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Na contramão da crise, comércio de imóveis novos aumenta 130%

DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Adesão ao home office, juros baixos e uso de rescisão puxam alta em meio à pandemia


Tauana Marin
Do Diário do Grande ABC

30/08/2020 | 00:20


Na contramão dos setores de indústria, comércio e serviços, a construção civil tem crescido em meio à pandemia do novo coronavírus. A venda de imóveis tem surpreendido até mesmo as construtoras e imobiliárias. Fatores como a ampla adesão ao home office, os juros baixos e o uso da rescisão do contrato de trabalho, no caso de quem perdeu o emprego, têm estimulado a busca pela casa própria. Para se ter ideia, em junho e julho o crescimento de vendas na região chegou a 130% se comparado aos meses de março e abril. Mesmo em comparação a junho e julho de 2019 houve alta, de 16%.

“Isso é reflexo da retomada do índice de confiança tanto do empresariado quanto do consumidor, o trabalhador, que está efetivamente comprando a casa própria. Esse efeito está diretamente ligado às taxas de juros mais baixas no País em, pelo menos, 50 anos”, explica Alexandre Nigri, economista e presidente da MCP Realty – empresa fundada em 2010 e coligada ao Grupo Maxinvest, gestoras de desenvolvimento imobiliário de shopping centers, loteamentos e edifícios residenciais – que possui empreendimentos em Santo André, São Bernardo, Diadema e Mauá. Ele se refere ao fato de a Selic estar em 2% ao ano e, com isso, tarifas para o Minha Casa, Minha Vida não chegarem a 5% ao ano e, para valores maiores, partirem de 6,5% ao ano.

Ainda segundo o executivo, com as facilidades para o financiamento, as pessoas estão usando o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), vendendo carro, moto e o que mais tiverem para ‘agarrar’ a oportunidade. Em muitos casos, quem acabou perdendo o emprego devido à pandemia, com receio da insegurança do cenário, tem investido a rescisão na casa própria. “Imóveis entre 57m² e 65m², na faixa de R$ 315 mil a R$ 360 mil são bastante procurados pelo público. E, diante dessa realidade, estimo que o mercado se mantenha aquecido por cerca de seis anos. Depois, obviamente, vai sofrer pressão inflacionária diante de terreno, outorga, insumos, mão de obra e pelo próprio custo do dinheiro.”

Roberto Casari, proprietário da imobiliária que leva seu nome, está otimista com as projeções dos próximos meses. “As construtoras que tiveram que parar no início do isolamento retomaram com força e com demanda reprimida. De 60 dias para cá, notamos aumento de 40% nas vendas de imóveis, isso falando desde os de baixo até os de alto padrão, mas todos no conceito condomínio clube, que oferece opções recreativas para todas as idades e que fornece segurança, hoje muito importante.” Ele conta que um dos atrativos, inclusive, é o fato de esses locais realizarem rodízio de uso da área de lazer pelos moradores com hora marcada.

Fazer a chamada ‘permuta’, quando se troca o imóvel que possui por outro e paga-se a diferença, também é uma ferramenta que muitos compradores requisitam no momento de migrar de imóvel. Segundo Sérgio Luís Mariano de Sá, sócio-proprietário da Pedro Mariano Imóveis, isso acontece muito com imóveis de 90m² a 130m², que dependendo do bairro na região custam de R$ 400 mil a R$ 550 mil. “Nesses casos, são pessoas que moram em um imóvel menor e querem mudar para um maior utilizando aquele que já pagou, como se fosse uma entrada.” Segundo ele, o interesse em comprar uma casa nova do início do ano até agora cresceu 20% em sua imobiliária, puxado pelo aumento da adesão ao home office, que em muitos casos veio para ficar.

No caso da F&G Imóveis, Augusto Neto, a maioria da procura são por imóveis de médio e alto padrão, principalmente, a segunda opção, a partir de R$ 500 mil. Na imobiliária, Neto conta que a procura por essas residências continuou no mesmo ritmo de antes da pandemia, se comparado com os meses de março e abril deste ano.

NOVO MODELO

Desde o início da pandemia, o Grupo ZAP, portal imobiliário, verificou aumento de 158% nas buscas por imóveis com tours virtuais. Os números de anúncios desse novo modelo para apresentar os bens aumentou 51% de maio a julho.


No cenário, busca por contratos de aluguel sobe 10% na região

A outra face do cenário instaurado pela pandemia do novo coronavírus foi o aumento da procura por aluguel residencial, que subiu 10% em junho e julho. Sem falar que cerca de 90% dos contratos locatícios foram renegociados no período. “O perfil do locatário é a escolha por apartamento (80%) cujo o valor mensal, somando IPTU, aluguel e condomínio, parta de R$ 800 e não ultrapasse R$ 2.000”, diz Sérgio Luís Mariano de Sá, sócio-proprietário da Pedro Mariano Imóveis, referindo-se ao fato de que muita gente acabou trocando de imóvel por outro mais acessível, já que a queda na renda familiar, seja por desemprego ou pela redução temporária de salário, tem pesado. Ou ainda, houve a opção por um lugar maior, em que coubesse a realidade do home office.

“Alguns até migraram para imóveis mais baratos, mas foi a minoria. Outros foram para imóveis maiores porque perceberam que, com filhos em casa, trabalho e isolamento físico, precisariam de mais espaço”, contextualiza Roberto Casari, proprietário da imobiliária que leva seu nome. 



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Na contramão da crise, comércio de imóveis novos aumenta 130%

Adesão ao home office, juros baixos e uso de rescisão puxam alta em meio à pandemia

Tauana Marin
Do Diário do Grande ABC

30/08/2020 | 00:20


Na contramão dos setores de indústria, comércio e serviços, a construção civil tem crescido em meio à pandemia do novo coronavírus. A venda de imóveis tem surpreendido até mesmo as construtoras e imobiliárias. Fatores como a ampla adesão ao home office, os juros baixos e o uso da rescisão do contrato de trabalho, no caso de quem perdeu o emprego, têm estimulado a busca pela casa própria. Para se ter ideia, em junho e julho o crescimento de vendas na região chegou a 130% se comparado aos meses de março e abril. Mesmo em comparação a junho e julho de 2019 houve alta, de 16%.

“Isso é reflexo da retomada do índice de confiança tanto do empresariado quanto do consumidor, o trabalhador, que está efetivamente comprando a casa própria. Esse efeito está diretamente ligado às taxas de juros mais baixas no País em, pelo menos, 50 anos”, explica Alexandre Nigri, economista e presidente da MCP Realty – empresa fundada em 2010 e coligada ao Grupo Maxinvest, gestoras de desenvolvimento imobiliário de shopping centers, loteamentos e edifícios residenciais – que possui empreendimentos em Santo André, São Bernardo, Diadema e Mauá. Ele se refere ao fato de a Selic estar em 2% ao ano e, com isso, tarifas para o Minha Casa, Minha Vida não chegarem a 5% ao ano e, para valores maiores, partirem de 6,5% ao ano.

Ainda segundo o executivo, com as facilidades para o financiamento, as pessoas estão usando o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), vendendo carro, moto e o que mais tiverem para ‘agarrar’ a oportunidade. Em muitos casos, quem acabou perdendo o emprego devido à pandemia, com receio da insegurança do cenário, tem investido a rescisão na casa própria. “Imóveis entre 57m² e 65m², na faixa de R$ 315 mil a R$ 360 mil são bastante procurados pelo público. E, diante dessa realidade, estimo que o mercado se mantenha aquecido por cerca de seis anos. Depois, obviamente, vai sofrer pressão inflacionária diante de terreno, outorga, insumos, mão de obra e pelo próprio custo do dinheiro.”

Roberto Casari, proprietário da imobiliária que leva seu nome, está otimista com as projeções dos próximos meses. “As construtoras que tiveram que parar no início do isolamento retomaram com força e com demanda reprimida. De 60 dias para cá, notamos aumento de 40% nas vendas de imóveis, isso falando desde os de baixo até os de alto padrão, mas todos no conceito condomínio clube, que oferece opções recreativas para todas as idades e que fornece segurança, hoje muito importante.” Ele conta que um dos atrativos, inclusive, é o fato de esses locais realizarem rodízio de uso da área de lazer pelos moradores com hora marcada.

Fazer a chamada ‘permuta’, quando se troca o imóvel que possui por outro e paga-se a diferença, também é uma ferramenta que muitos compradores requisitam no momento de migrar de imóvel. Segundo Sérgio Luís Mariano de Sá, sócio-proprietário da Pedro Mariano Imóveis, isso acontece muito com imóveis de 90m² a 130m², que dependendo do bairro na região custam de R$ 400 mil a R$ 550 mil. “Nesses casos, são pessoas que moram em um imóvel menor e querem mudar para um maior utilizando aquele que já pagou, como se fosse uma entrada.” Segundo ele, o interesse em comprar uma casa nova do início do ano até agora cresceu 20% em sua imobiliária, puxado pelo aumento da adesão ao home office, que em muitos casos veio para ficar.

No caso da F&G Imóveis, Augusto Neto, a maioria da procura são por imóveis de médio e alto padrão, principalmente, a segunda opção, a partir de R$ 500 mil. Na imobiliária, Neto conta que a procura por essas residências continuou no mesmo ritmo de antes da pandemia, se comparado com os meses de março e abril deste ano.

NOVO MODELO

Desde o início da pandemia, o Grupo ZAP, portal imobiliário, verificou aumento de 158% nas buscas por imóveis com tours virtuais. Os números de anúncios desse novo modelo para apresentar os bens aumentou 51% de maio a julho.


No cenário, busca por contratos de aluguel sobe 10% na região

A outra face do cenário instaurado pela pandemia do novo coronavírus foi o aumento da procura por aluguel residencial, que subiu 10% em junho e julho. Sem falar que cerca de 90% dos contratos locatícios foram renegociados no período. “O perfil do locatário é a escolha por apartamento (80%) cujo o valor mensal, somando IPTU, aluguel e condomínio, parta de R$ 800 e não ultrapasse R$ 2.000”, diz Sérgio Luís Mariano de Sá, sócio-proprietário da Pedro Mariano Imóveis, referindo-se ao fato de que muita gente acabou trocando de imóvel por outro mais acessível, já que a queda na renda familiar, seja por desemprego ou pela redução temporária de salário, tem pesado. Ou ainda, houve a opção por um lugar maior, em que coubesse a realidade do home office.

“Alguns até migraram para imóveis mais baratos, mas foi a minoria. Outros foram para imóveis maiores porque perceberam que, com filhos em casa, trabalho e isolamento físico, precisariam de mais espaço”, contextualiza Roberto Casari, proprietário da imobiliária que leva seu nome. 

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