Crise na educação Grupo educacional protocolou plano de recuperação nesta sexta-feira (9)
Celso Luiz/ DGABC

O grupo Educação Metodista protocolou, nesta sexta-feira (9), o plano de recuperação na Vara de Direito Empresarial, Recuperação de Empresas e Falências de Porto Alegre (Rio Grande do Sul). O documento prevê a venda de imóveis não utilizados em atividades educacionais para o pagamento das dívidas e garante que aproximadamente 90% dos credores trabalhistas receberão seus créditos integralmente. Na região, são três campi universitários (Rudge Ramos, Planalto e Vergueiro) e um colégio, no Rudge Ramos, em São Bernardo.
Após a apresentação do plano, que foi elaborado pela consultoria Alvarez & Marsal, a próxima etapa será a publicação do quadro geral de credores pelo Administrador Judicial. Na sequência, será realizada a Assembleia Geral de Credores para aprovação do plano. O grupo educacional entrou com pedido de recuperação judicial no TJ-RS (Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul) em 9 de abril.
“O plano de recuperação judicial tem como objetivo assegurar a sustentabilidade da instituição preservando a qualidade de ensino e os projetos e atividades sociais relevantes para a sociedade, como os atendimentos gratuitos nas áreas de saúde e direito. Esse é um plano sólido e objetivo, porque está baseado na venda de ativos imobiliários”, afirma o diretor financeiro da Instituição, Maurício Trindade.
A crise das instituições, segundo a própria Metodista, iniciou com a mudança nas regras do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) em 2015 e se acentuou com o cenário econômico de recessão dos últimos anos. Desde o ano passado, a pandemia de Covid-19 agravou a situação. Em entrevista concedida ao Diário em abril, Aser Gonçalves Júnior, diretor de operações estratégicas da Educação Metodista, afirmou que o número de estudantes caiu de 51 mil para 19 mil em seis anos.
Demissões em massa, assim como a falta de pagamento mensal e de verbas rescisórias são comuns desde então. Professores, funcionários administrativos e de outros setores das unidades são-bernardenses fizeram greve em diversas ocasiões, sendo a última entre o fim de fevereiro e início de março. Não à toa, a estimativa de Gonçalves Júnior era a de que dos R$ 500 milhões devidos, 60% seja referente a dívidas trabalhistas.
São oferecidos 80 cursos presenciais e 25 cursos na modalidade EAD em São Paulo, em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul, onde a escola mais antiga do grupo está instalada. Os campi são-bernardenses oferecem 43 graduações presenciais e pós-graduação latu-senso (especialização) e stricto-senso (mestrado e doutorado), totalizando 11.214 alunos. No colégio, são 208 matriculados. Em todo País, o grupo emprega 3.000 pessoas, sendo pelo menos 300 nas unidades de São Bernardo.
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