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Milionário e José Rico lançam ‘O Dono do Mundo’

Alessandro Soares
Do Diário do Grande ABC
20/08/2002 | 19:33
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Milionário e José Rico não são donos da verdade, mas que puxaram a orelha de quem pensa que faz música sertaneja sem jamais ter pisado no campo, puxaram. O recado está na faixa Memória Esquecida, uma das 14 do CD O Dono do Mundo (Warner/Chantecler, R$ 18 em média): “Me dói saber que alguns artistas/ Que alcançaram sucesso na vida/ Usaram tanto o sertão como estória/ E hoje, na memória, ficou esquecida”.

“Quando a gente está no palco eu lembro desse puxão de orelha. Nunca saímos da trilha do sertanejo, que fala direto do sertão, do homem do campo. Tem dupla por aí que não sabe nada do sertão”, disse José Rico. Ele não cita nomes, por ética profissional. Por dedução, a crítica é sobre a música romântica travestida de sertaneja.

O álbum O Dono do Mundo é o 26º de uma carreira de 32 anos, e não tem nada a ver com o nome da dupla. “Milionário e Zé Rico não são donos de nada. Fizemos uma mensagem para o mundo”, afirma Milionário. A música que intitulada o CD é de José Rico e Campanário, uma visão particular sobre o sofrimento causado pelos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 em Nova York e Washington, nos Estados Unidos.

A letra é uma mensagem de paz contra o ódio e a crueldade humanos. São impressões dos autores a partir das informações que a mídia transmitiu sobre os atentados: “Maldade, crueldade, é o que impera/ Nesta selva de pedras,/ A fera mais fera é o homem”.

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Falando em paz, a dupla está de bem. “Todo mundo acha que nós estamos de mal, que brigamos, mas nunca discutimos. É porque Zé Rico canta virado para lá e eu pra cá, e o povo pensa que nós não conversamos. Mas só conseguimos fazer isso porque somos uma dupla ensaiada”, disse Milionário.

O álbum agrada pela simplicidade e pela preferência por ritmos de origem sertaneja como a polca paraguaia de Bailão Cuiabano (José Rico), o chamamé de Meu Desespero (A Tabela) (Rhaell, Darci Rossi e Marciano), a toada de Memória Esquecida. Tá Rindo de Quê (Alexandre e Rick) pega carona no country-sertanejo, colocando ritmo no CD. E para não dizer que faltaram sofrimentos do coração com um pouco de humor, Lenha Molhada (Darci Rossi e Rio Grande) dá seu recado: “O amor é muito bom/ Mas você não quer saber/ Só vive apagando/ Não sei o que fazer/ Que vida danada/ Com lenha molhada não dá pra acender”.

Os dois não descartam fazer um novo filme, a exemplo de Estrada da Vida (1980), que seria dirigido pelo mesmo Nelson Pereira dos Santos, e que fez sucesso na China, para onde a dupla seguiu para cumprir uma turnê de intercâmbio cultural em 1983. “Estamos agendando um encontro com o Nelson. O roteiro seria meu, do Milionário e de Chico de Assis. Tem de ser uma coisa bonita”, disse José Rico.

Em médias, a dupla tem feito de três a quatro shows por semana. “Enquanto a gente tiver pique, trabalharemos todo dia. Só não fazemos mais porque somos de carne e osso”, disse Milionário. Ele quis dizer que a idade já está avançando. José Rico, ou José Alves dos Santos, tem 58 anos e Milionário, Romeu Januário de Matos, 62. “Tem artista que se estrela na vida, mas trabalho não mata. O que mata é desprezo, incompreensão”, disse José Rico.




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