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Falta de remédios para entubação acende alerta

Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Segundo o Conselho Nacional de Secretários de Saúde, dez Estados já têm baixo estoque de medicamentos


Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

22/03/2021 | 00:07


As prefeituras do Grande ABC estão em alerta para a possibilidade de falta do chamado ‘kit Covid de entubação’, série de medicamentos como sedativos e bloqueadores que são utilizados para entubar os pacientes que apresentam quadros mais graves de Covid-19. O Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde), cujo presidente é o secretário de Saúde do Maranhão, Carlos Lula, divulgou a informação de que dez Estados já têm baixo estoque de sedativos e 18 têm poucos bloqueadores musculares, indispensáveis ao processo de entubação de doentes em fase crítica. Nos dois casos, os insumos devem durar no máximo 20 dias.

O gestor do curso de medicina da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Enrico Andrade, explicou que a sedação dos pacientes se dá em vários níveis, como ocorre com o sono. Sem a quantidade necessária do medicamento, a pessoa vai recobrando a consciência e pode sentir, além de desconforto e ansiedade, quadros agudos de dor. O bloqueador muscular também é essencial para que o corpo se adapte à ventilação mecânica e a troca de oxigênio ocorra da maneira adequada.

Em vídeo distribuído pela assessoria de imprensa do Conass, Lula afirma que a indústria nacional não está dando conta de produzir a quantidade necessária dos medicamentos, devido ao aumento no número de internações, e que o Ministério da Saúde deve partir para uma compra internacional, para evitar que se repita o cenário vivido no segundo semestre de 2020, quando vários hospitais ficaram completamente sem os insumos.

No Grande ABC, as prefeituras informaram que monitoram a questão com atenção, mas que até o momento não faltam sedativos nem bloqueadores nos hospitais das redes municipais. São Bernardo afirmou que a quantidade está abaixo do normal, devido ao agravamento da pandemia e à dificuldade de abastecimento destes componentes, mas não estimou por quantos dias deve durar o estoque.

Em São Caetano, a Secretaria de Saúde informou que, embora já exista falta de alguns medicamentos no mercado, a pasta possui estoque para, pelo menos, dois meses. 

Diadema apontou que houve incremento da demanda devido ao aumento de novos casos e atendimentos registrados nos últimos dias, mas que foram feitos encaminhamentos administrativos e financeiros no sentido de garantir ampliação do estoque. “Não houve, até o momento, nenhuma comunicação dos laboratórios produtores e distribuidores sobre dificuldades em atender aos pedidos”, explicou, em nota, a administração municipal.

Ribeirão Pires informou que no momento não há falta de sedativos, mas a situação preocupa pela alta demanda. Em Rio Grande da Serra, onde não existem leitos de internação, a Prefeitura informou que o estoque de sedativos está zerado, justamente devido à grande procura pelos municípios nos últimos dias. As outras cidades não responderam até o fechamento desta edição.

Ministério afirma que monitora a situação 

O Ministério da Saúde afirmou que monitora semanalmente os estoques de insumos para entubação de pacientes com Covid-19 em todo o Brasil desde setembro junto ao Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde), Conasems (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde) e Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). 

Que além do monitoramento e do apoio a Estados e municípios, o ministério também realiza requisição administrativa, compras internacionais, ata de registro de preços e compras nacionais dos insumos. Segundo a pasta, na última quarta-feira foram requisitados 665.507 medicamentos de entubação para 15 dias, considerando o consumo médio mensal – essa solicitação administrativa realizada não atinge os quantitativos dos insumos previamente contratados pelos entes federados.

A pasta informou, ainda, que também entrou em contato com a Anvisa na quinta-feira para realização de consulta internacional de disponibilidade dos principais medicamentos de entubação para verificar a possibilidade da compra dos produtos.

A AMB (Associação Médica Brasileira) informou que se reuniu com a Anvisa em busca de resolução à falta de medicamentos ao atendimento emergencial, em especial de bloqueadores neuromusculares. “Lamentavelmente, o número de pacientes infectados no Brasil dispara, assim como a daqueles que exigem atendimento hospitalar. Seguindo a mesma tendência, é cada vez mais significativo o contingente de pacientes que precisa de internação em UTI, com sedação e entubação”, disse em nota. “Por compromisso ético e zelando pela transparência, informamos que, na ausência de tais drogas, não é possível oferecer atendimento adequado para salvar vidas.”

O Sindusfarma (Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos) informou, por meio de nota, que “a indústria farmacêutica instalada no País continua trabalhando arduamente para manter a produção normal de seus produtos, assumindo o compromisso de garantir o abastecimento regular e suficiente de todos os medicamentos de que a população brasileira necessita.” 

No comunicado, a entidade destacou que vem trabalhando em conjunto com as autoridades sanitárias no sentido de garantir o abastecimento de anestésicos, sedativos e relaxantes musculares em volume suficiente para atender às necessidades dos hospitais, e reduzir ao máximo o risco de falta desses produtos. Que a emergência sanitária provocada pela pandemia de Covid impede a formação de estoques de segurança por parte dos fabricantes de anestésicos, sedativos e relaxantes musculares. “Sendo assim, empresas estão realizando entregas fracionadas, eventualmente em quantidade inferior às encomendas, para que todos os hospitais possam ser atendidos e não haja desabastecimento.” 



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