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Mobilidade sustentável é a chave para o futuro das cidades


Wilson Marini
Da APJ

29/10/2020 | 00:39


A população urbana mundial vai ultrapassar os seis bilhões até 2045. Muito desse crescimento vai acontecer em países como o Brasil. Dá para antever que as nossas cidades precisam começar a pensar em soluções para desafios de transporte, saneamento, abastecimento de água, infraestrutura em geral, transporte e energia. O que será das cidades nos próximos anos? Quais são os maiores desafios urbanos a serem enfrentados? No ritmo alucinado da urbanização, 90% da população mundial deve se concentrar em grandes cidades até o ano de 2050, de acordo com projeção recente da ONU. Com base nesse dado, especialistas reunidos no Summit Mobilidade 2020, o maior evento do setor no país, debateram propostas inovadoras que estão sendo experimentadas em diversas cidades, inclusive no Brasil. Nesse contexto, a circulação de pessoas surge como um gargalo dessa inevitável transformação. Como solução, emerge uma saída: planejar desde já a mobilidade urbana sustentável. Esse conceito desponta como uma chave para o futuro das cidades que deve ser planejada desde já.

Esvaziamento rural
Na década de 1960, o Brasil ainda era mais rural que urbano. O censo do IBGE de 1970, ano da conquista do tricampeonato de futebol, selou a virada demográfica: pela primeira vez a maioria da população passou a habitar em cidades, como efeito do êxodo do campo estimulado pelo processo de industrialização a toque de caixa. Algumas cidades do Interior Paulista, como Campinas, registraram as suas primeiras favelas já nas décadas de 1970 e 1980.

Aquecimento global
Segundo o Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema), os automóveis eram responsáveis em 2017 por 72,6% das emissões de gases do efeito estufa, causador do efeito estufa, que é associado ao aquecimento global. Na capital paulista, por exemplo, os carros levam 30% dos passageiros, mas são responsáveis por 73% desse gás. “Pensar na aplicação da sustentabilidade na mobilidade urbana se transformou em uma enorme necessidade para aumentar a qualidade de vida nas grandes cidades”, divulgaram os organizadores do evento. “Na tentativa de diminuir os níveis de emissão de gás carbônico (CO2) na atmosfera, é importante que iniciativas como o aumento da frota de carros elétricos e a readequação do transporte público surjam como alternativas para o futuro das metrópoles”.

Vias exclusivas para ônibus
No Brasil, alguns projetos chamam atenção por aplicarem os conceitos de sustentabilidade na mobilidade urbana, segundo divulgação do evento pelo jornal O Estado de S. Paulo. Uma das principais referências vem de Curitiba, que nos anos 1980 deu os primeiros passos para inovar no transporte público com a criação de vias exclusivas para ônibus e de terminais integrados, nos quais passageiros podem fazer a transferência de locomoção pagando uma única passagem. Chamada de ônibus de trânsito rápido (BRT), a iniciativa serve de modelo a outras cidades do país: uma centena já apresentam projetos similares. Com a pandemia, a prefeitura estabeleceu que os ônibus deverão circular apenas com passageiros sentados e mediante lotação, apenas fazendo paradas para o desembarque dos usuários.

Carro elétrico
Outra pioneira destacada no evento é Fortaleza, onde surgiram os Veículos Alternativos para Mobilidade (Vamo). O projeto oferece 20 carros elétricos em 5 pontos de distribuição, nos quais os usuários pagam uma tarifa para poderem utilizar os veículos não poluentes por um período específico. Além disso, a cidade adotar o projeto em que bicicletas públicas são uma opção de transporte sustentável e não poluente.

Resgate
Itu transformou uma das principais vias de seu centro histórico em uma rua compartilhada para aumentar a circulação de pedestres e revitalizar a área central. Seis quadras da antiga Rua do Comércio foram redefinidas.

Importância dos pedestres
Florianópolis anunciou algumas intervenções para reverter a imagem de cidade complicada para circular. Uma medida é a redução de velocidade dos veículos motorizados e criação de ambientes públicos mais seguros para pedestres e ciclistas. A prefeitura planeja implantar 80 quilômetros de ciclovias. A reinauguração da ponte Hercílio Luz permitiu a reabertura da via para ciclistas e pedestres e gerou grande impacto para a mobilidade. Apenas nos primeiros cinco dias após a reinauguração, mais de 1 milhão de pessoas cruzaram a ponte. A via estava fechada para pedestres e ônibus desde 1991.

No mundo
Conheça alguns projetos interessantes no exterior:
? Em Pontevedra, na Espanha, 70% de todos os deslocamentos na cidade são feitos por meio da mobilidade ativa: a pé ou de bicicleta. A cidade optou por amplas calçadas.
? Lima, a capital peruana, em plena quarentena decidiu expandir em 46 quilômetros a infraestrutura cicloviária. Em agosto, circularam mais de 102 mil ciclistas pela malha de quase 300 quilômetros de ciclovias.
? Cuenca, terceira maior cidade do Equador, adotou políticas firmes de subsídio ao transporte coletivo, que são ainda maiores para quem usa com frequência, de forma a estimular a mudança de hábitos de mobilidade centrados no carro particular. 



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Mobilidade sustentável é a chave para o futuro das cidades

Wilson Marini
Da APJ

29/10/2020 | 00:39


A população urbana mundial vai ultrapassar os seis bilhões até 2045. Muito desse crescimento vai acontecer em países como o Brasil. Dá para antever que as nossas cidades precisam começar a pensar em soluções para desafios de transporte, saneamento, abastecimento de água, infraestrutura em geral, transporte e energia. O que será das cidades nos próximos anos? Quais são os maiores desafios urbanos a serem enfrentados? No ritmo alucinado da urbanização, 90% da população mundial deve se concentrar em grandes cidades até o ano de 2050, de acordo com projeção recente da ONU. Com base nesse dado, especialistas reunidos no Summit Mobilidade 2020, o maior evento do setor no país, debateram propostas inovadoras que estão sendo experimentadas em diversas cidades, inclusive no Brasil. Nesse contexto, a circulação de pessoas surge como um gargalo dessa inevitável transformação. Como solução, emerge uma saída: planejar desde já a mobilidade urbana sustentável. Esse conceito desponta como uma chave para o futuro das cidades que deve ser planejada desde já.

Esvaziamento rural
Na década de 1960, o Brasil ainda era mais rural que urbano. O censo do IBGE de 1970, ano da conquista do tricampeonato de futebol, selou a virada demográfica: pela primeira vez a maioria da população passou a habitar em cidades, como efeito do êxodo do campo estimulado pelo processo de industrialização a toque de caixa. Algumas cidades do Interior Paulista, como Campinas, registraram as suas primeiras favelas já nas décadas de 1970 e 1980.

Aquecimento global
Segundo o Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema), os automóveis eram responsáveis em 2017 por 72,6% das emissões de gases do efeito estufa, causador do efeito estufa, que é associado ao aquecimento global. Na capital paulista, por exemplo, os carros levam 30% dos passageiros, mas são responsáveis por 73% desse gás. “Pensar na aplicação da sustentabilidade na mobilidade urbana se transformou em uma enorme necessidade para aumentar a qualidade de vida nas grandes cidades”, divulgaram os organizadores do evento. “Na tentativa de diminuir os níveis de emissão de gás carbônico (CO2) na atmosfera, é importante que iniciativas como o aumento da frota de carros elétricos e a readequação do transporte público surjam como alternativas para o futuro das metrópoles”.

Vias exclusivas para ônibus
No Brasil, alguns projetos chamam atenção por aplicarem os conceitos de sustentabilidade na mobilidade urbana, segundo divulgação do evento pelo jornal O Estado de S. Paulo. Uma das principais referências vem de Curitiba, que nos anos 1980 deu os primeiros passos para inovar no transporte público com a criação de vias exclusivas para ônibus e de terminais integrados, nos quais passageiros podem fazer a transferência de locomoção pagando uma única passagem. Chamada de ônibus de trânsito rápido (BRT), a iniciativa serve de modelo a outras cidades do país: uma centena já apresentam projetos similares. Com a pandemia, a prefeitura estabeleceu que os ônibus deverão circular apenas com passageiros sentados e mediante lotação, apenas fazendo paradas para o desembarque dos usuários.

Carro elétrico
Outra pioneira destacada no evento é Fortaleza, onde surgiram os Veículos Alternativos para Mobilidade (Vamo). O projeto oferece 20 carros elétricos em 5 pontos de distribuição, nos quais os usuários pagam uma tarifa para poderem utilizar os veículos não poluentes por um período específico. Além disso, a cidade adotar o projeto em que bicicletas públicas são uma opção de transporte sustentável e não poluente.

Resgate
Itu transformou uma das principais vias de seu centro histórico em uma rua compartilhada para aumentar a circulação de pedestres e revitalizar a área central. Seis quadras da antiga Rua do Comércio foram redefinidas.

Importância dos pedestres
Florianópolis anunciou algumas intervenções para reverter a imagem de cidade complicada para circular. Uma medida é a redução de velocidade dos veículos motorizados e criação de ambientes públicos mais seguros para pedestres e ciclistas. A prefeitura planeja implantar 80 quilômetros de ciclovias. A reinauguração da ponte Hercílio Luz permitiu a reabertura da via para ciclistas e pedestres e gerou grande impacto para a mobilidade. Apenas nos primeiros cinco dias após a reinauguração, mais de 1 milhão de pessoas cruzaram a ponte. A via estava fechada para pedestres e ônibus desde 1991.

No mundo
Conheça alguns projetos interessantes no exterior:
? Em Pontevedra, na Espanha, 70% de todos os deslocamentos na cidade são feitos por meio da mobilidade ativa: a pé ou de bicicleta. A cidade optou por amplas calçadas.
? Lima, a capital peruana, em plena quarentena decidiu expandir em 46 quilômetros a infraestrutura cicloviária. Em agosto, circularam mais de 102 mil ciclistas pela malha de quase 300 quilômetros de ciclovias.
? Cuenca, terceira maior cidade do Equador, adotou políticas firmes de subsídio ao transporte coletivo, que são ainda maiores para quem usa com frequência, de forma a estimular a mudança de hábitos de mobilidade centrados no carro particular. 

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