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Sucesso não depende de mudar uma pessoa, mas sim de mudar muitas atitudes
Por Rodermil Pizzo
29/05/2023 | 18:03
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Nos primórdios do turismo, tínhamos as empresas com gestão caseira e independente. As viagens, as hospedarias, as cias. de ônibus e até as cias. aéreas eram individualizadas, com gestão própria, de um dono ou uma família, e estas definiam suas características, seus modus operandi e até seus valores com os clientes.

Quem pertence ao turismo tem como referência o sucesso clássico da gestão individualizada, centralizada e organizada da Pousada do Rio Quente. Uma operação enxuta, com princípios imutáveis e únicos, com produto exclusivista e que realizava, sem interferências externas, suas hospedagens e eventos, conduzindo com uma supremacia tal gestão, que lograva praticamente uma ocupação acima de 80% de seus leitos o ano todo.

Outros exemplos clássicos, a CVC Turismo, com uma gestão quase “ditadora” de seu master gestor, Guilherme Paulus, e seu fiel escudeiro Valter Patriani, ou ainda, Comandante Rolim e o megassucesso da TAM Linhas Aéreas e o seu “red carpet”.

Parece que a máxima ‘o olho do dono engorda o gado’ é a mais pura verdade quando se trata de turismo.

Deixo registrado, documentado e avalizado que não estou falando de saudosismo, romantismo ou sendo retrógrado, até porque tenho total convicção de que a evolução, o crescimento e a concorrência exigem mudanças, novas atitudes e reformulações para viver ou sobreviver.

O problema é quando adentram às empresas os famosos líderes, gestores ou CEOs, com seus currículos de oito páginas, e neles são depositadas total liberdade para mudanças. Em desdém e desconhecimento da história destas empresas, estes super-executivos necessitam exercer o poder a qualquer custo. É o princípio do fim.

Como profissional do turismo que fui, acompanhei dois casos muitos importantes de insucesso, e que custaram anos de trabalho benfeito pelas equipes e que foram jogados no lixo por tais executivos. Sem contar o prejuízo moral, temos o prejuízo financeiro que estes causaram pelos seus gordos salários, ou seja, levaram muito e não deixaram nada.

Curiosamente, os dois grandes executivos eram importados. Ambos apresentados como modelos de megassucesso, prometiam reformular tudo. O interessante é mudar o que? Se tudo estava caminhando muito bem e em ordem.

Mudar é preciso sim. Entendo que devemos aceitar e acatar, porém, devemos focar no que está errado e não no que está certo.

Voltando aos executivos, um deles com aparência de Leôncio, o personagem do desenho animado Pica-Pau, fez uma sequência interminável de mudanças e chocou a tudo e a todos, angariou milhões em salário e menos de um ano depois, deixou a empresa pior do que estava.

No outro caso, recordo-me claramente do executivo estilo hippie, meio anos 60 e aparência andrógena. Naquele dia me perguntei: uma empresa tão ortodoxa em seus conceitos, que está de vento em popa, ótimos resultados, contrata alguém com uma característica tão destoante?

Como era de se esperar, o resultado também foi desastroso. Um ano depois, os números eram péssimos, a empresa estava pior que os sapatos sem meias que o tal usava no dia a dia.

Sassá Mutema só acontece em folhetim global. Na prática, não existe uma jugular para resolução de problemas. Uma empresa não pode acreditar que a mudança de uma pessoa gerará mudanças no conjunto da obra. Ou melhor, até poderá mudar, porém, para pior.

(Esta coluna eu dedico aos meus amigos e executivos: Xyco com Y E Ed Furman).

Rodermil Pizzo é doutorando em Comunicação, mestre em Hospitalidade e colunista do Diário, da BandFMBrasil e do Diário Mineiro.




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