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Estudo aponta que volta às aulas deve ter apenas 20% dos estudantes

André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Pesquisadores de universidades, incluindo a UFABC, simulam dispersão do vírus nas escolas


Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

26/08/2020 | 00:01


Para que seja seguro o retorno às aulas presenciais e haja condições de controlar a disseminação do novo coronavírus, as escolas devem reabrir com, no máximo, 20% dos alunos. Este é um dos apontamentos do estudo Simulador de Dispersão do Coronavírus em Ambientes Escolares na Hipótese de Reabertura das Escolas no Estado de São Paulo, parceria entre o grupo interdisciplinar Ação Covid-19 e a Repu (Rede Escola Pública e Universidade), que reuniu pesquisadores da UFABC (Universidade Federal do ABC), Universidade de Bristol (Inglaterra), Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), Escola de Aviação do Exército (Colômbia) e IFSP (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo).

Professor de políticas públicas da UFABC e integrante do estudo, Salomão Ximenes explicou que o grupo Ação Covid-19 foi formado no início da pandemia para fazer simulações de disseminação da doença em cidades e Estados. “O que fizemos neste grupo que estuda educação foi uma parceria para pensar modelos de simulação específica para escolas”, detalha.

As simulações consideram cenários distintos, tanto para escolas amplas e com áreas livres, como para unidades menores e com maior adensamento de alunos e funcionários. Levaram em consideração, também, o grau de adesão aos protocolos sanitários e ao distanciamento físico.

Em uma escola com espaço amplo, que os pesquisadores chamaram de dispersa e com a maioria das pessoas seguindo os protocolos e mantendo o distanciamento, o limite considerado seguro seria de 20% da capacidade de atendimento. Já para uma escola menor, ou adensada, onde as pessoas não tenham condições de se adequar aos protocolos e ao distanciamento, não haveria controle eficaz sobre a disseminação do vírus com mais de 7% dos alunos.

Ximenes lembrou que escolas localizadas em regiões centrais, em sua maioria, são as que têm menor número de alunos e áreas mais amplas, enquanto que nas periferias o adensamento é mais significativo, tanto pela maior quantidade de alunos quanto pela falta de espaço das unidades. “A gente sabe que na realidade das escolas, ainda mais lidando com crianças menores, é muito difícil manter distanciamento e os protocolos”, afirmou. “Também não é possível pensar em abrir apenas as escolas maiores, porque isso acentuaria a desigualdade”, completou.

Até o momento, o Estado de São Paulo mantém como datas para o retorno das atividades presenciais nas escolas o dia 8 de setembro para aulas de reforço e acolhimento, e dia 7 de outubro para aulas regulares, com limite de 35% dos alunos. “A gente percebe que não havia uma explicação de por que 35% e os números mostram que se isso for mantido haverá disseminação do vírus. Lembrando que a simulação não considera o ambiente fora da escola, como o uso de transporte público e demais interações sociais”, concluiu. O simulador pode ser acessado no site acaocovid19.org/escolas.


Secretaria de Estado da Educação ainda vai avaliar a ferramenta

A Secretaria de Estado da Educação foi questionada sobre o estudo e a indicação de que a retomada com segurança poderia ter, no máximo, 20% dos alunos nas salas de aula e informou, por meio de nota assinada pelo epidemiologista Wanderson de Oliveira, consultor da pasta, que será necessária uma avaliação mais detalhada e que, segundo os autores, o objetivo é contribuir para o debate público sobre os planos de reabertura das escolas no Estado de São Paulo.

O comunicado avalia que sobre a utilidade, ainda é prematuro para tirar conclusões finais. “No entanto, em análise preliminar, considera-se necessário que os autores abordem também os danos de se manter as escolas fechadas como já demonstrado por vários artigos internacionais e pela própria Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e OMS (Organização Mundial da Saúde).”

A nota destaca que já houve, ao longo da pandemia, uma série de estudos e simuladores que foram apresentados à sociedade e que, na prática, estes instrumentos devem ser utilizados com cautela, pois nenhum gestor deve tomar decisões apenas com base em um único instrumento. “Deste modo, considero que a conclusão da nota técnica faz uma interpretação parcial da situação, levando em conta apenas os achados do modelo. Neste sentido, consideramos que atrapalha, pois é um material que não tem poder significativo para descrever a realidade”, afirma Oliveira. “Tivemos modelos do Imperial College (Inglaterra), que tiveram grandes limitações. No entanto, são importantes para a reflexão e subsídio dentro de um conjunto mais amplo de indicadores e informações que o modelo não leva em consideração”, conclui o comunicado. 



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