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Marinho dá nota 1,5 à gestão Morando: ‘E estou sendo generoso’

Claudinei Plaza/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Ex-prefeito de São Bernardo critica governo do sucessor, diz que há mentiras sobre obras paradas e afirma que rival vive em ‘uma bolha’


Raphael Rocha
Do Diário do Grande ABC

24/09/2020 | 00:01


Ex-prefeito de São Bernardo e candidato do PT na eleição deste ano, Luiz Marinho classificou com nota 1,5 o governo de seu sucessor, o atual prefeito e também prefeiturável Orlando Morando (PSDB). “Eu poderia dar nota 0. Estou sendo generoso”, emendou.

Chefe do Executivo entre 2009 e 2016, Marinho alegou que o conceito sobre a gestão de seu adversário foi formulado com base na paralisação proposital das obras deixadas por ele, na falta de combate eficaz da Covid-19 e desorganização do sistema de saúde municipal e pela ausência de cuidado da zeladoria.

“Deixamos um monte de área planejada. Recebemos muita herança ruim do governo que ele (Morando) participou, que foi o do (William) Dib (antecessor de Marinho), fomos corrigindo, planejando. Ele sequer terminou obras que deixei em andamento. Que nota você dá para um gestor desses? Eu poderia dar zero, estou sendo generoso”, disparou. “Até mesmo o aplicativo que criamos para que o cidadão pudesse fotografar um problema, um buraco na rua, e saber em quanto tempo o serviço seria realizado ele tirou. Tirou porque preferiu o jeitinho do vereador para fazer a politicagem.”

As declarações dão tom de como será a linha adotada por Marinho em sua terceira eleição municipal – venceu em 2008 (curiosamente bateu Morando no segundo turno) e em 2012 –, em aposta de resgate das gestões do PT com críticas ao trabalho do tucano.

Marinho comparou o governo Morando com o mandato do hoje senador José Serra (PSDB) à frente da prefeitura de São Paulo. Serra se elegeu prefeito paulistano em 2004, batendo a então prefeita Marta Suplicy (ex-PT, atual SD). Dois anos depois, porém, renunciou ao cargo para concorrer a governador – também ganhou aquele pleito. “O Orlando fez um governo de tempo ultrapassado, se assemelhando ao que o Serra fez. O Serra assumiu a prefeitura de São Paulo e parou a cidade por um ano. O Orlando parou por dois. O discurso é parecido, fazer crer que encontrou a cidade paralisada, o que não é verdade. Essa estratégia do Orlando fez com que São Bernardo virasse chacota nas redes sociais. Além de mentir que pegou obras paradas, deixou de fazer o básico, a varrição, a manutenção da cidade. Isso causou mortes (em referência à tragédia de 2018, três pessoas morreram vítimas de enchentes no Centro da cidade).”

O ex-prefeito também minimizou o histórico político de São Bernardo, de sempre conferir reeleição aos chefes de Executivo. “A onda favorável da reeleição vem só para quem deu conta do recado. Se não, o cartão amarelo aparece. Aconteceu isso com vários da região. Um governo duvidoso, como o dele, tem a vantagem da máquina, mas é insuficiente para vencer uma eleição. É o cenário que acontecerá em São Bernardo”, avaliou Marinho, dizendo que o sucessor vive em “uma bolha”. “A cidade não vive nesta bolha que ele vive. Eu rodo a cidade e só ouço reclamação. Falam que é o governo da propaganda. Acho bom ele não aparecer nem na periferia ou no pós-Balsa, para evitar reclamações.”

O petista criticou a condução das ações contra a Covid-19 em São Bernardo e no Estado, dizendo que o governador João Doria (PSDB) foi frouxo no combate ao coronavírus e que Morando foi incompetente, dados os números de morte no município – 875 são-bernardenses morreram. “Acho que os dois são muitos parecidos, então acho que o Orlando tem de usá-lo na campanha, não é? Ele terá de acelerar com o Doria agora aqui, ué. Vão acelerar não sei para onde”, comentou.

PTB
Marinho evitou se aprofundar na questão do PTB, partido que indicou sua vice, Ana Paula Lupino, mas que, nacionalmente, vetou a parceria. “Vamos ver. É preciso ter paciência.”

O ex-prefeito declarou não ter entendido a posição do presidente nacional do PTB, o ex-deputado Roberto Jefferson, que assinou o fim das parcerias. “Aparentemente é extemporâneo (o ato de Jefferson), apesar de o estatuto fazer referência. Na Palavra do Leitor (do Diário) há um cidadão (Moyses Cheid Júnior) falando, mandando o (Leandro) Piccino (presidente do PTB municipal) estudar o estatuto do partido. Eu falo para este cidadão: estude a lei. Tem o estatuto do partido, mas tem a lei também. O que sobrepõe o quê?”

Tucano é acusado de um monte de coisa e terá de se explicar, diz petista

Ao avaliar a situação jurídica do prefeito de São Bernardo, Orlando Morando (PSDB), candidato à reeleição, o ex-prefeito e prefeiturável do PT neste ano, Luiz Marinho, provocou o adversário. “Eu tenho atestado de que não fiz nada errado no meu governo. Ele não pode dizer que tem. Ao contrário. É acusado de um monte de coisa.”

Marinho relembrou que Morando, quando a Operação Hefesta veio à tona, disparou contra sua gestão – “me chamou pelos quatro cantos de ladrão” –, mas que se calou quando a Justiça Federal o absolveu das denúncias. Em 2016, a PF (Polícia Federal) e o MPF (Ministério Público Federal) realizaram ação contra o governo petista a respeito do contrato firmado para construção do Museu do Trabalho e do Trabalhador, apontando sobrepreço nos valores. Em fevereiro, a Justiça inocentou Marinho – mas condenou os empresários no caso.

“O Orlando tem denúncia de corrupção na merenda, de venda de licença ambiental, uma história mal contada sobre o (Trecho Sul do) Rodoanel, e vejo que ele está muito irritado com essa história. Ele tem de se explicar. Acho que o Judiciário está muito lento. Acho que há certa proteção do governo do (João) Doria (PSDB) para o Orlando”, emendou, lembrando das operações policiais de suspeita de fraude nos contratos de merenda escolar e alimentação da área da saúde, de venda de cargos e licenças ambientais e de suspeita de tráfico de influência nas desapropriações do Rodoanel. No caso da merenda, Morando foi denunciado à Justiça Federal pelo MPF.



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Marinho dá nota 1,5 à gestão Morando: ‘E estou sendo generoso’

Ex-prefeito de São Bernardo critica governo do sucessor, diz que há mentiras sobre obras paradas e afirma que rival vive em ‘uma bolha’

Raphael Rocha
Do Diário do Grande ABC

24/09/2020 | 00:01


Ex-prefeito de São Bernardo e candidato do PT na eleição deste ano, Luiz Marinho classificou com nota 1,5 o governo de seu sucessor, o atual prefeito e também prefeiturável Orlando Morando (PSDB). “Eu poderia dar nota 0. Estou sendo generoso”, emendou.

Chefe do Executivo entre 2009 e 2016, Marinho alegou que o conceito sobre a gestão de seu adversário foi formulado com base na paralisação proposital das obras deixadas por ele, na falta de combate eficaz da Covid-19 e desorganização do sistema de saúde municipal e pela ausência de cuidado da zeladoria.

“Deixamos um monte de área planejada. Recebemos muita herança ruim do governo que ele (Morando) participou, que foi o do (William) Dib (antecessor de Marinho), fomos corrigindo, planejando. Ele sequer terminou obras que deixei em andamento. Que nota você dá para um gestor desses? Eu poderia dar zero, estou sendo generoso”, disparou. “Até mesmo o aplicativo que criamos para que o cidadão pudesse fotografar um problema, um buraco na rua, e saber em quanto tempo o serviço seria realizado ele tirou. Tirou porque preferiu o jeitinho do vereador para fazer a politicagem.”

As declarações dão tom de como será a linha adotada por Marinho em sua terceira eleição municipal – venceu em 2008 (curiosamente bateu Morando no segundo turno) e em 2012 –, em aposta de resgate das gestões do PT com críticas ao trabalho do tucano.

Marinho comparou o governo Morando com o mandato do hoje senador José Serra (PSDB) à frente da prefeitura de São Paulo. Serra se elegeu prefeito paulistano em 2004, batendo a então prefeita Marta Suplicy (ex-PT, atual SD). Dois anos depois, porém, renunciou ao cargo para concorrer a governador – também ganhou aquele pleito. “O Orlando fez um governo de tempo ultrapassado, se assemelhando ao que o Serra fez. O Serra assumiu a prefeitura de São Paulo e parou a cidade por um ano. O Orlando parou por dois. O discurso é parecido, fazer crer que encontrou a cidade paralisada, o que não é verdade. Essa estratégia do Orlando fez com que São Bernardo virasse chacota nas redes sociais. Além de mentir que pegou obras paradas, deixou de fazer o básico, a varrição, a manutenção da cidade. Isso causou mortes (em referência à tragédia de 2018, três pessoas morreram vítimas de enchentes no Centro da cidade).”

O ex-prefeito também minimizou o histórico político de São Bernardo, de sempre conferir reeleição aos chefes de Executivo. “A onda favorável da reeleição vem só para quem deu conta do recado. Se não, o cartão amarelo aparece. Aconteceu isso com vários da região. Um governo duvidoso, como o dele, tem a vantagem da máquina, mas é insuficiente para vencer uma eleição. É o cenário que acontecerá em São Bernardo”, avaliou Marinho, dizendo que o sucessor vive em “uma bolha”. “A cidade não vive nesta bolha que ele vive. Eu rodo a cidade e só ouço reclamação. Falam que é o governo da propaganda. Acho bom ele não aparecer nem na periferia ou no pós-Balsa, para evitar reclamações.”

O petista criticou a condução das ações contra a Covid-19 em São Bernardo e no Estado, dizendo que o governador João Doria (PSDB) foi frouxo no combate ao coronavírus e que Morando foi incompetente, dados os números de morte no município – 875 são-bernardenses morreram. “Acho que os dois são muitos parecidos, então acho que o Orlando tem de usá-lo na campanha, não é? Ele terá de acelerar com o Doria agora aqui, ué. Vão acelerar não sei para onde”, comentou.

PTB
Marinho evitou se aprofundar na questão do PTB, partido que indicou sua vice, Ana Paula Lupino, mas que, nacionalmente, vetou a parceria. “Vamos ver. É preciso ter paciência.”

O ex-prefeito declarou não ter entendido a posição do presidente nacional do PTB, o ex-deputado Roberto Jefferson, que assinou o fim das parcerias. “Aparentemente é extemporâneo (o ato de Jefferson), apesar de o estatuto fazer referência. Na Palavra do Leitor (do Diário) há um cidadão (Moyses Cheid Júnior) falando, mandando o (Leandro) Piccino (presidente do PTB municipal) estudar o estatuto do partido. Eu falo para este cidadão: estude a lei. Tem o estatuto do partido, mas tem a lei também. O que sobrepõe o quê?”

Tucano é acusado de um monte de coisa e terá de se explicar, diz petista

Ao avaliar a situação jurídica do prefeito de São Bernardo, Orlando Morando (PSDB), candidato à reeleição, o ex-prefeito e prefeiturável do PT neste ano, Luiz Marinho, provocou o adversário. “Eu tenho atestado de que não fiz nada errado no meu governo. Ele não pode dizer que tem. Ao contrário. É acusado de um monte de coisa.”

Marinho relembrou que Morando, quando a Operação Hefesta veio à tona, disparou contra sua gestão – “me chamou pelos quatro cantos de ladrão” –, mas que se calou quando a Justiça Federal o absolveu das denúncias. Em 2016, a PF (Polícia Federal) e o MPF (Ministério Público Federal) realizaram ação contra o governo petista a respeito do contrato firmado para construção do Museu do Trabalho e do Trabalhador, apontando sobrepreço nos valores. Em fevereiro, a Justiça inocentou Marinho – mas condenou os empresários no caso.

“O Orlando tem denúncia de corrupção na merenda, de venda de licença ambiental, uma história mal contada sobre o (Trecho Sul do) Rodoanel, e vejo que ele está muito irritado com essa história. Ele tem de se explicar. Acho que o Judiciário está muito lento. Acho que há certa proteção do governo do (João) Doria (PSDB) para o Orlando”, emendou, lembrando das operações policiais de suspeita de fraude nos contratos de merenda escolar e alimentação da área da saúde, de venda de cargos e licenças ambientais e de suspeita de tráfico de influência nas desapropriações do Rodoanel. No caso da merenda, Morando foi denunciado à Justiça Federal pelo MPF.

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