Assembleia Suspensão de contratos terá duração entre dois e três meses e os afastados vão receber 100% do salário líquido
Kelly Fersan/Divulgação

Os trabalhadores na Mercedes-Benz, em São Bernardo, aprovaram a proposta de layoff (suspensão temporária do contrato de trabalho) para cerca de 1.200 trabalhadores pelo período de dois a três meses, a partir de maio. Neste período a fábrica de caminhões e ônibus irá reduzir a produção, com atividades em apenas um turno. Isso gera excedente de funcionários.
A suspensão já estava negociada entre o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e a montadora e prevista no acordo coletivo de trabalho da fábrica.
A Mercedes confirmou o layoff e afirmou que durante a suspensão dos contratos os trabalhadores receberão salário líquido integral e passarão por curso de capacitação profissional.
O coordenador da representação do Sindicato na Mercedes, Sandro Vitoriano, explicou que os funcionários têm seus empregos garantidos. “É importante ressaltar que todos esses trabalhadores têm garantia de retorno para a fábrica. E, para dar mais tranquilidade para as pessoas, em caso da necessidade de um novo layoff, dependendo de como o mercado de caminhões e ônibus se comportará, quem entrar agora não estará em um eventual próximo layoff”, detalhou o sindicalista.
O diretor executivo do sindicato e presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC, Aroaldo Oliveira da Silva, ressaltou que os juros altos praticados pelo Banco Central dificultam o acesso ao crédito. “O maior vilão é a taxa de juros abusiva, que deixa o financiamento mais caro, as pessoas não compram e há a queda na produção. A maioria das pessoas não compra ônibus nem caminhões à vista”, afirmou.
A montadora já havia anunciado aos metalúrgicos férias coletivas para 300 trabalhadores por um mês no início de abril, semanas curtas de trabalho e o fechamento do segundo turno a partir de maio também por três meses.
Na semana passada, quando A companhia anunciou a suspensão do segundo turno, citou a redução nas vendas, causada pela alta nos juros e a dificuldade de obtenção de crédito, como o principal motivo para a adoção das medidas.
“No começo de 2023, a Mercedes-Benz do Brasil já previa uma queda do mercado interno de veículos comerciais em função da mudança de legislação ambiental – Proconve P8 (Euro 6). Porém, no decorrer do primeiro trimestre, em razão de juros elevados e de dificuldades na concessão de financiamentos, observou-se uma demanda ainda menor do que a esperada para este ano”, declarou a empresa por nota.
A fábrica de São Bernardo conta com cerca de 8.000 trabalhadores, sendo 6.000 na produção.
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