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Lideranças petistas na região defendem Alckmin como vice

Tom de vereadores e presidentes municipais da sigla no Grande ABC é sobre necessidade de garantir a Democracia; vereador Wagner Lima afirma ser favorável ao desenho político

Por Arthur Gandini
Do Diário do Grande ABC
01/01/2022 | 04:54
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 O ano de 2022 será marcado pelas eleições majoritárias nas quais o presidente Jair Bolsonaro (PL) tenta a reeleição e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) busca retornar ao Palácio do Planalto para afastar o bolsonarismo do poder. Passa por essa disputa a escolha de quem irá compor a chapa petista como candidato a vice-presidente. Uma das apostas da classe política é Geraldo Alckmin, ex-tucano e ex-adversário de Lula. Essa escolha pode ser uma das primeiras decisões de relevância no ano político que se inicia.  

Alckmin foi adversário histórico do PT e disputou o segundo turno das eleições presidenciais em 2016 com Lula. O confronto ocorreu em meio ao escândalo do Mensalão e foi marcada por ataques fortes do tucano com base no tema da corrupção. Alckmin concorreu à Presidência da República novamente em 2018 e amargou o quarto lugar, tendo obtido 4,7% dos votos. Perdeu espaço político no PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), o qual deixou em dezembro. Um dos seus destinos possíveis é o PSB (Partido Socialista Brasileiro), no campo da centro-esquerda e próximo ao PT.

A equipe do Diário conversou com lideranças petistas nas sete cidades do Grande ABC para ouvir a posição de cada um em relação à escolha de Alckmin. A grande maioria é a favor ou deixa a possibilidade em aberto. O discurso é de que a defesa da democracia está acima de diferenças políticas. 

Em São Caetano e Rio Grande da Serra, onde não há vereadores pela sigla, foram ouvidos os presidentes municipais do partido. Em Santo André, o vereador Wagner Lima afirma ser favorável ao desenho político. “O momento que enfrentamos com esse governo (federal), de retrocesso, é de priorizar a democracia. Acho que é válida a chapa”, defende.

O vereador petista Eduardo Leite, que pretende deixar o partido, afirma que não tem participado do debate interno da sigla. Um dos seus destinos possíveis é o PSB, no qual pode ter Alckmin como correligionário. Ele opina em favor da chapa. “Eu estou de saída do PT, mas se fosse consultado diria que a defesa do Estado Democrático de Direito está acima das diferenças”, opina.

Em Diadema, Josa Queiroz segue o mesmo tom. “Particularmente, defendo a ideia de que todo campo democrático deve se juntar em uma grande brigada”, opina o vereador e presidente da Câmara Municipal. “Tem muita discussão para acontecer ainda. Discussões que tem a ver com a escolha de qual partido que o Alckmin pode ir”, pondera.

Já Geovane Corrêa, vereador de Mauá, ressalta a importância do programa que será apresentado pelo partido nas eleições. “Dentro de um projeto onde as políticas sociais sejam preservadas, tem meu apoio”, defende.

Estratégia

São Caetano é a única cidade onde lideranças ouvidas se posicionaram contra a aliança. João Moraes, integrante da executiva da sigla no município e candidato a prefeito nas últimas eleições, vê o desenho político como uma estratégia ruim. “Acredito que o PT tem mais a perder do que ganhar. Nós assistimos este filme anteriormente na composição Dilma/Temer, e vimos no que deu”, reclama, em relação ao impeachment sofrido em 2016 pela então presidente Dilma Rousseff (PT). 

Há lideranças que não se posicionaram contrárias à composição, mas deixaram o caminho em aberto. É o caso de Ana Nice, vereadora de São Bernardo. “O presidente Lula é um cara do diálogo. Não posso negar que recebemos a notícia dessa possibilidade com surpresa. Caso isso ocorra, o PT não irá abrir mão do seu programa ”, garantiu.

André Cabelo, presidente da sigla em Rio Grande da Serra, diz que o PT local ainda não fez essa discussão interna, “Mas acredito que haverá outros nomes para serem discutidos, e dessa forma sairá o melhor nome, que pode ser o próprio Alckmin”, afirmou.

Escolha do ex-tucano envolve disputa interna

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é pré-candidato à Presidência da República neste ano. Em declarações públicas, tem se mostrado aberto a ter Geraldo Alckmin (sem partido) como o outro nome da chapa. A ideia é agregar votos na direita e centro-direita. A escolha do seu vice passa por um forte debate dentro do partido. Isso porque o PT é um partido de correntes. Grupos disputam o poder dentro da sigla e, por meio de eleições internas, formam a sua direção. A corrente majoritária da sigla é a CNB (Construindo Novo Brasil), da qual Lula faz parte.

Há correntes dentro da sigla que se posicionam contrárias à aliança com o ex-governador Geraldo Alckmin. É o caso da AE (Articulação de Esquerda), que publicou resolução no dia 21 de dezembro com críticas ao desenho planejado. “Setores do PT e da esquerda brasileira defendem realizar uma aliança de primeiro turno com setores golpistas e neoliberais. O símbolo visível desta aliança seria entregar a candidatura à vice-presidência ao sempre tucano Geraldo Alckmin. O que não revelam é o preço programático de uma eventual aliança”, criticou texto divulgado.

Para Kleber Carrilho, professor de comunicação política da ECA (Escola de Comunicações e Artes) da USP (Universidade de São Paulo), o hegemonismo de Lula e o seu protagonismo político estão acima das correntes. Na prática, o partido pode ter pouco poder de decisão. “Fica muito claro pelas afirmações do ex-presidente Lula que esta é uma campanha dele. Isso quer dizer que ele vai medir tudo isso, mas, no final das contas, vai decidir a partir do arco de alianças que acredita que seja fundamental”.




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