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Juros fecham em queda com ata indicando Selic estável em 2% por longo período



22/09/2020 | 17:48


Os juros futuros fecharam a terça-feira, 22, em queda ao longo de toda a curva, mas mais pronunciada nos vértices intermediários, com boa parte do alívio sendo patrocinado pela leitura da ata do Comitê de Política Monetária (Copom). O documento manteve o tom "dovish" já visto no comunicado da reunião da semana passada ao reforçar o forward guidance de que a taxa Selic deve permanecer inalterada por um período prolongado. Com isso, as apostas para um aperto na Selic já este ano arrefeceram um pouco. A melhora do humor externo contribuiu para o recuo das taxas, que era maior pela manhã, perdendo força à tarde na medida em que o dólar voltou a subir e a renovar máximas perto dos R$ 5,50.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022, que ontem tinha voltado aos 3% pela primeira vez desde meados de julho, hoje fechou em 2,92%, de 3,003% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2023 caiu de 4,44% para 4,35%. A taxa do DI para janeiro de 2025 encerrou em 6,30%, de 6,364%, e a do DI para janeiro de 2027 recuou de 7,344% para 7,26%.

O destaque da ata foi o parágrafo 19, em que os diretores afirmam que "as condições para a manutenção do forward guidance seguem satisfeitas". "É uma sinalização elegante para a interrupção do corte de juros. No meu entender, a Selic a 2,0% vai até o final de 2021, passando a ser elevado apenas no início de 2022", afirma o economista-chefe Étore Sanchez, da Ativa Investimentos.

Nas mesas de renda fixa, profissionais afirmam os vencimentos do miolo, como janeiro de 2023, foram os que mais reagiram por serem os que mais vinham sofrendo com a pressão dos leilões do Tesouro e dúvidas sobre a reação do Banco Central ao aumento da inflação de curto prazo. Porém, ainda assim, a curva mantém apostas minoritárias de algum aperto da Selic ainda em 2020.

Segundo cálculos do Haitong Banco de Investimentos, a curva projetava em torno de 20% de chance de alta de 0,25 ponto porcentual da Selic no Copom de outubro, ante 27% ontem, e para dezembro 42% de probabilidade, de 51% ontem.

"O BC está tentando segurar no grito a alta de juros no ano que vem. Se tivermos um pouco mais de aumento da atividade, a inflação de serviços volta a ficar pressionada e não sei se o BC vai conseguir segurar o aperto por muito tempo", disse o operador de renda fixa da Terra Investimentos, Paulo Nepomunceno, acrescentando que a autoridade monetária está se apegando ao fato de a inflação seguir bem abaixo da meta. "Mas é a meta que está muito alta para o quadro que temos", comentou.

Os vencimentos mais longos tinham recuo firme de manhã, enquanto o câmbio estava bem comportado, mas o ritmo esfriou na etapa vespertina, com o dólar voltando a ficar perto dos R$ 5,50. Na percepção do mercado, este trecho não conseguirá emplacar uma melhora sustentável enquanto o governo não adotar medidas concretas que sinalizem austeridade fiscal, mas que também são impopulares num ano eleitoral. "A impressão é que o Congresso vai esperar as eleições municipais para tocar as reformas", disse uma fonte.



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Juros fecham em queda com ata indicando Selic estável em 2% por longo período


22/09/2020 | 17:48


Os juros futuros fecharam a terça-feira, 22, em queda ao longo de toda a curva, mas mais pronunciada nos vértices intermediários, com boa parte do alívio sendo patrocinado pela leitura da ata do Comitê de Política Monetária (Copom). O documento manteve o tom "dovish" já visto no comunicado da reunião da semana passada ao reforçar o forward guidance de que a taxa Selic deve permanecer inalterada por um período prolongado. Com isso, as apostas para um aperto na Selic já este ano arrefeceram um pouco. A melhora do humor externo contribuiu para o recuo das taxas, que era maior pela manhã, perdendo força à tarde na medida em que o dólar voltou a subir e a renovar máximas perto dos R$ 5,50.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022, que ontem tinha voltado aos 3% pela primeira vez desde meados de julho, hoje fechou em 2,92%, de 3,003% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2023 caiu de 4,44% para 4,35%. A taxa do DI para janeiro de 2025 encerrou em 6,30%, de 6,364%, e a do DI para janeiro de 2027 recuou de 7,344% para 7,26%.

O destaque da ata foi o parágrafo 19, em que os diretores afirmam que "as condições para a manutenção do forward guidance seguem satisfeitas". "É uma sinalização elegante para a interrupção do corte de juros. No meu entender, a Selic a 2,0% vai até o final de 2021, passando a ser elevado apenas no início de 2022", afirma o economista-chefe Étore Sanchez, da Ativa Investimentos.

Nas mesas de renda fixa, profissionais afirmam os vencimentos do miolo, como janeiro de 2023, foram os que mais reagiram por serem os que mais vinham sofrendo com a pressão dos leilões do Tesouro e dúvidas sobre a reação do Banco Central ao aumento da inflação de curto prazo. Porém, ainda assim, a curva mantém apostas minoritárias de algum aperto da Selic ainda em 2020.

Segundo cálculos do Haitong Banco de Investimentos, a curva projetava em torno de 20% de chance de alta de 0,25 ponto porcentual da Selic no Copom de outubro, ante 27% ontem, e para dezembro 42% de probabilidade, de 51% ontem.

"O BC está tentando segurar no grito a alta de juros no ano que vem. Se tivermos um pouco mais de aumento da atividade, a inflação de serviços volta a ficar pressionada e não sei se o BC vai conseguir segurar o aperto por muito tempo", disse o operador de renda fixa da Terra Investimentos, Paulo Nepomunceno, acrescentando que a autoridade monetária está se apegando ao fato de a inflação seguir bem abaixo da meta. "Mas é a meta que está muito alta para o quadro que temos", comentou.

Os vencimentos mais longos tinham recuo firme de manhã, enquanto o câmbio estava bem comportado, mas o ritmo esfriou na etapa vespertina, com o dólar voltando a ficar perto dos R$ 5,50. Na percepção do mercado, este trecho não conseguirá emplacar uma melhora sustentável enquanto o governo não adotar medidas concretas que sinalizem austeridade fiscal, mas que também são impopulares num ano eleitoral. "A impressão é que o Congresso vai esperar as eleições municipais para tocar as reformas", disse uma fonte.

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