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Economia

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No Grande ABC, um terço da população está inadimplente

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Ao todo, 859.178 moradores têm ao menos uma dívida em aberto há
mais de 90 dias; as campeãs são as contas de água, luz e telefone


Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

21/11/2020 | 00:05


Um terço da população do Grande ABC, composta por 2,8 milhões de habitantes, está inadimplente. Significa que 859.178 pessoas possuem pelo menos uma conta sem pagamento há mais de 90 dias. Os dados foram levantados pela Serasa a pedido do Diário, e se referem a setembro, os mais recentes disponíveis.

Apesar do volume expressivo de negativados, o total de pessoas com o ‘nome sujo’ nas sete cidades diminuiu em 40.310 no intervalo de um ano, queda de 4,5%. Em setembro de 2019, havia 899.488 inadimplentes. Considerando a população de 2,7 milhões de moradores no Grande ABC, havia 33,3% devedores. Hoje, são 30,6%.

De acordo com o gerente da Serasa Tiago Marchese, essa queda foi reflexo da pandemia do novo coronavírus. Isso porque o governo começou a pagar o auxílio emergencial no valor de R$ 600 a partir de abril. “Esta foi a principal fonte de renda para a negociação da dívida. O brasileiro não quer ter o ‘nome sujo’. Ele quer pagar dívida. Então, assim que tem condições, ele as quita.”

Ao mesmo tempo, embora muita gente tenha perdido o emprego no Grande ABC, justamente em decorrência da crise desencadeada pela pandemia, que freou a economia e fez com que muitas empresas, diante da queda nas vendas, enxugassem seus quadros de funcionários, esse cenário incerto fez com que o uso da rescisão contratual fosse aplicado para reduzir o endividamento e ficar quites com contas em aberto. Para se ter ideia, conforme dados do Caged (Cadastro Geral dos Empregados e Desempregados), do Ministério da Economia, de janeiro a setembro há um saldo (contratações menos demissões) negativo de 26.019 profissionais.

O pico do volume de inadimplentes nas sete cidades neste ano foi em abril, quando havia 912.437 moradores com o ‘nome sujo’. Mas, de lá para cá, o montante veio diminuindo mês a mês e, ao todo, se reduziu em 53.259 pessoas.

Agosto registrou auge das renegociações. “A população deixou de gastar e passou a pagar dívidas. Diante das incertezas, as pessoas preferiram acertar suas contas. Àquela altura, ainda não havia uma luz no fim do túnel, como hoje, em que se tem a perspectiva da vacina contra a Covid-19.”

Com valor médio da dívida de R$ 3.936, Marchese aponta que cada pessoa tem entre quatro e cinco contas sem pagamento há mais de 90 dias.

O principal motivo da inadimplência são contas de consumo, como as de água e luz, seguidas pelas de telefone e, depois, pelas de cartão de crédito e dos cartões de varejistas. A tendência, de acordo com o gerente da Serasa, é que o consumidor pague primeiro o que lhe dá mais medo de ficar sem. Diante da perspectiva do corte de fornecimento de serviços básicos, ele a prioriza dentre suas dívidas, assim que entra algum dinheiro.

Laiane Sousa dos Santos, 26 anos, moradora de Mauá, está desempregada e busca por oportunidade para trabalhar com serviços gerais e sustentar seus três filhos. Ela deve cerca de R$ 2.000 em dois cartões, da Casas Bahia e da Magazine Luiza, por comprar camas de casal e solteiro quando se separou, no início do ano. “Fico triste por meu nome estar ‘sujo’, mas tenho que comprar comida e pagar aluguel. Não recebo pensão e, no mês passado, perdi o emprego (no qual recebia R$ 700). Na segunda-feira vou ver se consigo uma oportunidade”, conta ela, que também não conseguiu receber o auxílio emergencial do governo e esporadicamente, recebe doação de cestas básicas.

PROJEÇÃO

Para quem tem emprego, e é registrado, o pagamento do 13º salário deverá ser aliado para quitar dívidas. Segundo o Dieese, serão injetados na economia da região total de R$ 3,2 bilhões neste ano.

Em 2021, na avaliação de Marchese, a inadimplência deverá aumentar, pois o pagamento do auxílio, embora seu valor tenha se reduzido pela metade, vai acabar em dezembro. “Agora, as pessoas estão mais acomodadas para procurar emprego, graças ao benefício do governo. No início do ano que vem, deverá haver forte movimentação na busca por trabalho, mas, até que o mercado reaja, o endividamento deverá subir”, sentencia.


Feirão prevê quitar 10 mi de dívidas

Quem deseja aproveitar o 13º salário para quitar dívidas, tem até o dia 30 para negociar junto ao Feirão Serasa. Segundo o gerente Tiago Marchese, é possível conseguir obter desconto de até 99%. Neste ano, a ação pretende sanar 10 milhões de contas em haver. O gerente da Serasa diz que é o maior volume já renegociado pela iniciativa, que está em sua 26ª edição. Em novembro de 2019, para se ter ideia, o número ficou em 3 milhões. “É que desta vez conseguimos trazer número maior de empresas parceiras para o feirão. São 50. Até então, o maior volume havia sido de 40 delas”, conta.

Segundo Marchese, houve o caso de um senhor que tinha dívida de R$ 30 mil e, segundo ele, conseguiu reduzir o montante a R$ 600, parcelados em oito vezes. Neste caso, foi aplicado desconto de 98%. “As companhias oferecem os maiores abatimentos naqueles valores que já consideravam como perdidos. De contas mais antigas e, portanto, o que entrar é apenas para prestar contas”, avalia. “Por isso vale a pena aproveitar e negociar com as empresas. Além de deixar a dívida para trás, ainda consegue limpar o nome.”

As empresas são: Itaú, Banco do Brasil, Recovery, Claro, Santander, Vivo, Casas Bahia, Pontofrio, Renner, Riachuelo, Pernambucanas, Avon, Bradesco, Carrefour, Porto Seguro, Ativos, Oi, Itapeva, Anhanguera, Sky, Credsystem, Banco BMG, Digio, Zema, Crefisa, Ipanema, Unopar, Hoepers, Tricard, Tribanco, Di Santinni, Calcard, Confiança, Algar, Unic, Fama, Pitágoras, Sorocard, Uniderp, Unime, Hipercard, Conect Car, Elmo, Tenda, Energisa, Cetelem, Havan, Quatro Estações, CPFL, RGE, PagBank, Light, Nosso Lar, Novo Mundo, Koerich, Kredili, Mundial Mix e Cemig.

Para mais informações, basta acessar www.feiraolimpanome.com.br ou enviar WhatsApp para 99575-2096. Caminhão da Serasa também é opção, e fica até hoje no estacionamento do Extra Piraporinha, em Diadema. 



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No Grande ABC, um terço da população está inadimplente

Ao todo, 859.178 moradores têm ao menos uma dívida em aberto há
mais de 90 dias; as campeãs são as contas de água, luz e telefone

Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

21/11/2020 | 00:05


Um terço da população do Grande ABC, composta por 2,8 milhões de habitantes, está inadimplente. Significa que 859.178 pessoas possuem pelo menos uma conta sem pagamento há mais de 90 dias. Os dados foram levantados pela Serasa a pedido do Diário, e se referem a setembro, os mais recentes disponíveis.

Apesar do volume expressivo de negativados, o total de pessoas com o ‘nome sujo’ nas sete cidades diminuiu em 40.310 no intervalo de um ano, queda de 4,5%. Em setembro de 2019, havia 899.488 inadimplentes. Considerando a população de 2,7 milhões de moradores no Grande ABC, havia 33,3% devedores. Hoje, são 30,6%.

De acordo com o gerente da Serasa Tiago Marchese, essa queda foi reflexo da pandemia do novo coronavírus. Isso porque o governo começou a pagar o auxílio emergencial no valor de R$ 600 a partir de abril. “Esta foi a principal fonte de renda para a negociação da dívida. O brasileiro não quer ter o ‘nome sujo’. Ele quer pagar dívida. Então, assim que tem condições, ele as quita.”

Ao mesmo tempo, embora muita gente tenha perdido o emprego no Grande ABC, justamente em decorrência da crise desencadeada pela pandemia, que freou a economia e fez com que muitas empresas, diante da queda nas vendas, enxugassem seus quadros de funcionários, esse cenário incerto fez com que o uso da rescisão contratual fosse aplicado para reduzir o endividamento e ficar quites com contas em aberto. Para se ter ideia, conforme dados do Caged (Cadastro Geral dos Empregados e Desempregados), do Ministério da Economia, de janeiro a setembro há um saldo (contratações menos demissões) negativo de 26.019 profissionais.

O pico do volume de inadimplentes nas sete cidades neste ano foi em abril, quando havia 912.437 moradores com o ‘nome sujo’. Mas, de lá para cá, o montante veio diminuindo mês a mês e, ao todo, se reduziu em 53.259 pessoas.

Agosto registrou auge das renegociações. “A população deixou de gastar e passou a pagar dívidas. Diante das incertezas, as pessoas preferiram acertar suas contas. Àquela altura, ainda não havia uma luz no fim do túnel, como hoje, em que se tem a perspectiva da vacina contra a Covid-19.”

Com valor médio da dívida de R$ 3.936, Marchese aponta que cada pessoa tem entre quatro e cinco contas sem pagamento há mais de 90 dias.

O principal motivo da inadimplência são contas de consumo, como as de água e luz, seguidas pelas de telefone e, depois, pelas de cartão de crédito e dos cartões de varejistas. A tendência, de acordo com o gerente da Serasa, é que o consumidor pague primeiro o que lhe dá mais medo de ficar sem. Diante da perspectiva do corte de fornecimento de serviços básicos, ele a prioriza dentre suas dívidas, assim que entra algum dinheiro.

Laiane Sousa dos Santos, 26 anos, moradora de Mauá, está desempregada e busca por oportunidade para trabalhar com serviços gerais e sustentar seus três filhos. Ela deve cerca de R$ 2.000 em dois cartões, da Casas Bahia e da Magazine Luiza, por comprar camas de casal e solteiro quando se separou, no início do ano. “Fico triste por meu nome estar ‘sujo’, mas tenho que comprar comida e pagar aluguel. Não recebo pensão e, no mês passado, perdi o emprego (no qual recebia R$ 700). Na segunda-feira vou ver se consigo uma oportunidade”, conta ela, que também não conseguiu receber o auxílio emergencial do governo e esporadicamente, recebe doação de cestas básicas.

PROJEÇÃO

Para quem tem emprego, e é registrado, o pagamento do 13º salário deverá ser aliado para quitar dívidas. Segundo o Dieese, serão injetados na economia da região total de R$ 3,2 bilhões neste ano.

Em 2021, na avaliação de Marchese, a inadimplência deverá aumentar, pois o pagamento do auxílio, embora seu valor tenha se reduzido pela metade, vai acabar em dezembro. “Agora, as pessoas estão mais acomodadas para procurar emprego, graças ao benefício do governo. No início do ano que vem, deverá haver forte movimentação na busca por trabalho, mas, até que o mercado reaja, o endividamento deverá subir”, sentencia.


Feirão prevê quitar 10 mi de dívidas

Quem deseja aproveitar o 13º salário para quitar dívidas, tem até o dia 30 para negociar junto ao Feirão Serasa. Segundo o gerente Tiago Marchese, é possível conseguir obter desconto de até 99%. Neste ano, a ação pretende sanar 10 milhões de contas em haver. O gerente da Serasa diz que é o maior volume já renegociado pela iniciativa, que está em sua 26ª edição. Em novembro de 2019, para se ter ideia, o número ficou em 3 milhões. “É que desta vez conseguimos trazer número maior de empresas parceiras para o feirão. São 50. Até então, o maior volume havia sido de 40 delas”, conta.

Segundo Marchese, houve o caso de um senhor que tinha dívida de R$ 30 mil e, segundo ele, conseguiu reduzir o montante a R$ 600, parcelados em oito vezes. Neste caso, foi aplicado desconto de 98%. “As companhias oferecem os maiores abatimentos naqueles valores que já consideravam como perdidos. De contas mais antigas e, portanto, o que entrar é apenas para prestar contas”, avalia. “Por isso vale a pena aproveitar e negociar com as empresas. Além de deixar a dívida para trás, ainda consegue limpar o nome.”

As empresas são: Itaú, Banco do Brasil, Recovery, Claro, Santander, Vivo, Casas Bahia, Pontofrio, Renner, Riachuelo, Pernambucanas, Avon, Bradesco, Carrefour, Porto Seguro, Ativos, Oi, Itapeva, Anhanguera, Sky, Credsystem, Banco BMG, Digio, Zema, Crefisa, Ipanema, Unopar, Hoepers, Tricard, Tribanco, Di Santinni, Calcard, Confiança, Algar, Unic, Fama, Pitágoras, Sorocard, Uniderp, Unime, Hipercard, Conect Car, Elmo, Tenda, Energisa, Cetelem, Havan, Quatro Estações, CPFL, RGE, PagBank, Light, Nosso Lar, Novo Mundo, Koerich, Kredili, Mundial Mix e Cemig.

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