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Câmara indica tratamento precoce e transfere polêmica para Morando

André Henriques/Araújo alegou que recebeu recomendação de médicos Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Mesmo depois de um ano de pandemia da Covid-19, documento teve aval da maioria do Legislativo de São Bernardo


Daniel Tossato
Do Diário do Grande ABC

15/04/2021 | 00:01


A Câmara de São Bernardo deu aval ontem à indicação ao Executivo de São Bernardo, comandado por Orlando Morando (PSDB), para utilizar tratamento precoce na tentativa de combater o avanço da Covid-19 na cidade, transferindo a polêmica para o tucano. O procedimento não tem eficácia comprovada e é questionado pelos profissionais da saúde. A proposta, de autoria do governista Jorge Araújo (PSD), contabilizou 16 apoios, dois votos contrários e uma abstenção.

O documento sugere que, assim que seja autorizado por Morando, os médicos que atenderem os pacientes poderão receitar remédios – mesmo sem eficácia comprovada junto aos profissionais da saúde –, como ivermectina, azitromicina, zinco, além de vitaminas D e C, o que, na indicação do parlamentar, traria possibilidade de diminuir a carga viral.

“Indicamos ao prefeito a necessidade de determinar ao setor competente urgentes providências, objetivando que seja implementada em nossa cidade, o protocolo de tratamento imediato ou profilático contra a Covid-19, com o intuito de salvar mais vidas e diminuir a ocupação de leitos no município”, sustenta Araújo, no texto. “O tratamento preventivo ou imediato, em momento nenhum afasta qualquer um dos demais cuidados ou a vacinação, mas a eles vêm se somar, sendo complementar e como tentativa de evitar a ocupação total dos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), uma vez que, segundo diversos médicos, as medicações como ivermectina, azitromicina, zinco, vitaminas D e C têm, por fim, reduzir a carga viral ou aumentar a imunidade, sendo crível que, reforçando as proteções do corpo e diminuindo a carga viral, as consequências e complicações decorrentes serão atenuadas”, diz a justificativa.

Araújo afirmou que escutou médicos e profissionais da saúde antes de elaborar a indicação e pontuou que a propositura foi feita apenas para apresentar mais uma opção de tratamento ao novo coronavírus, que, em São Bernardo, já matou mais de 1.900 pessoas.

“Não é questão de negacionismo da doença. Sou favorável à vacina e demais medidas sanitárias para impedir o avanço da doença na cidade. Sei que esse debate está muito politizado, mas a intenção é apresentar mais uma opção de tratamento”, declarou Araújo.

O tratamento precoce, com a utilização de ivermectina, azitromicina e hidroxicloroquina, é amplamente defendido pelo presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), mesmo que não haja embasamento científico. Já o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que é próximo de Morando, tem afastado a intenção de adotar esse método. No âmbito nacional, as prefeituras de Chapecó (Santa Catarina), citada por Araújo – apesar de ter aplicado 14 dias de lockdown –, e de Itajubá (Minas Gerais) adotaram o modelo, apesar de fortes críticas.

O vereador Joilson Santos (PT) sustentou que decidiu se abster da apreciação por entender que não tinha embasamento técnico para aprovar a indicação de Araújo. Líder da bancada petista, Ana Nice e o parlamentar Getúlio do Amarelinho (PT) votaram contra a proposta. A Prefeitura alegou que o Legislativo é independente e tem autonomia para apresentar indicações que considerar relevantes. Não se posicionou sobre o teor da matéria. 



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Câmara indica tratamento precoce e transfere polêmica para Morando

Mesmo depois de um ano de pandemia da Covid-19, documento teve aval da maioria do Legislativo de São Bernardo

Daniel Tossato
Do Diário do Grande ABC

15/04/2021 | 00:01


A Câmara de São Bernardo deu aval ontem à indicação ao Executivo de São Bernardo, comandado por Orlando Morando (PSDB), para utilizar tratamento precoce na tentativa de combater o avanço da Covid-19 na cidade, transferindo a polêmica para o tucano. O procedimento não tem eficácia comprovada e é questionado pelos profissionais da saúde. A proposta, de autoria do governista Jorge Araújo (PSD), contabilizou 16 apoios, dois votos contrários e uma abstenção.

O documento sugere que, assim que seja autorizado por Morando, os médicos que atenderem os pacientes poderão receitar remédios – mesmo sem eficácia comprovada junto aos profissionais da saúde –, como ivermectina, azitromicina, zinco, além de vitaminas D e C, o que, na indicação do parlamentar, traria possibilidade de diminuir a carga viral.

“Indicamos ao prefeito a necessidade de determinar ao setor competente urgentes providências, objetivando que seja implementada em nossa cidade, o protocolo de tratamento imediato ou profilático contra a Covid-19, com o intuito de salvar mais vidas e diminuir a ocupação de leitos no município”, sustenta Araújo, no texto. “O tratamento preventivo ou imediato, em momento nenhum afasta qualquer um dos demais cuidados ou a vacinação, mas a eles vêm se somar, sendo complementar e como tentativa de evitar a ocupação total dos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), uma vez que, segundo diversos médicos, as medicações como ivermectina, azitromicina, zinco, vitaminas D e C têm, por fim, reduzir a carga viral ou aumentar a imunidade, sendo crível que, reforçando as proteções do corpo e diminuindo a carga viral, as consequências e complicações decorrentes serão atenuadas”, diz a justificativa.

Araújo afirmou que escutou médicos e profissionais da saúde antes de elaborar a indicação e pontuou que a propositura foi feita apenas para apresentar mais uma opção de tratamento ao novo coronavírus, que, em São Bernardo, já matou mais de 1.900 pessoas.

“Não é questão de negacionismo da doença. Sou favorável à vacina e demais medidas sanitárias para impedir o avanço da doença na cidade. Sei que esse debate está muito politizado, mas a intenção é apresentar mais uma opção de tratamento”, declarou Araújo.

O tratamento precoce, com a utilização de ivermectina, azitromicina e hidroxicloroquina, é amplamente defendido pelo presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), mesmo que não haja embasamento científico. Já o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que é próximo de Morando, tem afastado a intenção de adotar esse método. No âmbito nacional, as prefeituras de Chapecó (Santa Catarina), citada por Araújo – apesar de ter aplicado 14 dias de lockdown –, e de Itajubá (Minas Gerais) adotaram o modelo, apesar de fortes críticas.

O vereador Joilson Santos (PT) sustentou que decidiu se abster da apreciação por entender que não tinha embasamento técnico para aprovar a indicação de Araújo. Líder da bancada petista, Ana Nice e o parlamentar Getúlio do Amarelinho (PT) votaram contra a proposta. A Prefeitura alegou que o Legislativo é independente e tem autonomia para apresentar indicações que considerar relevantes. Não se posicionou sobre o teor da matéria. 

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