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Queda do dólar perde fôlego com impasse sobre pacote de estímulos nos EUA



22/10/2020 | 17:58


O mercado doméstico de câmbio operou nesta quinta-feira focado no exterior, na expectativa por desdobramentos positivos que levem a aprovação de um pacote de estímulo nos Estados Unidos, o que daria fôlego não só à economia americana, mas também mundial. A moeda americana caiu ante divisas emergentes, sobretudo as da América Latina, e perante o real, chegou a recuar a R$ 5,56, com a declaração da presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, de que as partes estão "quase lá". Mas perto do fechamento, com a falta de novidades sobre as negociações, a queda perdeu fôlego e a moeda americana voltou a rondar a casa dos R$ 5,60, também com a questão fiscal doméstica se mantendo no radar.

No fechamento, o dólar à vista encerrou em queda de 0,36%, cotado em R$ 5,5942. Já no mercado futuro, o dólar para novembro era negociado em baixa de 0,27%, aos R$ 5,6955 às 17h, em dia de liquidez especialmente fraca.

Apesar do clima de otimismo por mais um dia nos mercados, principalmente no Ibovespa, com o possível acordo, entre analistas e economistas a visão é mais de ceticismo. "As negociações continuam hoje, mas um pacote antes da eleição é improvável", observam os estrategistas da LPL Financial. "As perspectivas de um acordo pré-eleitoral estão diminuindo", destacam os analistas do banco NatWest.

O noticiário em Brasília foi monitorado, e agradou a intenção do Senado de pautar medidas econômicas na próxima semana, além da intenção de votar a autonomia do Banco Central até o dia 3 de novembro, prevista para ter ocorrido ontem. Mas na falta de desdobramentos concretos, e com o impasse em Washington, a disposição dos parlamentares foi incapaz de fazer o real se fortalecer de forma sustentada, com o risco fiscal seguindo no radar das mesas de operação. Assim, o dólar seguiu oscilando nos níveis das últimas semanas, entre R$ 5,55 e R$ 5,65.

Sobre o cenário fiscal, o economista para a América Latina da Oxford Economics, Felipe Camargo, ressalta que o Brasil não tem condições de sustentar endividamento tão alto, bem acima do de outros emergentes. Por isso, a preocupação é crescente com a possibilidade de rebaixamento do rating soberano.

No exterior, o dólar teve dia de recuperação ante divisas fortes, após cair ontem para o menor patamar desde o início de setembro. Além do pacote de estímulo, as atenções ficaram voltadas para o debate final entre Donald Trump e Joe Biden, previsto para começar às 22 horas desta quinta-feira (pelo horário de Brasília).

O analista em Nova York de mercado financeiro da Oanda, Edward Moya, destaca, em nota, que o embate entre os dois candidatos será uma chance para clarear as coisas para os 8% dos americanos que ainda se declaram indecisos.



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Queda do dólar perde fôlego com impasse sobre pacote de estímulos nos EUA


22/10/2020 | 17:58


O mercado doméstico de câmbio operou nesta quinta-feira focado no exterior, na expectativa por desdobramentos positivos que levem a aprovação de um pacote de estímulo nos Estados Unidos, o que daria fôlego não só à economia americana, mas também mundial. A moeda americana caiu ante divisas emergentes, sobretudo as da América Latina, e perante o real, chegou a recuar a R$ 5,56, com a declaração da presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, de que as partes estão "quase lá". Mas perto do fechamento, com a falta de novidades sobre as negociações, a queda perdeu fôlego e a moeda americana voltou a rondar a casa dos R$ 5,60, também com a questão fiscal doméstica se mantendo no radar.

No fechamento, o dólar à vista encerrou em queda de 0,36%, cotado em R$ 5,5942. Já no mercado futuro, o dólar para novembro era negociado em baixa de 0,27%, aos R$ 5,6955 às 17h, em dia de liquidez especialmente fraca.

Apesar do clima de otimismo por mais um dia nos mercados, principalmente no Ibovespa, com o possível acordo, entre analistas e economistas a visão é mais de ceticismo. "As negociações continuam hoje, mas um pacote antes da eleição é improvável", observam os estrategistas da LPL Financial. "As perspectivas de um acordo pré-eleitoral estão diminuindo", destacam os analistas do banco NatWest.

O noticiário em Brasília foi monitorado, e agradou a intenção do Senado de pautar medidas econômicas na próxima semana, além da intenção de votar a autonomia do Banco Central até o dia 3 de novembro, prevista para ter ocorrido ontem. Mas na falta de desdobramentos concretos, e com o impasse em Washington, a disposição dos parlamentares foi incapaz de fazer o real se fortalecer de forma sustentada, com o risco fiscal seguindo no radar das mesas de operação. Assim, o dólar seguiu oscilando nos níveis das últimas semanas, entre R$ 5,55 e R$ 5,65.

Sobre o cenário fiscal, o economista para a América Latina da Oxford Economics, Felipe Camargo, ressalta que o Brasil não tem condições de sustentar endividamento tão alto, bem acima do de outros emergentes. Por isso, a preocupação é crescente com a possibilidade de rebaixamento do rating soberano.

No exterior, o dólar teve dia de recuperação ante divisas fortes, após cair ontem para o menor patamar desde o início de setembro. Além do pacote de estímulo, as atenções ficaram voltadas para o debate final entre Donald Trump e Joe Biden, previsto para começar às 22 horas desta quinta-feira (pelo horário de Brasília).

O analista em Nova York de mercado financeiro da Oanda, Edward Moya, destaca, em nota, que o embate entre os dois candidatos será uma chance para clarear as coisas para os 8% dos americanos que ainda se declaram indecisos.

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