Manifestação Secretaria de Desenvolvimento Econômico participará das tratativas; trabalhadores voltaram ontem aos seus postos
Adonis Guerra/SMABC

A Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo aceitou integrar as discussões sobre o fechamento da Toyota em São Bernardo. A Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC, o Consórcio Intermunicipal e o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC formalizaram, em reunião realizada ontem, o pedido de participação da entidade estadual nas negociações. Após decisão judicial, os funcionários da montadora decidiram voltar aos postos de trabalho.
Em audiência de conciliação no TRT-2 (Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região), na sexta-feira, a Justiça do Trabalho determinou a criação de uma mesa de negociação para discutir a possibilidade de permanência da fábrica na cidade.
Por conta disso, um documento foi entregue à secretária em exercício Marina Bragante para solicitar que o governo do Estado compareça às reuniões. O pedido foi assinado pelo presidente do sindicato, Moisés Selerges, pelo secretário executivo do consórcio, Orlando Faria, e pelo presidente da Agência de Desenvolvimento, Aroaldo Oliveira. Nele, as instituições registraram que, em 2021, a Toyota reafirmou a viabilidade da planta de São Bernardo pelos próximos três anos.
Aroaldo Oliveira ressaltou que a participação da Secretaria como representante do governo estadual é fundamental por traçar a política industrial de São Paulo e ter ações de suporte às empresas. “ O Estado tem capacidade de atuar em todas as vertentes, como financiamento, mão de obra, suporte técnico e questão tributária. Relatamos o que aconteceu até esse momento e sobre todo o processo de conversa com a Toyota. A Secretaria concordou com a solicitação e colocou à disposição todos os programas que são feitos dentro da instituição.”
Segundo Oliveira, o encerramento das produções da Toyota em São Bernardo causará diversos danos ao Grande ABC. “Existem impactos tanto aos empregos diretos quanto aos indiretos, dos fornecedores que dependem da montadora. Existe uma cadeia produtiva muito grande quando se fala do setor automotivo. Prejudica a região como um todo. Desde o comércio até os prestadores de serviços. Por isso, há uma urgência em debater o tema”, comenta.
RETORNO
Os trabalhadores da Toyota retornaram ontem às atividades. Eles paralisaram a produção na última semana quando a empresa comunicou a transferência da operação industrial para as cidades de Sorocaba, Indaiatuba e Porto Feliz.
Para o presidente do sindicato, Moisés Selerges, a determinação judicial atendeu o pedido da entidade sindical e também assegurou que as manifestações dos dias 6, 7 e 8 de abril não sejam descontadas dos salários dos metalúrgicos. “Queremos agora que nesta mesa de negociação tenhamos, junto ao sindicato e a empresa, a participação do município, do Estado e o acompanhamento da Justiça do Trabalho. Queremos sentar, conversar e desenvolver alternativas”, destacou Selerges.
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