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Mesmo robusta, rede de saúde da região sucumbiu à Covid

Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Oferta de leitos é maior do que no Estado e em outras cidades; mesmo assim, fila por vaga chegou a 246 pessoas em março


Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

14/04/2021 | 07:43


O impacto da pandemia de Covid-19 no Grande ABC em março pode ser medido de diversas maneiras: foi o mês com o maior número de casos desde o início das contaminações: 24.851; com o maior número de mortes: 1.087; e com as maiores taxas de ocupação de leitos, que fizeram com que os sistemas de saúde de seis das sete cidades entrassem com colapso – a exceção foi Santo André –, com 242 pacientes na fila por vaga de internação no dia 26 de março. A situação foi vivenciada mesmo com rede de saúde robusta para hospitalização, maior do que a média encontrada no Estado de São Paulo.

De acordo com dados da SP Covid Info Tracker, plataforma gerida por pesquisadores da Unesp (Universidade Estadual Paulista), da USP (Universidade de São Paulo) e do Cemeai (Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria), a região tem 1.290 leitos públicos de enfermaria e 1.340 de UTI (Unidades de Terapia Intensiva). Considerando apenas leitos de UTI, a média é de 47,7 vagas para cada 100 mil habitantes.

A titulo de comparação, de acordo com o mesmo banco de dados, o Estado de São Paulo tem 21.057 leitos de enfermaria e 14.109 de UTI, média de 30,5 leitos de UTI para cada 100 mil habitantes. Com população de tamanho semelhante, as cidades do Alto Tietê – Guarulhos, Arujá, Biritiba-Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá, Salesópolis, Santa Branca, Santa Isabel e Suzano –, que somam 2,824 milhões de moradores, tem 834 leitos ambulatoriais e 624 de UTI, média de 22,1 leitos de UTI para cada 100 mil habitantes, ou seja, menos da metade do disponível no Grande ABC.

Neurologista e neurocirurgião da Rede D’Or e do Hospital Israelita Albert Einstein, Wanderley Cerqueira de Lima explicou que a pandemia popularizou conversas e matérias sobre o número de leitos, mas que essa não é a única questão que deve ser observada. “Criar o leito, geralmente, é o mais fácil. O difícil é ter as pessoas disponíveis para cuidar dos pacientes que estão nesses leitos”, destacou. O especialista lembrou que, diferentemente de insumos, que, quando disponíveis, podem ser comprados em poucos dias, treinar profissionais para atendimento dos pacientes leva muito mais tempo.

“Médicos, enfermeiros, técnicos, auxiliares, essas pessoas também se infectaram, muitos morreram e não é rápida a reposição”, pontuou Lima. Levantamento feito pelo Diário junto às prefeituras da região mostrou que 23% dos 18.749 funcionários da área da saúde de São Bernardo, São Caetano e Diadema, ou seja, 4.312 profissionais, se contaminaram e 14 pessoas morreram – as outras cidades não informaram os dados. “O Grande ABC tem uma rede robusta, mas esse conjunto de fatores, muitas pessoas se contaminando, profissionais sendo afastados, a velocidade com que as pessoas precisaram de atendimento, impediu que toda a demanda fosse atendida”, completou Lima.

O neurologista destacou ainda que a situação não será resolvida com abertura de mais leitos, mas, sim, com adoção de medidas que impeçam que o novo coronavírus continue circulando na sociedade. “Temos que reduzir o número de pessoas que procuram atendimento médico, e considerando a agressividade do novo subtipo que está circulando, isso só vai acontecer com distanciamento físico, uso correto da máscara e higienização constante das mãos”, concluiu. 

Mauá zera espera de vagas para internação

Depois de quase um mês convivendo com pressão sobre os sistemas de saúde público e privado, a Prefeitura de Mauá informou ontem que zerou o número de pacientes infectados com o coronavírus na fila por vaga de internação na Cross (Central de Regulação de Serviços de Saúde), administrada pelo governo do Estado.
Durante o colapso no sistema de saúde, que se agravou na segunda quinzena de março, Mauá registrou a morte de 11 pacientes com Covid-19 que aguardavam por leitos de internação. O último falecimento foi registrado no dia 7 de abril.

Entre as principais medidas adotadas pela cidade está a ampliação em 150% na oferta de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Até janeiro, eram 20 vagas e agora são 50. Desse total, 40 estão no Hospital de Clínicas Doutor Radamés Nardini e outras dez foram disponibilizadas em convênio celebrado com o Hospital Sagrada Família, instituição particular. Já em relação aos leitos de enfermaria, a ampliação foi de 122%. Saltaram de 18 para 40. “A quantidade é superior, por exemplo, quando comparamos a situação da cidade no ano passado, mesmo considerando o hospital de campanha”, afirmou o prefeito Marcelo Oliveira (PT).

Apesar de colocar fim na fila de internação, de acordo com boletim divulgado ontem pela Prefeitura, a ocupação das UTIs no Nardini continua no limite, com 93% das vagas preenchidas.

OUTRAS CIDADES
A situação também é menos complicada nas outras cidades da região. Em Ribeirão, que teve 40 mortes de pacientes na fila, são cinco pessoas esperando vaga na UTI. Em Diadema e em São Bernardo, quatro pessoas em cada cidade esperam por leito de emergência. Em São Caetano são três aguardando UTI. Em Rio Grande da Serra uma pessoa segue na fila. Santo André é a única cidade que não registrou pacientes à espera de leitos.



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Mesmo robusta, rede de saúde da região sucumbiu à Covid

Oferta de leitos é maior do que no Estado e em outras cidades; mesmo assim, fila por vaga chegou a 246 pessoas em março

Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

14/04/2021 | 07:43


O impacto da pandemia de Covid-19 no Grande ABC em março pode ser medido de diversas maneiras: foi o mês com o maior número de casos desde o início das contaminações: 24.851; com o maior número de mortes: 1.087; e com as maiores taxas de ocupação de leitos, que fizeram com que os sistemas de saúde de seis das sete cidades entrassem com colapso – a exceção foi Santo André –, com 242 pacientes na fila por vaga de internação no dia 26 de março. A situação foi vivenciada mesmo com rede de saúde robusta para hospitalização, maior do que a média encontrada no Estado de São Paulo.

De acordo com dados da SP Covid Info Tracker, plataforma gerida por pesquisadores da Unesp (Universidade Estadual Paulista), da USP (Universidade de São Paulo) e do Cemeai (Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria), a região tem 1.290 leitos públicos de enfermaria e 1.340 de UTI (Unidades de Terapia Intensiva). Considerando apenas leitos de UTI, a média é de 47,7 vagas para cada 100 mil habitantes.

A titulo de comparação, de acordo com o mesmo banco de dados, o Estado de São Paulo tem 21.057 leitos de enfermaria e 14.109 de UTI, média de 30,5 leitos de UTI para cada 100 mil habitantes. Com população de tamanho semelhante, as cidades do Alto Tietê – Guarulhos, Arujá, Biritiba-Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá, Salesópolis, Santa Branca, Santa Isabel e Suzano –, que somam 2,824 milhões de moradores, tem 834 leitos ambulatoriais e 624 de UTI, média de 22,1 leitos de UTI para cada 100 mil habitantes, ou seja, menos da metade do disponível no Grande ABC.

Neurologista e neurocirurgião da Rede D’Or e do Hospital Israelita Albert Einstein, Wanderley Cerqueira de Lima explicou que a pandemia popularizou conversas e matérias sobre o número de leitos, mas que essa não é a única questão que deve ser observada. “Criar o leito, geralmente, é o mais fácil. O difícil é ter as pessoas disponíveis para cuidar dos pacientes que estão nesses leitos”, destacou. O especialista lembrou que, diferentemente de insumos, que, quando disponíveis, podem ser comprados em poucos dias, treinar profissionais para atendimento dos pacientes leva muito mais tempo.

“Médicos, enfermeiros, técnicos, auxiliares, essas pessoas também se infectaram, muitos morreram e não é rápida a reposição”, pontuou Lima. Levantamento feito pelo Diário junto às prefeituras da região mostrou que 23% dos 18.749 funcionários da área da saúde de São Bernardo, São Caetano e Diadema, ou seja, 4.312 profissionais, se contaminaram e 14 pessoas morreram – as outras cidades não informaram os dados. “O Grande ABC tem uma rede robusta, mas esse conjunto de fatores, muitas pessoas se contaminando, profissionais sendo afastados, a velocidade com que as pessoas precisaram de atendimento, impediu que toda a demanda fosse atendida”, completou Lima.

O neurologista destacou ainda que a situação não será resolvida com abertura de mais leitos, mas, sim, com adoção de medidas que impeçam que o novo coronavírus continue circulando na sociedade. “Temos que reduzir o número de pessoas que procuram atendimento médico, e considerando a agressividade do novo subtipo que está circulando, isso só vai acontecer com distanciamento físico, uso correto da máscara e higienização constante das mãos”, concluiu. 

Mauá zera espera de vagas para internação

Depois de quase um mês convivendo com pressão sobre os sistemas de saúde público e privado, a Prefeitura de Mauá informou ontem que zerou o número de pacientes infectados com o coronavírus na fila por vaga de internação na Cross (Central de Regulação de Serviços de Saúde), administrada pelo governo do Estado.
Durante o colapso no sistema de saúde, que se agravou na segunda quinzena de março, Mauá registrou a morte de 11 pacientes com Covid-19 que aguardavam por leitos de internação. O último falecimento foi registrado no dia 7 de abril.

Entre as principais medidas adotadas pela cidade está a ampliação em 150% na oferta de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Até janeiro, eram 20 vagas e agora são 50. Desse total, 40 estão no Hospital de Clínicas Doutor Radamés Nardini e outras dez foram disponibilizadas em convênio celebrado com o Hospital Sagrada Família, instituição particular. Já em relação aos leitos de enfermaria, a ampliação foi de 122%. Saltaram de 18 para 40. “A quantidade é superior, por exemplo, quando comparamos a situação da cidade no ano passado, mesmo considerando o hospital de campanha”, afirmou o prefeito Marcelo Oliveira (PT).

Apesar de colocar fim na fila de internação, de acordo com boletim divulgado ontem pela Prefeitura, a ocupação das UTIs no Nardini continua no limite, com 93% das vagas preenchidas.

OUTRAS CIDADES
A situação também é menos complicada nas outras cidades da região. Em Ribeirão, que teve 40 mortes de pacientes na fila, são cinco pessoas esperando vaga na UTI. Em Diadema e em São Bernardo, quatro pessoas em cada cidade esperam por leito de emergência. Em São Caetano são três aguardando UTI. Em Rio Grande da Serra uma pessoa segue na fila. Santo André é a única cidade que não registrou pacientes à espera de leitos.

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