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Um País com fome, também de bom senso

Antonio Carlos do Nascimento
15/08/2022 | 10:33
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 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O crescimento populacional e a sobrevivência da humanidade estarão sempre limitados na proporção direta da capacidade de produzir alimentos, o que justifica, embora não inocente, a maior parte das guerras ocorridas até a metade do século passado, motivados pela fome, ou condições que a prenunciem para algum dos lados.

Em nosso País, ano após ano, sustentamos nossa balança comercial com agronegócio, ocorrência que não escapa das observações críticas que pousam nosso status no subdesenvolvimento, mas sob o olhar da matemática, afora necessária revisão estratégica para o trigo, vê-se que produzimos com sobras os elementos básicos para a sobrevivência.

Nos últimos três anos, São Paulo, a vigésima primeira economia do mundo e Estado mais industrializado da União, teve na agropecuária seu maior ativo para obter crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) ­ em percentual ­ 5 vezes maior que que aquele alcançado pelo País no mesmo período.

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E muito embora importemos mais de dois terços dos fertilizantes que utilizamos, crescemos vertiginosamente a produção nacional deste setor para níveis jamais observados em passado remoto ou recente e com políticas que resultem em autossuficiência de insumos, posicionaremos o País em patamar insuperável.

Mas, quando observamos os achados do 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia de Covid-19, lançado em 8 de junho deste ano, desconectamo-nos de todas as lógicas imagináveis. O País possui 33,1 milhões de pessoas sem ter o que comer, enquanto 58,7 % encontram-se em algum nível de insegurança alimentar.

Nenhuma ação social será convertida em solução eficaz sem alcançar a plenitude da segurança alimentar, não é possível estabelecer saúde na ausência de nutrição condizente, assim como é inimaginável o aprendizado em cérebros cronicamente desnutridos.

O maior desafio daqueles que pretendem conduzir o País a partir de 2023, será transformar a nação de maior vocação agropecuária do mundo, em uma pátria sem fome, no que seus candidatos já podem principiar saindo das trocas de farpas para o debate de ideias, trocando a discussão "clubística" pela democracia!




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