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Federal do Rio desenvolve PCR para identificar novo vírus letal

Surto de vírus de Marburg foi confirmado pela OMS na Guiné Equatorial

João Tuasco
da Conexão UFRJ
26/02/2023 | 10:12
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Laboratório desenvolve teste RT-PCR (Foto: Artur Moês/SGCOM/UFRJ)
Laboratório desenvolve teste RT-PCR (Foto: Artur Moês/SGCOM/UFRJ)  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O Laboratório de Virologia Molecular do Instituto de Biologia da UFRJ está desenvolvendo testes PCR para diagnóstico do vírus de Marburg, um dos mais letais do mundo, com mortalidade em 88%. Um surto na Guiné Equatorial foi confirmado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) no último dia 13, com nove mortes. No país vizinho, Camarões, duas crianças estão com suspeita da doença.

O vírus foi identificado em 1967 na cidade de Marburg, que dá nome à enfermidade, e é da família do ebola, que teve sua epidemia mais recente em 2016 na África. À época, a taxa de mortalidade do ebola foi de 90% e 11 mil pessoas morreram. Em 2004, o Marburg matou 90% das 252 pessoas infectadas em Angola. O avanço do vírus é mais lento que o do ebola pela menor adaptação aos centros urbanos. A transmissão ocorre, principalmente, em áreas rurais ou de floresta, por meio do contato com as secreções de morcegos frutíferos e de humanos para humanos depois de contaminados.

Segundo a OMS, o período de incubação do vírus é de dois a 21 dias e, por isso, é possível que ele se espalhe. Apesar disso, os sintomas sempre aparecem, o que facilita a identificação e o controle da doença. A infecção por Marburg pode causar febre, dor de cabeça, dores musculares, vômito com sangue e diarreia. Os sintomas são muito parecidos com os de doenças hemorrágicas como dengue e zika, o que dificulta o seu diagnóstico.

Nesse contexto, Rodrigo Brindeiro, pesquisador do Laboratório de Virologia Molecular, afirma que será possível identificar possíveis casos de Marburg no Brasil: “Nós estamos produzindo os primers (responsáveis por criar uma cópia do material genético do vírus) para fazer o teste PCR em tempo real, como o que a gente fez para a covid-19. Com isso, conseguiremos ter, em tempo recorde, o diagnóstico de qualquer caso de Marburg ou ebola que a gente receba no Brasil.” Brindeiro defende que é preciso monitorar quem chega ao Brasil de países da região epidêmica, orientá-las a fazer quarentena e testá-las para evitar que a população brasileira seja contaminada. “É muito difícil distinguir um vírus do outro num país que já tem epidemias eventuais de doenças hemorrágicas”. Para a doença de Marburg não há vacina, mas é possível tratar sintomas.
 

DGABC



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