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Mauá elege primeiro vereador assumidamente gay da região

Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Em Câmara exclusivamente masculina, ativista já combate homofobia e alerta: ‘Não posso errar'


Júnior Carvalho
Do Diário do Grande ABC

18/01/2021 | 00:01


O Grande ABC tem, a partir deste ano, o primeiro vereador assumidamente gay da história das sete cidades. Ativista social, Márcio Araújo (PSD), 41 anos, foi eleito parlamentar em Mauá no pleito do ano passado, com 3.356 votos.

Ao tomar posse, no dia 1º, Márcio quebrou outro tabu: levou a diversidade para a cúpula do Legislativo ao ser escolhido o primeiro homem gay da região a ocupar um cargo na mesa diretora – foi eleito primeiro secretário.

Ao Diário, Márcio traça planos para o mandato, mas já relata os efeitos de ser o único homem gay em Câmara exclusivamente masculina: machismo e homofobia pelo fato de conservar cabelos longos e maquiagem. “Existiu, no começo, uma ignorância em forma de brincadeira. Alguns vereadores disseram: ‘Quem disse que Mauá não elegeu uma mulher?’ E eu respondi dizendo que sou homem, gay, e o fato de ter cabelos compridos não quer dizer que me considero mulher, mas também vou defendê-las”, contou, ao emendar que, a despeito desse caso, tem se sentido respeitado pelos colegas. 

Antes de ser eleito vereador, Márcio já levantava outras bandeiras sociais, com trabalhos de amparo aos idosos, pessoas com deficiência e às crianças e adolescentes. Na gestão do ex-prefeito Atila Jacomussi (PSB), cujo grupo político integrou até o ano passado, Márcio foi secretário adjunto de Políticas para as Mulheres. Agora, ao mesmo tempo em que celebra, vislumbra o peso da representatividade. “Tenho uma responsabilidade de abrir portas. Se eu fizer um mandato desastroso, a possibilidade de Mauá eleger outro LGBT no futuro é muito pequena. Não posso errar porque, se errar, vou prejudicar diversas gerações”, avalia. 

Márcio cita várias ações para o combate ao preconceito e no auxílio à população LGBT, como o fomento para que terminem os estudos e ingressem numa faculdade. O vereador também defende que questões de diversidade e gênero sejam debatidas nas salas de aula, mas por gente que tenha legitimidade para tratar do tema. “Como um professor que é evangélico e fanático vai tratar disso? Eu sou a favor que existam essas discussões, mas por quem saiba o que está falando.”

A eleição de Márcio aconteceu na esteira da vitória de diversos LGBTs Brasil à fora em 2020. O Programa Voto com Orgulho, iniciativa que mapeia essas candidaturas, calcula que pelo menos 48 pessoas lésbicas, gays, bissexuais ou transexuais foram eleitas no País em novembro. A Capital elegeu Erika Hilton (Psol), a primeira mulher trans da Câmara paulistana. Em Belo Horizonte (Minas Gerais), a também mulher trans Duda Salabert (PDT) foi a vereadora mais votada da história da cidade, com 37.613 votos. “A população LGBT percebeu, mesmo que tarde, que precisa de pessoas que lutem por ela. Quando somos engajados, podemos ter representantes em qualquer lugar. Muitos segmentos já têm essa clareza, ou você acha que a bancada evangélica é eleita por católicos ou por pessoas de religião de matriz africana?”, diz Márcio.



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Mauá elege primeiro vereador assumidamente gay da região

Em Câmara exclusivamente masculina, ativista já combate homofobia e alerta: ‘Não posso errar'

Júnior Carvalho
Do Diário do Grande ABC

18/01/2021 | 00:01


O Grande ABC tem, a partir deste ano, o primeiro vereador assumidamente gay da história das sete cidades. Ativista social, Márcio Araújo (PSD), 41 anos, foi eleito parlamentar em Mauá no pleito do ano passado, com 3.356 votos.

Ao tomar posse, no dia 1º, Márcio quebrou outro tabu: levou a diversidade para a cúpula do Legislativo ao ser escolhido o primeiro homem gay da região a ocupar um cargo na mesa diretora – foi eleito primeiro secretário.

Ao Diário, Márcio traça planos para o mandato, mas já relata os efeitos de ser o único homem gay em Câmara exclusivamente masculina: machismo e homofobia pelo fato de conservar cabelos longos e maquiagem. “Existiu, no começo, uma ignorância em forma de brincadeira. Alguns vereadores disseram: ‘Quem disse que Mauá não elegeu uma mulher?’ E eu respondi dizendo que sou homem, gay, e o fato de ter cabelos compridos não quer dizer que me considero mulher, mas também vou defendê-las”, contou, ao emendar que, a despeito desse caso, tem se sentido respeitado pelos colegas. 

Antes de ser eleito vereador, Márcio já levantava outras bandeiras sociais, com trabalhos de amparo aos idosos, pessoas com deficiência e às crianças e adolescentes. Na gestão do ex-prefeito Atila Jacomussi (PSB), cujo grupo político integrou até o ano passado, Márcio foi secretário adjunto de Políticas para as Mulheres. Agora, ao mesmo tempo em que celebra, vislumbra o peso da representatividade. “Tenho uma responsabilidade de abrir portas. Se eu fizer um mandato desastroso, a possibilidade de Mauá eleger outro LGBT no futuro é muito pequena. Não posso errar porque, se errar, vou prejudicar diversas gerações”, avalia. 

Márcio cita várias ações para o combate ao preconceito e no auxílio à população LGBT, como o fomento para que terminem os estudos e ingressem numa faculdade. O vereador também defende que questões de diversidade e gênero sejam debatidas nas salas de aula, mas por gente que tenha legitimidade para tratar do tema. “Como um professor que é evangélico e fanático vai tratar disso? Eu sou a favor que existam essas discussões, mas por quem saiba o que está falando.”

A eleição de Márcio aconteceu na esteira da vitória de diversos LGBTs Brasil à fora em 2020. O Programa Voto com Orgulho, iniciativa que mapeia essas candidaturas, calcula que pelo menos 48 pessoas lésbicas, gays, bissexuais ou transexuais foram eleitas no País em novembro. A Capital elegeu Erika Hilton (Psol), a primeira mulher trans da Câmara paulistana. Em Belo Horizonte (Minas Gerais), a também mulher trans Duda Salabert (PDT) foi a vereadora mais votada da história da cidade, com 37.613 votos. “A população LGBT percebeu, mesmo que tarde, que precisa de pessoas que lutem por ela. Quando somos engajados, podemos ter representantes em qualquer lugar. Muitos segmentos já têm essa clareza, ou você acha que a bancada evangélica é eleita por católicos ou por pessoas de religião de matriz africana?”, diz Márcio.

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