Setecidades Titulo Combate ao etarismo

Número de estudantes acima dos 40 anos aumenta 854,4% na UFABC

Enquanto em 2013 eram 169 alunos nesta faixa etária, agora são 1.613 discentes; especialista fala sobre o combate ao preconceito de idade

Beatriz Mirelle
19/03/2023 | 09:55
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Viviane faz planos para continuar estudos sobre maternidade e sexualidade em doutorado (Foto: Claudinei Plaza/DGABC)
Viviane faz planos para continuar estudos sobre maternidade e sexualidade em doutorado (Foto: Claudinei Plaza/DGABC)  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O número de alunos da UFABC (Universidade Federal do ABC) com mais de 40 anos de idade foi de 169 em 2013 para 1.613 neste ano na graduação e pós. A alta corresponde a 854,4%. De acordo com informações cedidas a pedido do Diário, na graduação da faculdade são 431 estudantes nesta faixa etária. Na pós-graduação, 1.182 pessoas possuem mais de 40 anos, sendo 603 estudantes das especializações e 579 do mestrado e doutorado. Os dados são expressivos, mas uma especialista no assunto explica que o combate ao etarismo (discriminação pela idade) pode influenciar para que mais pessoas ingressem no ambiente universitário.

“Existe preconceito tanto aos mais jovens quanto aos mais velhos. O primeiro grupo tem que provar o tempo todo sua credibilidade e comprometimento. No segundo caso, a sociedade costuma pensar que são teimosos, acomodados, que não se atualizam. Há também a intersecção. Se for uma pessoa negra, LGBTQIAP+ e/ou uma mulher, o cenário é pior. Geralmente, o preconceito de idade vem acompanhado de outras discriminações”, analisa a consultora e palestrante Fran Winandy, autora do livro Etarismo - Um novo nome para um velho preconceito.

O tema ganhou repercussão após três estudantes gravarem um vídeo debochando de Patricia Linares, 44, caloura em biomedicina em uma universidade particular de Bauru, Interior de São Paulo. No áudio, frases como “ela tem 40 anos já. Era para estar aposentada” são ditas sobre a mulher.

PERFIL
A UFABC possui 16.905 estudantes de todas as idades. Desta proporção, 9,54% possuem mais de 40 anos. O processo seletivo para entrar na faculdade via Sisu ainda está aberto, mas até o momento, dos 431 da graduação, 14 são calouros.

A psicóloga Viviane Santos, 42, mestranda da UFABC e moradora do centro de Diadema, declara que sempre se sentiu acolhida na universidade apesar de alguns receios próprios. “Ficava pensando que poderia ter feito antes. É um ambiente inclusivo. Ainda quero fazer doutorado. Às vezes, por conta da minha idade, penso se vou conseguir encarar. Depois dos 40, percebemos mais que o tempo não para.”

Estudante desde 2019, a data para a defesa do projeto dela já está marcada para junho. “Vejo que muitos amigos com mais de 50 anos têm dificuldade para ingressar por conta de filhos, por conciliar as aulas com demandas da casa e do trabalho. Uma eventual discriminação desencoraja mesmo.”

Viviane não se recorda de ter sofrido etarismo, mas afirma que tabus pessoais, consequência de paradigmas da sociedade, podem atrapalhar. Segundo Fran, eles são chamados de autoetariamo. “O conceito de achar que está muito velho para algo é muito forte. Durante a pandemia, muitas pessoas com mais de 40 anos se despertaram para os estudos. É necessário incentivá-los a isso. A expectativa de vida aumentou e as universidades precisavam se movimentar para atrair esses alunos.”

OUTRAS INSTITUIÇÕES
A Centro Universitário Fundação Santo André possui 3.200 alunos ao todo, sendo 222 com mais de 40 anos (6,93%). A maioria cursa psicologia ou direito. Na USCS (Universidade Municipal de São Caetano), dos 8.851 estudantes, 465 englobam essa faixa etária (5,25%).

Já no Instituto Mauá de Tecnologia, também em São Caetano, o número surpreende. Dos 2.586 alunos, apenas sete têm mais de 40 anos (0,27%) e apenas um deles é calouro.

DGABC



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