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Barão de Mauá, a avenida do comércio e das praças

DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Símbolo mauaense, paineira marca raros espaços de calmaria em meio a uma via movimentada


Bia Moço
Diário do Grande ABC

18/10/2020 | 23:59


Basta andar alguns metros dos 6,7 quilômetros da Avenida Barão de Mauá, no Centro de Mauá, para se deparar com três praças que quebram a sensação de centro comercial da via. As pequenas áreas verdes, porém, não passam desapercebidas pela população e acabam sendo até mesmo um local de refúgio em meio a cidade agitada.

Logo no início, uma grande paineira, na qual as pessoas param para olhar e até mesmo fotografar, chama a atenção. Pedestres e comerciantes orgulham-se de a árvore ser reconhecida como símbolo da cidade e, por isso, ter importância histórica na via. O decreto municipal 2.072, de 1978, reconhece o exemplar como monumento e confirma a fama que o espaço leva nas ruas. Tudo está, inclusive, destacado no site da Prefeitura, onde se diz que a paineira “foi declarada a árvore-símbolo do município”.

O local em que ela foi plantada, batizado como Praça da Paineira, fica ao lado da Praça Teotônio Villela e, andando um pouco mais, bem no meio da avenida tem também a Praça da Bíblia e, assim, o logradouro movimentado reúne pequenos pedaços de calmaria.

Na Praça da Bíblia, além dos munícipes descansando, a equipe de reportagem encontrou um senhor conhecido por seus colegas como Relíquia, não só da via, mas também da cidade. Prestes a completar 82 anos, o taxista Brasílio Luiz Tonussi, que trabalha há três décadas no ponto de táxi que fica na praça, contou sobre as mudanças pelas quais a via passou desde que ele chegou na cidade, em 26 de agosto de 1954.

“Aos 15 anos, cheguei em Mauá, vindo de Boituva, no Interior. Mudei de cidade com meus pais e irmãos. Dos oito filhos, quatro ainda são vivos e três permaneceram em Mauá, assim como eu, que fiz minha vida e criei minha família aqui”, contou orgulhoso, revelando ter três netos.

Brasílio, como também é chamado, explicou que, naquela época, a Barão de Mauá em nada se assemelha com o que é hoje. No lugar do asfalto, sua memória guarda um vasto caminho de barro. Já ao longo da via, tomada por comércios diversos, casas e terrenos faziam do centro comercial uma área tranquila e de moradia. Na Praça da Bíblia, além de residências havia uma pequena rodoviária. “O ponto de táxi era na Rua Manoel Pedro Júnior, aqui do lado. Quando me aposentei em montadora, aos 45 anos, vim trabalhar como taxista. Mas em 1987 o ponto já estava aqui, e a praça já existia havia uns dez anos mais ou menos”, lembrou.

De acordo com Brasílio, até meados de 1970 o endereço mantinha as características antigas, quando começou a ganhar paralelepípedos e, em 1982, passou a ser asfaltada. “Mas foi mesmo por volta de 1960 que começou a melhorar. Não era esse mesmo visual. Hoje é difícil até andar na Barão de Mauá, de tanto movimento que existe”, contou o taxista.

Morador da Vila Bocaina depois de ter desembarcado na Vila Augusto, seu Brasílio garante que conhece bem Mauá e que a cidade faz parte da sua trajetória. Além disso, desde que começou a trabalhar como taxista, “rodou todos os pontos do município” e, o que ainda não tinha visto, hoje sabe “de cor”. “Quase que toda minha vida foi aqui em Mauá e, há 33 anos trabalho na Barão. Acho que a via, assim como a cidade, foi se adequando ao tempo, às tecnologias, e ao mundo moderno”, finalizou, afirmando que, em breve, pretende parar de trabalhar. “Já deu né? Quero vender meu ponto e meu carro, o que tive de adiar com a pandemia da Covid-19. Mas posso dizer que o taxi é um lazer maravilhoso para mim e me fez muito feliz ao longo dessas três décadas”, assumiu emocionado.

Comida o dia todo faz fama de restaurante

Dentre os diversos comércios da Avenida Barão de Mauá, o Bar do Jabá, no número 2.450, é destacado como o ‘queridinho’ da população, sobretudo quando o assunto é comida fresca a qualquer hora do dia.

O restaurante abre às 11h e recebe, todos os dias, alto movimento de clientes, seja de comerciantes ou moradores do logradouro, que escolhem o espaço por gosto ou até pessoas que passam pela avenida e param para uma refeição. 

Proprietário do espaço, Damião de Freitas Silva, 58 anos, contou que o prato mais pedido, como o nome mesmo já diz, é a carne seca. Mas o trivial arroz, feijão, bife e batata frita é concorrente forte. “Aqui as pessoas encontram comida fresca o dia todinho e, por isso, não tem um horário mais forte. Todos são bons”, contou Silva.

Segundo o comerciante, Mauá é “a melhor cidade para ter um comércio”. Vindo de Almino Afonso, município do Rio Grande do Norte, há 15 anos, Silva garante que sua escolha foi “a melhor”. “Nos últimos anos a Barão de Mauá evoluiu muito. Com os comércios teve mais movimento. No início, quando abri aqui, em 2002, cozinhava cerca de dois quilos de arroz e sobrava”, revelou, elogiando os avanços da cidade.

Orgulhoso, Silva contou sobre a clientela fiel que conquistou ao longo destes 18 anos. “O meu espaço era bem menor e, com o tempo, fui crescendo. Hoje tenho até um amplo salão na parte superior que pode ser alugado para festas. Fiz grande amigos e tenho uma clientela muito boa”, disse, apresentando um dos “irmãos” que fez com o estabelecimento.

Proprietário da DKS Bikes, também na Barão, há 30 anos, Cezar Daneliczen, 58, contou que almoça no Bar do Jabá todos os dias, desde a inauguração. “A comida é muito boa e o Damião é meu conhecido de longa data. Adoro comer aqui”, disse, revelando que, ao chegar, os funcionários já fazem seu prato antes mesmo de pedir. “Já sabem o que eu gosto. O trivial”, brincou.

Daneliczen compartilha da opinião de Silva e garante que “para quem quer investir em comércio, a Barão de Mauá é o lugar”. “A avenida virou referência comercial de Mauá. É um lugar que encontra de tudo”, finalizou Daneliczen.

Via que era ‘point’ dos jovens tornou-se centro comercial 

A trajetória da Avenida Barão de Mauá, no Centro do município mauaense, está na memória do casal Antônio Calchi, 76 anos, e Maria Imaculada de Santana Calchi, 68, que revelaram que a via antes era conhecida como point dos jovens e, hoje, se tornou “o maior centro comercial da cidade”.

Seu Antônio, com pouco mais de um ano de idade, mudou-se de Severínia, no Interior, para a cidade onde criou raízes. Já Maria saiu de Pernambuco e chegou no município aos 13 anos. Ao receberem a equipe de reportagem do Diário, o casal reviveu lembranças do local, onde Antônio manteve um bar e mercearia por mais de 20 anos. “A Barão de Mauá era só barro. Não tinha nada. Tinha até represa aqui e o rio, que hoje fica atrás da avenida, passava no seu meio, eu nadava lá”, contou.

O casal lembrou momentos da juventude, recordando que, onde hoje fica o calçadão, no início da via, os adolescentes de antigamente faziam o chamado “vai e vem”. “De domingo, os jovens iam passear ali, ficavam andando. Era o point”, explicou Antônio.

Maria, por sua vez, guarda em sua memória o Carnaval, que ocorria em um salão, e o pequeno cinema da Barão de Mauá. “Tinha também a fonte luminosa. Era muito gostoso morar e passear aqui. Um lugar bem tranquilo e com pouca gente”, afirmou.

Segundo o casal, há pouco mais de 15 anos o comércio “tomou conta” do logradouro e tornou-se o centro comercial de Mauá, levando movimento e modificando o espaço. “Hoje tem estabelecimento de uma ponta a outra” disse seu Antônio. “Não tinha nem comunidade aqui. Hoje, a Barão é cercada. Mudou tudo”, lamentou Maria.

Professora aposentada, ela reforça que, apesar de “amar” a cidade, acredita que Mauá carece “de muita coisa”. “Em vista do que era, a cidade precisa se transformar. É necessário investimento em diversas áreas mas, principalmente, na educação. Um cidadão educado pensa duas vezes antes de fazer mal a alguém, e isso reflete na segurança também”, desabafou, afirmando ainda que a cidade merece um sistema de saúde adequado. 

Aproveitando o momento político, já que as eleições municipais estão prestes a acontecer, Maria faz um apelo. “Os políticos precisam ter mais responsabilidade com a nossa cidade”, finalizou.



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Barão de Mauá, a avenida do comércio e das praças

Símbolo mauaense, paineira marca raros espaços de calmaria em meio a uma via movimentada

Bia Moço
Diário do Grande ABC

18/10/2020 | 23:59


Basta andar alguns metros dos 6,7 quilômetros da Avenida Barão de Mauá, no Centro de Mauá, para se deparar com três praças que quebram a sensação de centro comercial da via. As pequenas áreas verdes, porém, não passam desapercebidas pela população e acabam sendo até mesmo um local de refúgio em meio a cidade agitada.

Logo no início, uma grande paineira, na qual as pessoas param para olhar e até mesmo fotografar, chama a atenção. Pedestres e comerciantes orgulham-se de a árvore ser reconhecida como símbolo da cidade e, por isso, ter importância histórica na via. O decreto municipal 2.072, de 1978, reconhece o exemplar como monumento e confirma a fama que o espaço leva nas ruas. Tudo está, inclusive, destacado no site da Prefeitura, onde se diz que a paineira “foi declarada a árvore-símbolo do município”.

O local em que ela foi plantada, batizado como Praça da Paineira, fica ao lado da Praça Teotônio Villela e, andando um pouco mais, bem no meio da avenida tem também a Praça da Bíblia e, assim, o logradouro movimentado reúne pequenos pedaços de calmaria.

Na Praça da Bíblia, além dos munícipes descansando, a equipe de reportagem encontrou um senhor conhecido por seus colegas como Relíquia, não só da via, mas também da cidade. Prestes a completar 82 anos, o taxista Brasílio Luiz Tonussi, que trabalha há três décadas no ponto de táxi que fica na praça, contou sobre as mudanças pelas quais a via passou desde que ele chegou na cidade, em 26 de agosto de 1954.

“Aos 15 anos, cheguei em Mauá, vindo de Boituva, no Interior. Mudei de cidade com meus pais e irmãos. Dos oito filhos, quatro ainda são vivos e três permaneceram em Mauá, assim como eu, que fiz minha vida e criei minha família aqui”, contou orgulhoso, revelando ter três netos.

Brasílio, como também é chamado, explicou que, naquela época, a Barão de Mauá em nada se assemelha com o que é hoje. No lugar do asfalto, sua memória guarda um vasto caminho de barro. Já ao longo da via, tomada por comércios diversos, casas e terrenos faziam do centro comercial uma área tranquila e de moradia. Na Praça da Bíblia, além de residências havia uma pequena rodoviária. “O ponto de táxi era na Rua Manoel Pedro Júnior, aqui do lado. Quando me aposentei em montadora, aos 45 anos, vim trabalhar como taxista. Mas em 1987 o ponto já estava aqui, e a praça já existia havia uns dez anos mais ou menos”, lembrou.

De acordo com Brasílio, até meados de 1970 o endereço mantinha as características antigas, quando começou a ganhar paralelepípedos e, em 1982, passou a ser asfaltada. “Mas foi mesmo por volta de 1960 que começou a melhorar. Não era esse mesmo visual. Hoje é difícil até andar na Barão de Mauá, de tanto movimento que existe”, contou o taxista.

Morador da Vila Bocaina depois de ter desembarcado na Vila Augusto, seu Brasílio garante que conhece bem Mauá e que a cidade faz parte da sua trajetória. Além disso, desde que começou a trabalhar como taxista, “rodou todos os pontos do município” e, o que ainda não tinha visto, hoje sabe “de cor”. “Quase que toda minha vida foi aqui em Mauá e, há 33 anos trabalho na Barão. Acho que a via, assim como a cidade, foi se adequando ao tempo, às tecnologias, e ao mundo moderno”, finalizou, afirmando que, em breve, pretende parar de trabalhar. “Já deu né? Quero vender meu ponto e meu carro, o que tive de adiar com a pandemia da Covid-19. Mas posso dizer que o taxi é um lazer maravilhoso para mim e me fez muito feliz ao longo dessas três décadas”, assumiu emocionado.

Comida o dia todo faz fama de restaurante

Dentre os diversos comércios da Avenida Barão de Mauá, o Bar do Jabá, no número 2.450, é destacado como o ‘queridinho’ da população, sobretudo quando o assunto é comida fresca a qualquer hora do dia.

O restaurante abre às 11h e recebe, todos os dias, alto movimento de clientes, seja de comerciantes ou moradores do logradouro, que escolhem o espaço por gosto ou até pessoas que passam pela avenida e param para uma refeição. 

Proprietário do espaço, Damião de Freitas Silva, 58 anos, contou que o prato mais pedido, como o nome mesmo já diz, é a carne seca. Mas o trivial arroz, feijão, bife e batata frita é concorrente forte. “Aqui as pessoas encontram comida fresca o dia todinho e, por isso, não tem um horário mais forte. Todos são bons”, contou Silva.

Segundo o comerciante, Mauá é “a melhor cidade para ter um comércio”. Vindo de Almino Afonso, município do Rio Grande do Norte, há 15 anos, Silva garante que sua escolha foi “a melhor”. “Nos últimos anos a Barão de Mauá evoluiu muito. Com os comércios teve mais movimento. No início, quando abri aqui, em 2002, cozinhava cerca de dois quilos de arroz e sobrava”, revelou, elogiando os avanços da cidade.

Orgulhoso, Silva contou sobre a clientela fiel que conquistou ao longo destes 18 anos. “O meu espaço era bem menor e, com o tempo, fui crescendo. Hoje tenho até um amplo salão na parte superior que pode ser alugado para festas. Fiz grande amigos e tenho uma clientela muito boa”, disse, apresentando um dos “irmãos” que fez com o estabelecimento.

Proprietário da DKS Bikes, também na Barão, há 30 anos, Cezar Daneliczen, 58, contou que almoça no Bar do Jabá todos os dias, desde a inauguração. “A comida é muito boa e o Damião é meu conhecido de longa data. Adoro comer aqui”, disse, revelando que, ao chegar, os funcionários já fazem seu prato antes mesmo de pedir. “Já sabem o que eu gosto. O trivial”, brincou.

Daneliczen compartilha da opinião de Silva e garante que “para quem quer investir em comércio, a Barão de Mauá é o lugar”. “A avenida virou referência comercial de Mauá. É um lugar que encontra de tudo”, finalizou Daneliczen.

Via que era ‘point’ dos jovens tornou-se centro comercial 

A trajetória da Avenida Barão de Mauá, no Centro do município mauaense, está na memória do casal Antônio Calchi, 76 anos, e Maria Imaculada de Santana Calchi, 68, que revelaram que a via antes era conhecida como point dos jovens e, hoje, se tornou “o maior centro comercial da cidade”.

Seu Antônio, com pouco mais de um ano de idade, mudou-se de Severínia, no Interior, para a cidade onde criou raízes. Já Maria saiu de Pernambuco e chegou no município aos 13 anos. Ao receberem a equipe de reportagem do Diário, o casal reviveu lembranças do local, onde Antônio manteve um bar e mercearia por mais de 20 anos. “A Barão de Mauá era só barro. Não tinha nada. Tinha até represa aqui e o rio, que hoje fica atrás da avenida, passava no seu meio, eu nadava lá”, contou.

O casal lembrou momentos da juventude, recordando que, onde hoje fica o calçadão, no início da via, os adolescentes de antigamente faziam o chamado “vai e vem”. “De domingo, os jovens iam passear ali, ficavam andando. Era o point”, explicou Antônio.

Maria, por sua vez, guarda em sua memória o Carnaval, que ocorria em um salão, e o pequeno cinema da Barão de Mauá. “Tinha também a fonte luminosa. Era muito gostoso morar e passear aqui. Um lugar bem tranquilo e com pouca gente”, afirmou.

Segundo o casal, há pouco mais de 15 anos o comércio “tomou conta” do logradouro e tornou-se o centro comercial de Mauá, levando movimento e modificando o espaço. “Hoje tem estabelecimento de uma ponta a outra” disse seu Antônio. “Não tinha nem comunidade aqui. Hoje, a Barão é cercada. Mudou tudo”, lamentou Maria.

Professora aposentada, ela reforça que, apesar de “amar” a cidade, acredita que Mauá carece “de muita coisa”. “Em vista do que era, a cidade precisa se transformar. É necessário investimento em diversas áreas mas, principalmente, na educação. Um cidadão educado pensa duas vezes antes de fazer mal a alguém, e isso reflete na segurança também”, desabafou, afirmando ainda que a cidade merece um sistema de saúde adequado. 

Aproveitando o momento político, já que as eleições municipais estão prestes a acontecer, Maria faz um apelo. “Os políticos precisam ter mais responsabilidade com a nossa cidade”, finalizou.

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