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Combustível de resíduo ajuda a diminuir emissão de gás carbônico

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Indústria cimenteira já utiliza tecnologia, que será expandida para outros segmentos


Aline Melo
Diário do Grande ABC

12/09/2020 | 23:00


Reduzir, reutilizar e reciclar. Este é o princípio de todas as iniciativas que visam diminuir a geração de lixo e aumentar o tempo de vida útil dos materiais. No entanto, alguns não podem ser destinados para a reciclagem, seja por contaminação, seja por falta de tecnologia. Os rejeitos da coleta seletiva podem se transformar em CDR (Combustível Derivado de Resíduo), que vai ser utilizado em fornos industriais reduzindo o uso de combustíveis fósseis e, por consequência, a emissão de CO² (gás carbônico) e outros gases que causam o efeito estufa.

Uma resolução da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), assinada no mês passado, estabeleceu diretrizes e condições para o licenciamento de unidades de preparo de CDR e da atividade de recuperação de energia proveniente do uso deste material. 

Também ampliou a possibilidade de utilização deste tipo de combustível, até então restrito aos fornos de cimenteiras, caldeiras e usina de biomassa. Tanto a produção de CDR, quanto seu uso, dependem de licenciamento junto à Cetesb. 

A professora de graduação em tecnologia em gestão ambiental do Senac EAD Alessandra Knopik Beltrame explica que para a produção do CDR, usualmente, são utilizados resíduos oriundos dos setores privado (indústria, comércio e serviço) e público (parcela seca segregada do resíduo sólido urbano), na sua maioria plástico, papel, borracha, madeira e tecidos após já terem sido descartados para reciclagem por parte das cooperativas de catadores. Ao invés do envio para aterro, detalha a docente, tais resíduos são submetidos a processo de valorização, mediante operações de trituração e mistura, visando à obtenção de um material com característica homogênea, o CDR. 

Entre as vantagens do seu uso, Alessandra cita a possibilidade da reutilização de um material destinado aos aterros, possibilitando a muitas empresas uma melhor adequação a PNRS (Política Nacional de Resíduos Sólidos), que determina a destinação dos resíduos ao tratamento e aterro sanitário como última opção. “Além de gerar poder calorífico eficiente para a operação, destrói completamente os resíduos, sem gerar passivos ambientais e ainda preserva recursos naturais como o carvão de coque <CF51>(subproduto do carvão mineral)</CF>”, pontuou. As cinzas geradas são dispostas em aterros sanitários.

A docente afirma que a utilização do CDR como substituto de combustível em processos de produção de cimento, mediante coprocessamento, além de representar solução ambientalmente adequada e definitiva para os resíduos, gera ganhos ambientais no processo de produção de cimento, reduzindo o consumo de combustíveis fósseis não renováveis, a emissão de gases de efeito estufa e emissões de óxidos de nitrogênio.

Na sua avaliação, o impacto do uso do CDR é altamente positivo, se for considerado que a PNRS definiu como uma das diretrizes aplicáveis a resíduos sólidos a ordem de prioridade que deve ser considerada para seu gerenciamento e gestão, devendo-se priorizar a não geração dos resíduos sólidos, seguida por redução, reutilização, reciclagem e tratamento. 

“Em último lugar na ordem de prioridade, portanto, está a disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos, que, na maioria das vezes, corresponde ao seu encaminhamento para os aterros sanitários”, explicou Alessandra.

A professora ponderou, no entanto, que há críticas à incineração de resíduos para geração de energia. Uma delas é que “com a queima de materiais, grande parte da energia necessária para produzi-los se perde. Além disso, muita energia é consumida pelo incinerador, e a queima gera água vaporizada e resíduos em forma de cinzas, sendo que apenas parte deles é, de fato, incinerada”. A separação adequada e rigorosa dos resíduos, antes da produção do CDR, vai diminuir a capacidade poluente do material quando este for queimado.

Material substituiu 30% do combustível fóssil 

A Votorantim Cimentos, que tem atuação no Grande ABC com uma concreteira e um centro de distribuição, já substituiu, em 2018, 30% do uso de combustíveis fósseis em seus fornos. A empresa foi pioneira no uso de energia alternativa na década de 1990.

No Brasil, 14 fábricas da Votorantim Cimentos fazem coprocessamento ou possuem licença para operar com combustíveis alternativos. As operações utilizam diferentes tipos de biomassas como combustível, como casca de arroz, cavacos de madeira (pequenos pedaços resultantes de trituração), coco babaçu, serragem e caroço do açaí. 

A companhia tem como meta reduzir em 25% a emissão de CO² (gás carbônico) na fabricação de cimento e adota outras iniciativas, como reduzir o fator de clínquer (matéria prima principal do cimento) aumentando a proporção dos outros componentes, sem comprometer a qualidade do produto. Quanto mais clínquer, mais tempo de forno e mais emissões.

Em 2018, a empresa começou a processar o CDR na fábrica em Salto de Pirapora, Interior do Estado. De um ano para o outro o volume cresceu 118%, passando de 17,6 mil toneladas para 38,3 mil toneladas em 2019. No ano passado, foram consumidas 75 mil toneladas de CDR, o que ocasionou redução de 14,7 mil toneladas de CO². “Essa é uma iniciativa que está sendo escalada e tem um potencial de reduzir nossas emissões em pelo menos 500 mil toneladas de CO²/ano globalmente”, detalhou gerente geral da unidade de coprocessamento da empresa, Eduardo Porciuncula.

Segundo o executivo, o coprocessamento de CDR traz vantagens ambientais, sociais e econômicas, não só para a Votorantim Cimentos, mas também para as comunidades onde a empresa opera. “O coprocessamento diminui a emissão de gases que causam o efeito estufa, reduziu o volume de lixo que vai para os aterros sanitários e contribui para a economia circular ao potencializar a cadeia da reciclagem e geração de empregos”, completou. 

Porciuncula destacou que em Salto do Pirapora, onde fica a planta de coprocessamento, o trabalho desenvolvido aumentou a seleção da parcela do que pode ser reciclado, possibilitando a separação de lixo orgânico para compostagem e o material que tem potencial energético, passou a ser destinado aos fornos da empresa. 

Nos últimos anos a empresa investiu no Brasil R$ 300 milhões em coprocessamento, que inclui a aquisição de novos equipamentos, desenvolvimento de fornecedores e clientes, controle de qualidade de novos insumos e mudanças nos processos de produção. Para os próximos cinco anos, a previsão é investir cerca de R$ 370 milhões.

Esta reportagem integra a série Destino do Lixo. Para ver materiais de edições anteriores basta apontar a câmera do celular para o QR Code.



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Combustível de resíduo ajuda a diminuir emissão de gás carbônico

Indústria cimenteira já utiliza tecnologia, que será expandida para outros segmentos

Aline Melo
Diário do Grande ABC

12/09/2020 | 23:00


Reduzir, reutilizar e reciclar. Este é o princípio de todas as iniciativas que visam diminuir a geração de lixo e aumentar o tempo de vida útil dos materiais. No entanto, alguns não podem ser destinados para a reciclagem, seja por contaminação, seja por falta de tecnologia. Os rejeitos da coleta seletiva podem se transformar em CDR (Combustível Derivado de Resíduo), que vai ser utilizado em fornos industriais reduzindo o uso de combustíveis fósseis e, por consequência, a emissão de CO² (gás carbônico) e outros gases que causam o efeito estufa.

Uma resolução da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), assinada no mês passado, estabeleceu diretrizes e condições para o licenciamento de unidades de preparo de CDR e da atividade de recuperação de energia proveniente do uso deste material. 

Também ampliou a possibilidade de utilização deste tipo de combustível, até então restrito aos fornos de cimenteiras, caldeiras e usina de biomassa. Tanto a produção de CDR, quanto seu uso, dependem de licenciamento junto à Cetesb. 

A professora de graduação em tecnologia em gestão ambiental do Senac EAD Alessandra Knopik Beltrame explica que para a produção do CDR, usualmente, são utilizados resíduos oriundos dos setores privado (indústria, comércio e serviço) e público (parcela seca segregada do resíduo sólido urbano), na sua maioria plástico, papel, borracha, madeira e tecidos após já terem sido descartados para reciclagem por parte das cooperativas de catadores. Ao invés do envio para aterro, detalha a docente, tais resíduos são submetidos a processo de valorização, mediante operações de trituração e mistura, visando à obtenção de um material com característica homogênea, o CDR. 

Entre as vantagens do seu uso, Alessandra cita a possibilidade da reutilização de um material destinado aos aterros, possibilitando a muitas empresas uma melhor adequação a PNRS (Política Nacional de Resíduos Sólidos), que determina a destinação dos resíduos ao tratamento e aterro sanitário como última opção. “Além de gerar poder calorífico eficiente para a operação, destrói completamente os resíduos, sem gerar passivos ambientais e ainda preserva recursos naturais como o carvão de coque <CF51>(subproduto do carvão mineral)</CF>”, pontuou. As cinzas geradas são dispostas em aterros sanitários.

A docente afirma que a utilização do CDR como substituto de combustível em processos de produção de cimento, mediante coprocessamento, além de representar solução ambientalmente adequada e definitiva para os resíduos, gera ganhos ambientais no processo de produção de cimento, reduzindo o consumo de combustíveis fósseis não renováveis, a emissão de gases de efeito estufa e emissões de óxidos de nitrogênio.

Na sua avaliação, o impacto do uso do CDR é altamente positivo, se for considerado que a PNRS definiu como uma das diretrizes aplicáveis a resíduos sólidos a ordem de prioridade que deve ser considerada para seu gerenciamento e gestão, devendo-se priorizar a não geração dos resíduos sólidos, seguida por redução, reutilização, reciclagem e tratamento. 

“Em último lugar na ordem de prioridade, portanto, está a disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos, que, na maioria das vezes, corresponde ao seu encaminhamento para os aterros sanitários”, explicou Alessandra.

A professora ponderou, no entanto, que há críticas à incineração de resíduos para geração de energia. Uma delas é que “com a queima de materiais, grande parte da energia necessária para produzi-los se perde. Além disso, muita energia é consumida pelo incinerador, e a queima gera água vaporizada e resíduos em forma de cinzas, sendo que apenas parte deles é, de fato, incinerada”. A separação adequada e rigorosa dos resíduos, antes da produção do CDR, vai diminuir a capacidade poluente do material quando este for queimado.

Material substituiu 30% do combustível fóssil 

A Votorantim Cimentos, que tem atuação no Grande ABC com uma concreteira e um centro de distribuição, já substituiu, em 2018, 30% do uso de combustíveis fósseis em seus fornos. A empresa foi pioneira no uso de energia alternativa na década de 1990.

No Brasil, 14 fábricas da Votorantim Cimentos fazem coprocessamento ou possuem licença para operar com combustíveis alternativos. As operações utilizam diferentes tipos de biomassas como combustível, como casca de arroz, cavacos de madeira (pequenos pedaços resultantes de trituração), coco babaçu, serragem e caroço do açaí. 

A companhia tem como meta reduzir em 25% a emissão de CO² (gás carbônico) na fabricação de cimento e adota outras iniciativas, como reduzir o fator de clínquer (matéria prima principal do cimento) aumentando a proporção dos outros componentes, sem comprometer a qualidade do produto. Quanto mais clínquer, mais tempo de forno e mais emissões.

Em 2018, a empresa começou a processar o CDR na fábrica em Salto de Pirapora, Interior do Estado. De um ano para o outro o volume cresceu 118%, passando de 17,6 mil toneladas para 38,3 mil toneladas em 2019. No ano passado, foram consumidas 75 mil toneladas de CDR, o que ocasionou redução de 14,7 mil toneladas de CO². “Essa é uma iniciativa que está sendo escalada e tem um potencial de reduzir nossas emissões em pelo menos 500 mil toneladas de CO²/ano globalmente”, detalhou gerente geral da unidade de coprocessamento da empresa, Eduardo Porciuncula.

Segundo o executivo, o coprocessamento de CDR traz vantagens ambientais, sociais e econômicas, não só para a Votorantim Cimentos, mas também para as comunidades onde a empresa opera. “O coprocessamento diminui a emissão de gases que causam o efeito estufa, reduziu o volume de lixo que vai para os aterros sanitários e contribui para a economia circular ao potencializar a cadeia da reciclagem e geração de empregos”, completou. 

Porciuncula destacou que em Salto do Pirapora, onde fica a planta de coprocessamento, o trabalho desenvolvido aumentou a seleção da parcela do que pode ser reciclado, possibilitando a separação de lixo orgânico para compostagem e o material que tem potencial energético, passou a ser destinado aos fornos da empresa. 

Nos últimos anos a empresa investiu no Brasil R$ 300 milhões em coprocessamento, que inclui a aquisição de novos equipamentos, desenvolvimento de fornecedores e clientes, controle de qualidade de novos insumos e mudanças nos processos de produção. Para os próximos cinco anos, a previsão é investir cerca de R$ 370 milhões.

Esta reportagem integra a série Destino do Lixo. Para ver materiais de edições anteriores basta apontar a câmera do celular para o QR Code.

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