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Professores se reinventam e incluem tecnologia na rotina

Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Profissionais tiveram que superar desafios impostos pela suspensão das aulas presenciais


Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

15/10/2020 | 07:00


A pandemia da Covid-19 impôs desafios a todas as categorias profissionais, mas talvez entre os professores o nível de exigência tenha sido dos maiores. Hoje, dia 15 de outubro, data em que se homenageia os docentes, os profissionais relatam medos, incertezas e conquistas, desde quando, no meio de março, as aulas presenciais foram suspensas e substituídas pela educação a distância.

Professora de rede estadual em São Bernardo, Marilene Ferreira Battistini, 47 anos, leciona português para os alunos do 9º ano na escola Jean Piaget. A docente relata que a primeira e principal dificuldade foi a falta de acesso para alguns alunos que não tinham internet ou equipamentos como celular ou computador adequados para acompanhar as aulas. Para quem não tinha o acesso, a solução foi imprimir as atividades e enviar para os estudantes por meio dos pais, que retiraram o material no colégio. Também houve desafios, inicialmente, no aprendizado das plataformas que passaram a ser utilizadas, como aplicativos de mensagens, formulários on-line e outras tecnologias que foram sendo adotadas para ministrar aulas.

Marilene apontou que, apesar das dificuldades, as aulas remotas têm sido um período de muito aprendizado, tanto para os alunos quanto para os professores. “Gostei muito e não pretendo deixar de usar o google formulário porque é prático, de fácil acesso para os alunos e consigo ter uma visão da aprendizagem”, relatou. “Futuramente, quando retornarmos às aulas presenciais, os formulários serão mais um instrumento de contribuição de avaliação, pesquisa e estudo, pois otimizam o tempo, não gasta-se com cópias e tenho uma devolutiva mais rápida da aprendizagem”, completou.

Na rede pública de Diadema, a professora de educação infantil Karen Perez, 38, dá aulas na escola José da Silva Filho e relatou que o principal desafio foi pensar como conquistar uma parceria com as famílias e ressignificar as propostas pedagógicas em concordância com a rotina familiar. “Nunca vivenciamos nada parecido e no começo pareceu uma missão impossível”, afirmou.

Para a docente, o trabalho em equipe e a formação continuada ofertada por meio de parceria entre a Prefeitura e a iniciativa privada foram fundamentais na superação do desafio. “A maior superação foi estruturar toda a prática que fazemos dentro de uma instituição e transformá-la em uma possibilidade real para dentro de uma família/casa”, destacou. Karen ressaltou que o esforço dos professores, que se empenharam em aprender a editar e gravar vídeos, estudaram, discutiram e selecionaram o que é essencial, fez com que os profissionais se reinventassem.

Produzir vídeos para transmitir o conteúdo foi uma das ferramentas adotadas pela professora da rede municipal de São Bernardo Andrea Regina da Luz, 44, após orientação da equipe gestora. Especializada em educação especial, a docente atua na escola Padre Leo Commissari e passou a gravar os vídeos onde explica as aulas como se estivesse falando diretamente com os alunos. “Por se tratar de crianças especiais a diversidade de interesse entre elas é grande, assim pensei em agrupá-los com aulas diferenciadas”, explicou.

Andrea relatou que a maior dificuldade foi a quebra na rotina, principalmente das crianças com diagnóstico de autismo. “Alguns estão apresentando crises constantes e o acompanhamento junto à família neste momento foi essencial para o estreitamento dos vínculos. Em alguns casos, o apoio emocional, mesmo que a distância. O importante era mantermos contato e passarmos por isso juntos”, concluiu.
 


Especialistas destacam aprendizados na pandemia

Especialistas da área de educação avaliam que as dificuldades enfrentadas durante a pandemia da Covid-19 devem deixar aprendizados. Renata Frauendorf, coordenadora de projetos no Instituto Avisa Lá, instituição focada na formação de docentes da rede pública de educação infantil e fundamental nos anos iniciais, destaca que os desafios foram da ordem profissional e pessoal, com professores tendo que adaptar sua estratégia de trabalho, bem como sua vida pessoal ao ensino remoto, mas que graças ao ativismo dos profissionais diversas soluções criativas foram encontradas no período.

Entre os aprendizados, Renata lista o entendimento sobre outros espaços de aprendizagem para além da sala de aula, o uso da tecnologia como um meio para promover a interação e diminuir as barreiras, não só do professor como do aluno, mas também nos espaços de formação. “Acompanhei seminários com professores a distância, estes coordenadores também foram se reinventando e é um dos aprendizados que ficam.”

A coordenadora também exaltou a nova relação com as famílias, de mais proximidade. “Muitos professores disseram o quanto se surpreenderam com as famílias, da participação, formaram um vinculo que antes não tinha”, explica. “De não saber como era a família, como ela vivia e a partir deste momento e destas interações isso se aproximou. Seria muito bom de ser levado adiante”, concluiu.

A formadora de educação inclusiva no Instituto Rodrigo Mendes, Regina Mercurio avaliou que as tecnologias que foram usadas para a educação remota, em um primeiro momento, não contemplaram a necessidade de acessibilidade, mas que ao longo do percurso escolas e professores focaram na sinergia entre os profissionais, aumentando o leque de opções para todos os estudantes. “Percebendo a dificuldade de acesso de alunos com deficiências, professores que atuam com este público se integraram mais com os docentes que dão aulas para as crianças sem deficiências, ampliando o repertório de toda a turma”, listou.

CHIPS
O governo do Estado de São Paulo anunciou ontem a distribuição de 750 mil <CF51>chips</CF> de telefone celular para alunos, professores e servidores da rede estadual, para garantir conexão à internet. 

Receberão os chips alunos do 8º e 9º anos do ensino fundamental e de todas as séries do ensino médio, em situação de pobreza e extrema pobreza no CadÚnico. 

Parceria com famílias tem sido fundamental

As professoras ouvidas pelo Diário são unânimes em afirmar que o sucesso da educação a distância depende muito da parceria com as famílias, fundamental no processo. Docente da rede municipal de São Bernardo, Andrea Regina da Luz, 44 anos, atua com educação especial e destaca que a troca de informações, envio e recebimento de atividades pelo WhatsApp provocaram grande integração com os responsáveis pelos alunos.

“O mais bonito e interessante deste momento é que, em muitos casos, sinto que passei a fazer parte das famílias. As crianças e os responsáveis mandam fotos e vídeos de vários momentos em casa, desenhos e produções que vão além do solicitado nas aulas”, relata.

“Muitas vezes sou surpreendida pelas crianças fazendo chamada de vídeo para mostrar o piquenique em casa ou o desenho que estão assistindo na TV”, pontua Andrea. “Converso com a maioria das famílias diariamente e em alguns casos semanalmente. Enfim, fico feliz porque considero que meu principal objetivo, que era de passarmos por isso juntos, estou conseguindo atingir”, conclui.

“A parceria que conquistamos com as famílias é algo que não pode ser esquecido, aprendemos juntos que para o melhor desenvolvimento da criança isso é fundamental. Considero que a educação estava precisando desta reflexão. Este período está sendo muito sofrido tanto para os professores quanto para os alunos e suas famílias, então temos o dever de levar o melhor”, finaliza Andrea.

Docente da rede municipal de Diadema, Karen Perez, 38, leciona para crianças de 3 e 4 anos e as atividades têm sido disponibilizadas no site da Secretaria de Educação. Para as famílias que porventura não conseguem acessar o conteúdo (a estimativa é que 70% dos alunos têm acessado), algumas mães enviam o material pelo WhatsApp.

“Quando a escola reabrir as portas seremos diferentes, pois teremos resgatado o que um dia se perdeu, que é a escola e a família, caminhando lado a lado para uma educação eficiente e de qualidade para todos”, pontua.
 



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Professores se reinventam e incluem tecnologia na rotina

Profissionais tiveram que superar desafios impostos pela suspensão das aulas presenciais

Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

15/10/2020 | 07:00


A pandemia da Covid-19 impôs desafios a todas as categorias profissionais, mas talvez entre os professores o nível de exigência tenha sido dos maiores. Hoje, dia 15 de outubro, data em que se homenageia os docentes, os profissionais relatam medos, incertezas e conquistas, desde quando, no meio de março, as aulas presenciais foram suspensas e substituídas pela educação a distância.

Professora de rede estadual em São Bernardo, Marilene Ferreira Battistini, 47 anos, leciona português para os alunos do 9º ano na escola Jean Piaget. A docente relata que a primeira e principal dificuldade foi a falta de acesso para alguns alunos que não tinham internet ou equipamentos como celular ou computador adequados para acompanhar as aulas. Para quem não tinha o acesso, a solução foi imprimir as atividades e enviar para os estudantes por meio dos pais, que retiraram o material no colégio. Também houve desafios, inicialmente, no aprendizado das plataformas que passaram a ser utilizadas, como aplicativos de mensagens, formulários on-line e outras tecnologias que foram sendo adotadas para ministrar aulas.

Marilene apontou que, apesar das dificuldades, as aulas remotas têm sido um período de muito aprendizado, tanto para os alunos quanto para os professores. “Gostei muito e não pretendo deixar de usar o google formulário porque é prático, de fácil acesso para os alunos e consigo ter uma visão da aprendizagem”, relatou. “Futuramente, quando retornarmos às aulas presenciais, os formulários serão mais um instrumento de contribuição de avaliação, pesquisa e estudo, pois otimizam o tempo, não gasta-se com cópias e tenho uma devolutiva mais rápida da aprendizagem”, completou.

Na rede pública de Diadema, a professora de educação infantil Karen Perez, 38, dá aulas na escola José da Silva Filho e relatou que o principal desafio foi pensar como conquistar uma parceria com as famílias e ressignificar as propostas pedagógicas em concordância com a rotina familiar. “Nunca vivenciamos nada parecido e no começo pareceu uma missão impossível”, afirmou.

Para a docente, o trabalho em equipe e a formação continuada ofertada por meio de parceria entre a Prefeitura e a iniciativa privada foram fundamentais na superação do desafio. “A maior superação foi estruturar toda a prática que fazemos dentro de uma instituição e transformá-la em uma possibilidade real para dentro de uma família/casa”, destacou. Karen ressaltou que o esforço dos professores, que se empenharam em aprender a editar e gravar vídeos, estudaram, discutiram e selecionaram o que é essencial, fez com que os profissionais se reinventassem.

Produzir vídeos para transmitir o conteúdo foi uma das ferramentas adotadas pela professora da rede municipal de São Bernardo Andrea Regina da Luz, 44, após orientação da equipe gestora. Especializada em educação especial, a docente atua na escola Padre Leo Commissari e passou a gravar os vídeos onde explica as aulas como se estivesse falando diretamente com os alunos. “Por se tratar de crianças especiais a diversidade de interesse entre elas é grande, assim pensei em agrupá-los com aulas diferenciadas”, explicou.

Andrea relatou que a maior dificuldade foi a quebra na rotina, principalmente das crianças com diagnóstico de autismo. “Alguns estão apresentando crises constantes e o acompanhamento junto à família neste momento foi essencial para o estreitamento dos vínculos. Em alguns casos, o apoio emocional, mesmo que a distância. O importante era mantermos contato e passarmos por isso juntos”, concluiu.
 


Especialistas destacam aprendizados na pandemia

Especialistas da área de educação avaliam que as dificuldades enfrentadas durante a pandemia da Covid-19 devem deixar aprendizados. Renata Frauendorf, coordenadora de projetos no Instituto Avisa Lá, instituição focada na formação de docentes da rede pública de educação infantil e fundamental nos anos iniciais, destaca que os desafios foram da ordem profissional e pessoal, com professores tendo que adaptar sua estratégia de trabalho, bem como sua vida pessoal ao ensino remoto, mas que graças ao ativismo dos profissionais diversas soluções criativas foram encontradas no período.

Entre os aprendizados, Renata lista o entendimento sobre outros espaços de aprendizagem para além da sala de aula, o uso da tecnologia como um meio para promover a interação e diminuir as barreiras, não só do professor como do aluno, mas também nos espaços de formação. “Acompanhei seminários com professores a distância, estes coordenadores também foram se reinventando e é um dos aprendizados que ficam.”

A coordenadora também exaltou a nova relação com as famílias, de mais proximidade. “Muitos professores disseram o quanto se surpreenderam com as famílias, da participação, formaram um vinculo que antes não tinha”, explica. “De não saber como era a família, como ela vivia e a partir deste momento e destas interações isso se aproximou. Seria muito bom de ser levado adiante”, concluiu.

A formadora de educação inclusiva no Instituto Rodrigo Mendes, Regina Mercurio avaliou que as tecnologias que foram usadas para a educação remota, em um primeiro momento, não contemplaram a necessidade de acessibilidade, mas que ao longo do percurso escolas e professores focaram na sinergia entre os profissionais, aumentando o leque de opções para todos os estudantes. “Percebendo a dificuldade de acesso de alunos com deficiências, professores que atuam com este público se integraram mais com os docentes que dão aulas para as crianças sem deficiências, ampliando o repertório de toda a turma”, listou.

CHIPS
O governo do Estado de São Paulo anunciou ontem a distribuição de 750 mil <CF51>chips</CF> de telefone celular para alunos, professores e servidores da rede estadual, para garantir conexão à internet. 

Receberão os chips alunos do 8º e 9º anos do ensino fundamental e de todas as séries do ensino médio, em situação de pobreza e extrema pobreza no CadÚnico. 

Parceria com famílias tem sido fundamental

As professoras ouvidas pelo Diário são unânimes em afirmar que o sucesso da educação a distância depende muito da parceria com as famílias, fundamental no processo. Docente da rede municipal de São Bernardo, Andrea Regina da Luz, 44 anos, atua com educação especial e destaca que a troca de informações, envio e recebimento de atividades pelo WhatsApp provocaram grande integração com os responsáveis pelos alunos.

“O mais bonito e interessante deste momento é que, em muitos casos, sinto que passei a fazer parte das famílias. As crianças e os responsáveis mandam fotos e vídeos de vários momentos em casa, desenhos e produções que vão além do solicitado nas aulas”, relata.

“Muitas vezes sou surpreendida pelas crianças fazendo chamada de vídeo para mostrar o piquenique em casa ou o desenho que estão assistindo na TV”, pontua Andrea. “Converso com a maioria das famílias diariamente e em alguns casos semanalmente. Enfim, fico feliz porque considero que meu principal objetivo, que era de passarmos por isso juntos, estou conseguindo atingir”, conclui.

“A parceria que conquistamos com as famílias é algo que não pode ser esquecido, aprendemos juntos que para o melhor desenvolvimento da criança isso é fundamental. Considero que a educação estava precisando desta reflexão. Este período está sendo muito sofrido tanto para os professores quanto para os alunos e suas famílias, então temos o dever de levar o melhor”, finaliza Andrea.

Docente da rede municipal de Diadema, Karen Perez, 38, leciona para crianças de 3 e 4 anos e as atividades têm sido disponibilizadas no site da Secretaria de Educação. Para as famílias que porventura não conseguem acessar o conteúdo (a estimativa é que 70% dos alunos têm acessado), algumas mães enviam o material pelo WhatsApp.

“Quando a escola reabrir as portas seremos diferentes, pois teremos resgatado o que um dia se perdeu, que é a escola e a família, caminhando lado a lado para uma educação eficiente e de qualidade para todos”, pontua.
 

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