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O envelhecimento e seus modos
Por Antonio Carlos do Nascimento
30/01/2023 | 15:32
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Estima-se que o planeta possua 72 milhões de pessoas com mais de 80 anos, algo em torno de 1% da população global, enquanto no Brasil este percentual é mais generoso: 2% da população nesta faixa etária, já somos mais de 4 milhões de octogenários.

Tais números eram inimagináveis há 4 ou 5 décadas, tempos em que fazer o sexagésimo aniversário era privilégio de poucos, contudo, o aumento da vida média dos seres humanos vem expondo problemas que não reconhecíamos em suas plenitudes. Alimentação saudável, exercícios físicos, bom sono e não consumir substâncias danosas ao organismo, contemplam o grupo básico de condutas para viver bem, mas não são incontestes como receita para viver muito. Sem dúvida, em muito do que evoluímos fizemos consertando danos sem tocar nas causas e precisamos de muito tempo para nos assegurarmos que apenas as boas práticas supracitadas sejam infalíveis quando o objetivo for viver mais.

Por outro lado, se a ideia for envelhecer bem, então a fórmula parece ser bem mais complexa, pois, estamos ainda debutando nesta aprendizagem e bastante propensos aos erros de principiantes. Faz pouco que a ciência descobriu a importância da massa e força muscular como condição indispensável para o bom envelhecimento e provável chave para a longevidade.

O decréscimo da massa muscular é fisiológico, começando aos 40 anos e assumindo proporções importantes a partir dos 50, quando as células musculares passam a responder menos às ações hormonais e recepção de nutrientes, proporcionando ambiente propício para atrofia muscular difusa, processo conhecido como sarcopenia. A boa notícia é que esse enfraquecimento difuso da musculatura pode ser impedido com a prática frequente de exercícios para o fortalecimento muscular, o que faz da sarcopenia fisiológica, algo modificável pela determinação pessoal.

Vários estudos científicos demonstram que a execução de exercícios de musculação possua impacto positivo semelhante a prática de exercícios aeróbicos na qualidade de vida de indivíduos com mais de 65 anos, especialmente no que tange a autonomia da locomoção, permitindo a permanência do individuo em seus convívios habituais. Faz pensar que a longevidade é uma resultante técnica, bastando check-ups, bons médicos e medicamentos, enquanto envelhecer bem é escolha pessoal.

Antonio Carlos do Nascimento é doutor em endocrinologia pela Faculdade de Medicina da USP e membro da Sociedade de Endocrinologia e Metabologia.




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