas necessárias de segurança para o local e seu entorno.
Já a Tenenge, empresa terceirizada que prestava serviços no momento do acidente, informou que pelo menos cinco pessoas atingidas são integrantes da companhia. “A Tenenge, através de suas equipes especializadas, segue focada no apoio às vítimas, seus familiares e colaborando com os agentes públicos no local”, destacou em nota. Contrariando o Corpo de Bombeiros, ambas empresas informaram que cinco pessoas ficaram feridas, entre elas a que foi a óbito horas depos. As causas da ocorrência estão sendo investigadas.
PREFEITOS LAMENTAM
O prefeito de Santo André, Paulo Serra (PSDB), se manifestou sobre a ocorrência em suas redes sociais. “Lamentamos o acidente que ocorreu na manhã desta quinta-feira, no Polo Petroquímico de Capuava, que feriu seis pessoas e levou à perda de uma vida”, afirmou o chefe do Executivo andreense.
Já o prefeito de Mauá, Marcelo Oliveira (PT) se solidarizou com os trabalhadores atingidos pelo incêndio. “É fundamental que se apure as causas e que sejam garantidas medidas permanentes de prevenção. Desejo o restabelecimento completo das atividades o mais breve possível”, disse o mandatário mauaense.
“Minha casa balançou toda”, diz morador
O incêndio ocorrido na manhã desta quinta-feira (22), no Polo Petroquímico, na divisa entre Santo André e Mauá, deixou moradores do entorno assustados por conta do barulho da explosão e do alto nível de fumaça produzido por ela. A ocorrência aconteceu em um dos tanques do local, que estava desativado e em manutenção, por volta das 9h.
Pasqualina Nonato, 78 anos, mora no Jardim Sônia Maria, ao lado da parte mauaense do polo, há 52 anos, e conta nunca ter presenciado algo do tipo. No momento da explosão, ela disse que tomava café, quando ouviu um barulho e uma leve movimentação na porta de sua casa que estava aberta. “Escutei um barulho bem grande. Fui abrir a janela do meu quarto e vi uma fumaça preta tão alta que na hora já pensei que havia acontecido alguma coisa ali, mas não se via nenhum fogo”, diz Pasqualina.
Já Edcarlos Martins, 54, que também mora nas imediações, afirma que sentiu um forte tremor na residência. “Era por volta das 9h, minha casa balançou toda com aquele vácuo. Saí e estava todo mundo assustado na rua. Para as pessoas que moram ao redor não houve pedido de evacuação”, diz o morador. No Polo Petroquímico, a reportagem do Diário ouviu boatos que o estrondo havia quebrado vidros de residências próximas, A equipe, porém, não localizou nenhuma casa que tenha sofrido este tipo de dano.
O assunto também gerou preocupação nas redes sociais do Diário e empatia após o óbito.
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