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Especialistas falam sobre desejos e perspectivas para o Grande ABC em 2023

Áreas como saúde, economia, meio ambiente, social, segurança e educação estiveram em pauta durante 2022 com avanços, mas também desafios

01/01/2023 | 09:58
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Especialistas revelam seus principais desejos para o ano que se inicia hoje (31) (Foto: Celso Luiz/DGABC)
Especialistas revelam seus principais desejos para o ano que se inicia hoje (31) (Foto: Celso Luiz/DGABC) Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Avanço da vacinação contra Covid-19, inaugurações de equipamentos públicos; chegada do 5G à região; demissão em massa e saída de grandes indústria; volta às aulas presenciais após quase dois anos de ensino remoto; crescimento de famílias vivendo em situação de extrema pobreza; aumento da sensação de insegurança provocada pela alta dos indicadores criminais; ocorrências por conta das fortes chuvas e deputados regionais eleitos. Esses foram alguns dos acontecimentos que marcaram o ano de 2022 nos sete municípios do Grande ABC.

Em entrevista ao Diário, especialistas de diversas áreas, como saúde, educação e economia, revelam as perspectivas para região neste novo ano que se inicia hoje. Mudanças nos governos federal e estadual devem trazer impactos significativos para diferentes setores da região, assim como já ocorreu durante gestões passadas. Maiores investimentos em programas sociais e de educação são algumas das expectativas. A expansão do 5G aos municípios pode acelerar o processo de modernização industrial, assim como aumentar a inclusão e conectividade entre as pessoas. Preservação e recuperação das áreas de mananciais devem ser ações prioritárias em 2023. O Grande ABC garante água para mais de 10 milhões de pessoas no Estado, por meio dos reservatórios localizados na região e, por isso, precisa investir em fiscalização e efetivação das leis ambientais. Na área da saúde, os casos e os óbitos de Covid devem continuar desacelerando, porém, para manter a diminuição será preciso continuar investindo na compra e na produção de vacinas contra a doença. Para combater a circulação do vírus a imunização deverá ser regular.

Leia abaixo os desejos de especialistas para o Grande ABC em 2023.

Saúde
“A saúde no Grande ABC está bem posicionada. Nós temos uma estrutura muito bem desenvolvida e temos competência na atenção primária, secundária e na alta complexidade. Porém, acredito que para 2023 seria necessário uma regulação própria através do sistema Cross (Central de Regulação de Ofertas e Serviços de Saúde), semelhante ao que ocorre na Baixada Santista. Entendo que o Cross deveria ter uma ‘filial’ que atendesse unicamente o Grande ABC, porque as experiências, necessidades e perspectivas por aqui são diferentes. Outro desejo que tenho é trazer para região um centro de transplante de órgãos. Nós já começamos isso via Centro Universitário, e já temos parceiros no Hospital das Clínicas da USP (Universidade de São Paulo). A ideia é começar com transplante de fígado, e depois fazer transplantes de rins, coração e pulmão. Há mérito, competência e necessidade para isso. Em relação à Covid-19, vamos continuar a lidar com o vírus e necessitaremos de vacinas regulares.”

David Uip, médico infectologista, reitor licenciado do Centro Unviersitário FMABC e ex-secretário de Ciência, Pesquisa e Desenvolvimento em Saúde do Estado

Economia
“Continuo sendo bastante otimista em relação ao Grande ABC. Acredito que falta só aquela fagulha para que realmente possamos voltar a ser uma referência econômica para o País. Nós temos bons hospitais, ótimas universidades, grandes empresas e construtoras, e para região voltar a ser próspera é preciso ter e consolidar uma unidade regional, ou seja, pensar a regionalidade e não apenas iniciativas municipais. Que neste ano possamos atrair novas indústrias e não perder as que já estão aqui. Espero que consigamos desenvolver um setor de serviços de alta tecnologia, principalmente agora com a chegada do 5G aos municípios, que deve modernizar os processos industriais e aumentar a inclusão e conectividade entre as pessoas. Do ponto de vista do novo governo estadual, minha expectativa é que tenha um avanço e aceleração das obras do BRT devido ao perfil mais técnico e voltado ao setor de infraestrutura do novo governador eleito, Tarcísio de Freitas (Republicanos).”

DGABC

Ricardo Balistiero, doutor e professor de economia do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia

Meio Ambiente
“Nossa região é extremamente importante para distribuição de água, praticamente 60% é composta por área de manancial, ou seja, é uma região produtora de água. Então, minha perspectiva é que as leis ambientais sejam cumpridas, e que tanto o poder público quanto a sociedade civil entendam a importância desses locais. O Grande ABC garante água para mais de 10 milhões de pessoas no Estado. Meu desejo para 2023 é que os empreendimentos que se propõem a desmatar, canalizar rios, fazer grandes movimentações de terra e que não respeitam as leis, sejam impedidos de acontecer. Que as nossas lutas , dos ambientalistas, sejam vistas e entendidas como uma defesa da nossa vida, da garantia de água para nós e para as futuras gerações. Que nossa região seja um exemplo da aplicação dos ODS (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável). Que possamos efetivar projetos baseados na natureza, tanto para drenagem urbana como para tratamento de esgoto, abastecimento de água e resíduos sólidos.”

Marta Marcondesbióloga, professora da USCS e coordenadora do IPH (Índice de Poluentes Hídricos)

Social
“Precisamos que o Consórcio Intermunicipal do Grande ABC volte a ter protagonismo nas áreas de assistência social e de direitos da criança e do adolescente, debatendo os principais temas e problemas regionais. Na área da população em situação de rua adulta, o trabalho de abordagem e inclusão social precisa ser integrado entre os municípios. As pessoas se locomovem. A retomada de políticas integradas regionalmente, com integração e interlocução com os governos estadual e federal, deve ser urgente e fundamental em 2023. E é importante que o Consórcio aproveite este momento de início das gestões para levar as prioridades da região. O Grande ABC precisa voltar a ser um celeiro econômico e de políticas públicas sociais integradas regionalmente, que no passado foram referências nacionais, como as experiências de orçamento participativo, de implementação do Sistema Único de Assistência Social, no enfrentamento à violência contra as mulheres, do movimento criança prioridade, entre outras.”

Ariel de Castro Alvesadvogado, especialista em direitos humanos e presidente do Grupo Tortura Nunca Mais

Segurança
“Tenho perspectivas positivas no sentido de continuar os trabalhos que já estão sendo desenvolvidos de forma integrada com os órgãos de segurança da região, Polícia Civil, GCM (Guarda Civil Municipal), com apoio das Prefeituras e demais poderes públicos constituídos, tudo com a participação da sociedade civil organizada, já que a segurança pública é dever do Estado, contudo, é responsabilidade de todos, de acordo a Constituição Federal. A PM (Polícia Militar) busca incessantemente a redução dos indicadores criminais, especialmente os que envolvem ações violentas contra a pessoa e contra o patrimônio. Com base nas ferramentas de inteligência verificamos a incidência por tipo de crime e região com intuito de coibi-los. Em 2023 iremos continuar a missão institucional da PM que é proteger as pessoas, zelando pelo cumprimento das leis e combatendo o crime, preservar a ordem pública e dar continuidade aos trabalhos desenvolvidos no ano passado.”

Marcelo Gaspar, comandante do CPA/M-6 (Comando de Policiamento de Área Metropolitana Seis), responsável pelo policiamento na região

Educação
“Nos últimos dois anos (2021 e 2022) a área educacional passou por muitos desafios devido à pandemia da Covid-19, tanto do ponto de vista da aprendizagem, quanto em relação aos direitos fundamentais das crianças. Nas sete cidades temos incontáveis histórias de violações que os estudantes, principalmente do Ensino Fundamental, que é a base do atendimento das prefeituras, sofreram ao longo deste período. A perspectiva para este ano é assegurar a vivência escolar e os direitos básicos das crianças, direito à educação, à alimentação e à convivência social, por exemplo. Espero que 2023 seja um ano de mais tranquilidade e serenidade para educação. Estamos muito esperançosos para o retorno de investimentos e programas educacionais por parte do governo federal. Uma das expectativas é a volta do Proinfância, programa que disponibilizava financiamentos aos municípios para construção de creches e escolas. Em Santo André, por exemplo, foram construídas 10 unidades com recursos deste programa.”

Ana Lúcia Sanches, secretária de educação de Diadema e coordenadora do GT educação do Consórcio Intermunicipal Grande ABC




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