As professoras de Rebecca Dias, 16 anos, não entendiam por que a garota não concluía as redações que fazia. Mal sabiam que o motivo é simples: excesso de imaginação e pouco tempo para colocar tudo no papel. Aos poucos, essa criatividade passou a ajudá-la a trilhar o caminho que deseja seguir profissionalmente: o de escritora.
Aos 11 anos, a paulistana, que desde os 15 vive com a família na Nova Zelândia, escreveu seu primeiro livro. "Antes disso, brincava muito com Barbie. Inventava histórias mirabolantes." Chegou uma hora que seus pais não lhe deram mais bonecas. "Sem muita opção, comecei a buscar alternativas. Aí, fui escrever", conta.
Desde então, não parou mais. Em dezembro, esteve no Brasil para divulgar Ela é Fogo (All Print Editora, 288 págs., R$ 29,90), lançado na Bienal do Livro de São Paulo de 2008. Conta a história da espevitada Emmy que tem a capacidade de transformar a vida de todos à sua volta, principalmente a do médico certinho Rafael. O bom-humor da garota reflete-se no texto leve e engraçado que produz. As páginas são cheias de diálogos que tornam a leitura rápida.
Rebecca é muito observadora. Está sempre acompanhando o comportamento das pessoas. São elas que lhe dão ideias e inspiração para elaborar seus personagens. Atualmente, trabalha na criação de sua primeira obra em inglês.
Fora seu grande desejo de colocar tudo no papel, a garota afirma ser uma adolescente como qualquer outra da sua idade, com inseguranças e preocupações típicas dessa fase da vida. É viciada em filmes e devoradora de livros. Ficou emocionada a primeira vez que viu a quantidade de exemplares oferecida à população em uma biblioteca pública da Nova Zelândia. Ela lê, em média, duas obras por semana. As cerca de 900 páginas de E o Vento Levou, de Margaret Mitchell, por exemplo, já foram lidas mais de dez vezes. Ultimamente, anda curtindo temas políticos, como o de A Revolução dos Bichos, de George Orwell.
A jovem escritora sabe que a carreira que começa a trilhar não é nada fácil. No entanto, está disposta a enfrentar o desafio. "Sei apenas de uma coisa: vou continuar a escrever sempre."
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