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A vez da 123

Que semanas turbulentas para o mercado de turismo!

Por Rodermil Pizzo
16/05/2023 | 16:26
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Após anúncio do caos na Hurb – Hotéis Urbano, o setor começa a ouvir e se deparar com situações similares na empresa de plataforma de vendas on-line 123Milhas.

A 123Milhas, que se apresentava em seus anúncios com o slogan “uma empresa que nasceu por ato de empatia”, cuja intenção era transparecer que o seu bussiness era somente aproximar clientes que possuíam milhas, e queriam se desfazer das mesmas, com turistas interessados em adquirir passagens utilizando estas milhas alheias.

De certa forma, um esquema de “troca amistosa”, entre quem precisa e quem tem sobrando. Nada errado, desde que não surgissem os contratempos.

Os preços praticados pelo mercado comum das passagens aéreas são tão maiores que os praticados pela 123Milhas que praticamente ninguém mais conseguia vender ou concorrer com eles. Em poucos anos de atividades, já estavam se tornando líderes no segmento.

E como funciona este esquema? Por que a 123Milhas consegue tais condições? Na verdade, funciona somente durante um período, já que depende de regras mercadológicas de outras empresas, que podem ser alteradas.

Pegar de um para repassar a outro e, posteriormente, pegar de outro para cobrir o anterior, e assim suscetivamente, de uma forma bem popular, é denominado “pedalada”.

O termo “pedalada” foi amplamente esmiuçado pela mídia, quando praticado no cenário político, para explicar que se pega o dinheiro de um lado para cobrir outro lado e, assim, se forma um esquema de cascata.

Todavia, em algum momento, esta conta pode não fechar, pois entra menos dinheiro para cobrir o que está saindo. Sem contar, ainda, que a crise de dois anos não estava prevista e praticamente estagnou o setor. O colapso era inevitável.

O comércio de milhagem no Brasil é uma incógnita, aliás como tudo no turismo, de modo geral, o é. Pois segundo as regras das cias. aéreas, o repasse de milhagem para terceiros é irregular e, mesmo assim, uma empresa se funda e anuncia o esquema publicamente e nada é feito. Significa que existe conivência de tudo e todos.

No caso da 123Milhas, o cliente também tem responsabilidade ou irresponsabilidade, como queiram, uma vez que está se fazendo beneficiar de algo arriscado. Aqui se aplica a lei de Gérson. A vantagem acima de tudo.

Conhecem o ditado do cobertor curto? Se a parte de cima do corpo estiver aquecida, os pés estarão descobertos ou vice-versa. No caso dos consumidores da 123Milhas, isso era conhecido, porém, como bons brasileiros que somos, sempre apostamos que ficaremos na parte coberta.

Assistam na Netflix a O Poço. O filme reflete exatamente como os brasileiros se comportam quando o assunto é “vantagem”, mesmo que em demérito do próximo, e ainda mostra que a conta chegará um dia. E quando a conta chega, todos correm chorosos para os braços do Russomanno.

Rodermil Pizzo é doutorando em Comunicação, mestre em Hospitalidade e colunista do Diário, da BandFMBrasil e do Diário Mineiro.




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