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Camboriú está doente! Diagnóstico? Síndrome de Dubai – Parte 2
Por Rodermil Pizzo
17/01/2023 | 16:08
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As estradas que levam os clientes a Santa Catarina eram denominadas de “rodovias da morte”, nada agradável para alguém que iria embarcar em um ônibus repleto de passageiros e percorrer 12 horas pela noite adentro, entre caminhões, carros e pistas de mão dupla. O perigo era iminente.

As famosas BR-116 e BR-101, sempre noticiadas pelos graves acidentes, causavam preocupação a todos. Como testemunha, permaneci com grupos de excursionistas embarcados em ônibus por mais de 12 horas sem sairmos do lugar.

Conseguem imaginar o drama? Sem internet, sem WhatsApp, sem amigos e parentes com informações do que havia ocorrido?

Mesmo com estes percalços, o destino seguia firme e forte entre os preferidos pelos viajantes, principalmente no verão.

Camboriú apresentava no período de alta estação problemas de falta de infraestrutura geral. Faltas de água e de energia e ruas sempre congestionadas eram rotina.

Graciosamente, para alegria de todos, uma nova etapa surge triunfante. As companhias aéreas passam a operar com maior número de voos diários para a cidade de Navegantes, os valores das passagens reduzem pela concorrência e isso motiva ainda mais o turismo para a região.

A distância de 12 horas em média se reduz a uma hora, e com extrema segurança.

Simultaneamente, as duplicações de vários trechos das rodovias tornam-nas mais seguras. Chegar a Camboriú agora não é nem será o problema para turistas.

Deslocamento resolvido, o balneário passa a investir em atrativos turísticos, o Parque do Beto Carreiro se amplia, se estrutura e ganha status de parque temático, sem que o mentor veja isso acontecer.

Os turistas argentinos e uruguaios já não são tão massivos. O foco agora é o turista brasileiro, oriundo na sua maioria do Sudeste e Sul do Brasil.

Enquanto tudo isso ocorre, as construções e arranha-céus seguem a todo vapor, sem nenhum raciocínio lógico ou preocupação ambiental. Camboriú escurece ainda mais a sua pequena faixa de areia, tornando a praia central praticamente infrequentável.

Curioso, um destino turístico de praia não ter atenção ao seu principal atrativo, a praia. A especulação imobiliária venceu a natureza.

Os anos passam e Camboriú, por algum motivo desconhecido, entra na guerra urbana para possuir os maiores e mais altos edifícios. Se seguirmos assim, algum dia, os topos dos edifícios serão para contemplar estrelas e não paisagens terrenas.

Investidores, celebridades e artistas focam na região e promovem ainda mais o destino. Carrinhos de milho, pipoca e algodão doce são substituídos por Ferraris e Lamborguinis.

Fim do ciclo de diversão e alegria. Inicia-se o ciclo de ostentação e alto custo. Curiosamente, Campos do Jordão já trilhou este caminho no passado, e hoje paga caro com falta de visitantes para hospedagens longas, e vive economicamente dos turistas que visitam a cidade apenas por um dia.

(Continua...)

Rodermil Pizzo é doutorando em Comunicação, mestre em Hospitalidade e colunista do Diário, da BandFMBrasil e do Diário Mineiro.




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