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Alimentos entre o bem, o mal e os panfletos!
Por Antonio Carlos do Nascimento
13/02/2023 | 10:41
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São muitos os estudos desenvolvidos para investigar benefícios e desvantagens do consumo deste ou aquele alimento e a divulgação dos resultados destas análises costumam causar impacto em todas as mídias. Mas, algumas destas pesquisas têm falhado em seu objetivo de esclarecer as reais propriedades do comestível em questão, em suas virtudes e defeitos para o corpo humano.

O consumo rotineiro de carne vermelha é demonizado pela maioria das investigações científicas que avaliam hábitos dietéticos e suas resultantes, porém, de outro lado, existem criteriosas pesquisas apontando ganhos orgânicos fabulosos com o consumo diário de carne bovina não processada de animais criados em pastos.

Na década de 1990, os níveis aceitáveis de colesterol sanguíneo eram bem mais altos que aqueles definidos atualmente. Curiosamente, naqueles tempos, o terror era imposto por cardiologistas, que panfletavam folhas com fotos ou desenhos de alimentos, cada qual sobreposto por enorme X em vermelho, ação que pretendia alertar sobre produtos que aumentavam as gorduras sanguíneas.

Os itens mais comuns destes impressos incluíam cortes de carne com faixas de gordura, bacon, crustáceos, queijos amarelos e ovos. Muito embora a maior parte destes desejados artigos continue malvista aos olhos dos bons costumes, o ovo parece ter sido compreendido como vítima de julgamento científico equivocado. E não por menos, bastou a gripe aviária baixar seus estoques nas prateleiras de supermercados americanos e uma avalanche de matérias jornalísticas vem destacando predicados positivos dos ovos e relembrando volumoso número de pesquisas que o atestam como essencial na composição de dieta naqueles que não apresentem restrições ao seu consumo.

Entre as publicações mais lembradas estão as que demonstraram não haver relação entre seu consumo regular e o aumento da incidência de doenças cardiovasculares, tais como infarto e derrame cerebral, assim como, aquelas que destacam as substâncias contidas em suas gemas e claras, especialmente o conteúdo proteico. A limitação da absorção intestinal do colesterol do ovo é decorrente da ação de uma substância presente na gema e tomada como justificativa por alguns pesquisadores para explicar não haver elevação da concentração sanguínea desta gordura, contudo, falta pouco para afirmarmos que o colesterol circulante pouco se relaciona com sua ingesta, mas sim com a produção hepática.

Nutritivo e relativamente barato, o ovo é sem dúvida opção a ser considerada todos os dias em nossas refeições e enquanto a carne vermelha e seus gordurosos parceiros de panfletos do século passado não são inocentados, é bem prudente adicionarmos carne de aves e peixes como alternativa de fonte proteica.

Antonio Carlos do Nascimento é doutor em endocrinologia pela Faculdade de Medicina da USP e membro da Sociedade de Endocrinologia e Metabologia.




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