Setecidades Titulo Meio Ambiente

Túnel Santa Luzia evita
corte de 450 mil m² de mata

Passagem integra Trecho Leste do Rodoanel em Ribeirão
Pires; área equivale a cerca de três estádios do Maracanã

17/05/2012 | 07:00
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 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A construção do Túnel Santa Luzia, em Ribeirão Pires, que integra o Trecho Leste do Rodoanel Mario Covas, irá evitar o desmatamento de 450 mil metros quadrados de área verde no município. Se fosse implementada pista convencional, no mesmo traçado, o impacto ambiental seria bem maior. O total da área equivale a cerca de três estádios do Maracanã.

A informação foi dada por José Alberto Bethônico, diretor de engenharia da SPMar, concessionária responsável pelas obras do trecho, durante visita realizada às obras do túnel na manhã de ontem.

A passagem subterrânea, que terá duas pistas de 1.080 metros de comprimento com três faixas de rolagem cada, já têm cerca de 30% dos trabalhos concluídos. Foram escavados 330 metros da pedreira localizada no bairro Pilar Velho para a construção de uma mão da via e 315 para outra. Segundo Bethônico, foram retirados 105 mil metros cúbicos de pedras do local.

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Todo o material gerado nas detonações, geralmente descartado, será reaproveitado, evitando trânsito de caminhões e consequentes circulação de veículos pesados pelas ruas da cidade. "Vamos aproveitar o material bruto em toda a obra. Isso serve para que o impacto na vizinhança seja o menor possível", diretor da concessionária.

EXPLOSÕES
São realizadas duas detonações por dia em cada lado do túnel, utilizando dois quilos de explosivos por metro cúbico. Por dia, o trecho é prolongado em aproximadamente sete metros. "Se for só rocha pura, sem mistura de solo, a eficiência é maior. A detonação gera grande expansão de gases em curto espaço de tempo. O efeito só é efetivo se a pedra for bruta", relatou Bethônico.

No início das obras, a população que vive próxima ao local reclamou que as explosões estavam sendo realizadas durante a madrugada. Atualmente, o trabalho não é mais realizado das 22h às 6h. "Na licença estadual emitida não constava esta proibição. Porém, fomos informados que existiam leis municipais que deveriam ser respeitadas. Depois disso, não fizemos mais o serviço fora do horário estipulado na legislação da cidade. Apenas nos primeiros dias de trabalho isso ocorreu."

A previsão é que as escavações sejam finalizadas, no máximo, até dezembro. No entanto, a expectativa é de que o túnel seja concluído em outubro de 2013. A SPMar está investindo R$ 196 milhões na obra; foram gerados 125 empregos diretos.

Desapropriações terão redução de 30%

A SPMar informou que a otimização do projeto executivo conseguiu reduzir 30% das desapropriações que estavam previstas para toda extensão do Trecho Leste do Rodoanel Mario Covas. Inicialmente, a intenção era utilizar 1.091 áreas em toda extensão do trecho, ou 4,1 milhões de metros quadrados. Agora, a expectativa é desapropriar cerca de 700 propriedades.

Segundo a concessionária, o projeto, definido no contrato de concessão e de acordo com DUP (Decreto de Utilidade Pública), determinou qual deve ser o eixo da rodovia, delimitando largura limite de 100 metros para cada lado, totalizando 200 metros. A faixa de domínio final da rodovia, o que será efetivamente utilizado para construção das duas pistas, terá largura média de 130 metros.

Com isso, a concessionária utiliza essa diferença de 70 metros, entre a faixa do DUP e a faixa de domínio final, para poder realizar pequenas alterações de trajeto em função de particularidades localizadas, como rios e áreas de preservação, além de diminuir o número de imóveis que serão desapropriados.

Do total previsto, 29,7% da área a ser utilizada no Trecho Leste já teve posse decretadas, tanto nos processos amigáveis quanto nos processos judiciais. Os números são relacionados a todas as cidades que receberão a rodovia: Ribeirão Pires, Mauá, Suzano e Poá. A concessionária não soube informar quantas áreas foram reintegradas nas duas cidades do Grande ABC.

Descontentes com os valores oferecidos pelos imóveis, os moradores da Vila Suely, em Ribeirão Pires, decidiram recorrer à Justiça. "Querem me dar R$106 mil, mas minha casa vale R$350 mil. Procurei advogado e o juiz vai determinar o valor", afirmou Marcelo Silva Santos, funcionário público, de 49 anos.




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