
O Rio de Janeiro, apostando em levar os Jogos Olímpicos para a América do Sul pela primeira vez, e Chicago, com a liderança de Barack Obama, partem como favoritas contra Madri e Tóquio na escolha da sede olímpica de 2016, no dia 2 de outubro em Copenhague.
O Rio alega que o COI (Comitê Olímpico Internacional) tem uma dívida histórica com sua região e Chicago conta mais do que nunca com a inestimável presença do presidente norte-americano, que fará uma visita relâmpago à capital dinamarquesa na sexta-feira para tentar influenciar na votação.
A escolha se tornou nos últimos dias um duelo cada vez mais disputado entre Rio e Chicago, que estão mais bem posicionadas do que Madri e Tóquio no relatório não-vinculante apresentado à comissão avaliadora do COI há quase um mês.
Madri, candidata pela segunda vez consecutiva após ter perdido a disputa pelos Jogos de 2012, tem como desvantagem o fato de que dentro de três anos Londres, outra cidade europeia, vai sediar o Jogos. Já Tóquio, defendendo sua boa organização e sua baixíssima taxa de criminalidade, também sai prejudicada pela proximidade de Pequim-2008.
O Rio de Janeiro lembra que o COI ainda não realizou um evento olímpico na América do Sul (na América Latina, apenas o México foi sede em 1968), e Chicago parece superar qualquer obstáculo graças ao carisma de Obama, que faz com que a cidade norte-americana subisse nas cotações.
O presidente norte-americano, ocupado demais com a reforma de saúde em seu país e com outros assuntos urgentes, ia se limitar a enviar sua esposa Michelle. Mas na última hora, nesta mesma quinta-feira, a Casa Branca anunciou que abrirá um espaço em sua agenda para que esteja na sexta-feira de manhã em Copenhague.
Esta é uma aposta clara para levar os Jogos, sem dúvida seguindo o exemplo do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, decisivo em 2005 ao viajar para Cingapura para apoiar Londres-2012, que acabou impondo-se com uma pequena vantagem de quatro votos sobre Paris.
"Agradeço muito a Barack e a Michelle Obama, cidadãos de Chicago e líderes de nossa delegação, por seu apoio", disse nesta terça-feira Pat Ryan, presidente da candidatura norte-americana.
Nenhuma das candidatas deixou de lado o aspecto político, que pode ser "decisivo" na votação, como admitiu em uma entrevista recente o próprio presidente do COI, Jacques Rogge.
Madri contará com a presença do rei Juan Carlos I e do presidente do governo, José Luis Rodríguez Zapatero, Tóquio terá o novo primeiro-ministro japonês, Yukio Hatoyama, e o Rio apresenta como trunfo o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, bastante empenhado na candidatura Rio-2016.
"Durante estes dois últimos anos fez uma grande campanha por esta candidatura", disse nesta terça-feira o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Nuzman, tentando responder ao duro golpe do efeito Obama. "É um dos nossos, e a viagem de Lula estava prevista há muito tempo".
Comprometida pelo alto índice de criminalidade contra o qual promete fazer "um esforço especial", a candidatura do Rio tem tudo para ganhar: instalações e infraestrutura, apoio popular, belas atrações turísticas e culturais e uma chance única de fazer história.
Madri aposta em um "rodízio cultural" para organizar Jogos "latinos, mediterrâneos e em espanhol" contra a regra não-escrita do rodízio de continentes, mas a escolha parece improvável em sua segunda tentativa consecutiva depois da derrota para Londres-2012.
Tóquio, que possui instalações mais compactas e uma grande organização, não atende às expectativas do COI quanto ao entusiasmo popular. Além disso, parece cedo demais para que os Jogos retornem à Ásia após a experiência de Pequim.
Mas, como em todas as eleições de sedes olímpicas, os votos dos delegados do COI são imprevisíveis.
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