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Sete de Setembro, o ‘paraíso’ de Diadema

Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Avenida que liga bairro ao Centro deixou de ser rural e se transformou em cartão-postal da cidade


Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

12/10/2020 | 07:00


Nomeada para homenagear a Independência do Brasil, a Avenida Sete de Setembro, que passa pelos bairros Vila Conceição e Centro, em Diadema, faz parte do primeiro loteamento da cidade, criado em 1925 e, desde então, mantém a mesma denominação. No entanto, se antigamente o logradouro era um lugar pouco habitável, hoje a via é praticamente um dos endereços mais movimentados do município e caracterizado por moradores antigos como um ‘paraíso’.

Há cinco décadas, os 1.600 metros de extensão do endereço em nada se pareciam com o que é visto hoje. Maria Concebida de Oliveira Conceição, 82 anos, mudou-se do bairro Paraíso, na Capital, para a Avenida Sete de Setembro, em 1968, quando o lugar ainda era “atrasado e pouco explorado”, conforme ela mesma explicou.

Com 52 anos de vivência na mesma casa, Dona Maria garante que, atualmente, o local é bom para se morar, mas nem sempre foi assim. “Pagava aluguel, e aqui consegui comprar um terreno e construir minha própria casa. Mas a Sete de Setembro era só mato e barro, não tinha nada em volta, nenhum serviço, era afastado e bem abandonado. Tanto que só tinha a minha e mais três casas aqui”, relatou.

Dona Maria ressaltou que, na época, o lugar mais se parecia com área rural do que urbana. Sem padaria, supermercado e farmácia por perto, os primeiros 20 anos foram de “sufoco e muita luta”. “Somente nos anos 1980 começou a melhorar. Me lembro que até asfaltar, quando ia trabalhar (na Prefeitura de São Paulo), tinha de sair de casa com um sapato e levar outro na bolsa para trocar depois, porque enchia de lama. Minha chefe me perguntava onde é que eu morava, porque se chovia, então, era terrível o caminho e sujava tudo”, relembrou a aposentada.

A escolha do endereço, entretanto, não foi à toa. “Um dia vim visitar minha amiga aqui, a primeira moradora dessa rua, e quando estava descendo o caminho lembrei que tinha sonhado com esse lugar. Nada é por acaso”, revelou Dona Maria, contando ainda que, aos fins de semana, a diversão dos vizinhos – já que só existiam quatro casas no endereço e, portanto, todos eram amigos – era andar de bicicleta e ficar sentado no barranco conversando. “Tinha até cavalo aqui. Depois que foi chegando fábricas, mais moradores e aí asfaltaram, construíram serviços e melhorou o lugar.”

A aposentada mostrou para equipe de reportagem que, de seu portão, que hoje tem vista para muros e prédios, antes, com apenas um cercado de arame, ela avistava um morro repleto de árvores.

Seus dois filhos, Cláudia, 48, e André Luiz, 45, cresceram na casa que hoje Dona Maria divide com o marido, Gilberto da Cruz Conceição, 79. Avó de três netos e um bisneto, a aposentada, que nasceu em Minas Gerais, afirma que “gosta muito” de morar na Avenida Sete de Setembro, e avisa que não pretende sair da casa que construiu. “No começo era muito difícil morar aqui. Tinha de trazer todos os itens básicos de longe, porque não tinha nada. Já hoje, tenho tudo do meu lado. Acho esse lugar muito importante para minha cidade. É um ponto de referência único”, elogiou, afirmando ainda que, se um dia sair do bairro Paraíso, na Capital, foi ruim, “hoje a Sete de Setembro é que está um Paraíso”. “Senti muito a mudança quando saí da minha outra casa e vim parar em lugar sem nada. Hoje isso é tudo para mim”, finalizou Dona Maria, garantindo que espera que a via seja ainda mais valorizada para que a história positiva siga nas próximas gerações.

Padaria gourmet vira referência no endereço

Com intuito de ofertar produtos diferenciados para a população de Diadema, a família Ferreira inaugurou, em 1994, o Center Frade’s pães e frios, no número 857 da Avenida Sete de Setembro, e tornou-se ponto de referência não só no endereço, mas, também, em todo o município.

Idealizado por Agostinha Ferreira, 73 anos, e seu filho Alexandre, 49, o estabelecimento, que chegou na cidade vendendo whisky e vinhos importados, pães de primeira linha – como o italiano –, massas frescas e antepastos – como preparo de lasanha, sardella e alichella –, inovou o setor alimentício da cidade e fidelizou a população com o serviço.

“Naquela época, sentimos que a cidade precisava de um lugar que ofertasse produtos diferenciados para a população, o que não tinha aqui em Diadema. Então, escolhemos essa avenida por ser larga, ponto de passagem, e ter grande fluxo de veículos diariamente. Além da proximidade com o Centro e órgãos públicos, nossos principais clientes, inclusive”, contou Alexandre.

O proprietário explicou que as padarias que existiam no endereço, e que até hoje se mantêm, não deixam de ter sua importância, já que oferecem produtos mais simples e itens básicos. “Nosso diferencial sempre foi ter produtos importados e de outro viés. A qualidade e o atendimento rápido também é um ponto que fez com que a clientela fosse fiel” revelou Alexandre, contando que o que mais vende na casa é o pão semi-italiano e a linha de patês. “Hoje, 70% dos clientes vem atrás desses produtos, e também das massas e frios”, afirmou.

O estabelecimento, que ganhou fama na cidade, é mantido somente pela família, que está passando para as gerações o gosto pelo atendimento. O Center Frade’s é também administrado pelo genro de Agostinha, Marcos Cherfen, 51, e seu neto Rafael, 20, a quem Alexandre afirma que passará o bastão. “Vai ficar para ele isso aqui”, brincou o tio do garoto.

Dona Augusta como costuma ser chamada, afirma que o comércio tornou-se importante para a Avenida e para a cidade, e faz um apelo. “Seria bom se fizessem a abertura da avenida com a Rodovia Imigrantes (que fica ao fim do endereço). O acesso à via, e à cidade, seria ainda melhor”, finalizou.

Restaurante de comida nordestina vira ícone

O restaurante Fulô de Mandacaru, na Avenida Sete de Setembro, é um pedacinho do Nordeste recriado no Centro de Diadema. Com decoração e música temática, há dois anos os pratos típicos fazem sucesso no almoço, sobretudo de quem trabalha por perto, e nos fins de semana com banda e música típica que chamam a atenção.

Logo na porta a clientela é recebida por bonecos que representam Lampião e Maria Bonita, os cangaceiros nordestinos mais conhecidos do Brasil. Os garçons, que também ficam vestidos de cangaceiros, podem ser chamados por um sino e, no ambiente, todos os adereços fazem com que a pessoa se sinta, de fato, em algum lugar do Nordeste.

O proprietário deste espaço, Severino Martins Alves Sobrinho, 60 anos, resolveu criar um restaurante temático que remetesse a cultura que ele carrega em seu coração. De Pernambuco, Martins, como é conhecido, mora no Centro de Diadema há 12 anos, e há poucos mais de 30 meses abriu uma Casa do Norte, que fica ao lado do restaurante.

“Percebi que nossa cidade carece muito de cultura. Visualizei aqui a oportunidade de abrir um restaurante que ofertasse a comida nordestina, já que na minha loja as pessoas perguntavam muito sobre as receitas”, revelou.

Há dois anos Martins abriu as portas do Fulô de Mandacaru, ao lado da loja, e se emociona ao falar do espaço. “Recebo pessoas aqui do Brasil todo. Em média 1.000 clientes por mês. É muito bom ver que, quando as pessoas entram na loja, revivem memórias, lembram de familiares, e se envolvem com o tema. É emocionante”, contou orgulhoso o nordestino.

Para dar o pontapé, Martins fez pesquisa de público por mais de seis meses, buscando em acervos e museus objetos que pudessem dar a cara que ele queria para o lugar. “Acho que a Prefeitura pode investir mais na Sete de Setembro, buscando criar aqui um espaço de entretenimento, transformando a via em polo cultural”, sugeriu.



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