Vencedora Moradora de Santo André, ela é a primeira pessoa do movimento paralímpico a ser chamada para o cargo
Ale Cabral/Reprodução Instagram

Na última segunda-feira (14), o vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB) anunciou os nomes que vão integrar o grupo de trabalho do esporte na equipe de transição de governo. Dentre os nomes anunciados, está o de Verônica Hipólito, 26 anos, três vezes campeã do Parapan e detentora de duas medalhas Paralímpicas, conquistadas no Rio em 2016. Nascida em São Bernardo e moradora de Santo André, ela se diz orgulhosa de fazer parte do grupo.
"É algo gigante, a ficha ainda não caiu direito. Eu sou a mais nova a estar nesse grupo e é a primeira vez que alguém do movimento paralímpico é chamado. Para mim isso é gigante, estou estudando e conversando com várias pessoas. Eu quero realmente fazer o meu melhor para que as coisas aconteçam", disse.
Na equipe de transição, Verônica não esquecerá do Grande ABC. Ela defende, por exemplo, construção de uma pista de atletismo no estádio Bruno José Daniel. "O Grande ABC tem uma potência enorme na saúde, na educação e no esporte. Estamos revendo a questão de fazer uma pista de atletismo no Estádio Bruno José Daniel, que existia, mas foi concretada. E agora é a hora de fazer outra, mas não somente pelo atletismo, mas para estimular a inclusão entre os cidadãos", disse. Verônica tem uma história de superação, que a acompanha desde a adolescência.
"Eu sempre estive no esporte, nunca por conta de medalhas ou títulos, mas sim porque meus pais sempre acreditaram em mim. Toda minha família acredita que o esporte é um pilar precioso para vários outros. O esporte conversa com a educação, cidadania, diversão, inspiração. Eu me encontrei no judô, mas quando eu ia disputar o Campeonato Estadual do Interior, com 13 anos, eu descobri que estava com um tumor na cabeça, e com isso eu tive que fazer uma cirurgia e consequentemente tive que largar o esporte. Por conta do impacto, mas sou apaixonada até hoje e sou grata por tudo que aprendi", disse.
"Logo após, meu pai me viu triste e decidiu me inscrever no festival de atletismo, em que eu perdi, mas sai com o sentimento de querer ser a menina mais rápida de Santo André. Com 14 anos eu sofri um AVC isquêmico, paralisando todo o lado direito do meu corpo e minha fala. Nesse momento eu conheci a outra face do esporte, como reabilitação. Enquanto quase todo mundo achava que eu não iria voltar a falar e a andar, meus pais achavam que eu voltaria e faria o que quisesse da minha vida. E eu fui voltando, primeiro andando, depois trotando, até começar a correr e não parar mais", disse. A paratleta conquistou ao todo sete medalhas do Parapan (três ouro e quatro prata), dois Campeonatos Mundiais e duas medalhas Paralímpicas no Rio 2016 (uma prata e uma bronze).
A paratleta diz que "a palavra superação é linda, mas resiliência eu acho mais forte, pois eu acho que quando a vida bate em você, você continua porque seu lugar não é no chão, é lutando e acreditando em si. Meu lugar é lutando pelo esporte e pela saúde".
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