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Um abraço de presente no dia dos avós

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Residencial cria cortina de plástico para proporcionar contato de familiares com os idosos


Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

26/07/2020 | 00:01


Com a flexibilização do isolamento físico avançando, as pessoas, de maneira geral, buscam se adaptar ao chamado novo normal. No entanto, os idosos ainda são grupo que requer mais cautela, tendo em vista o alto risco de desenvolverem grau de infecção grave caso sejam acometidos pela Covid-19. Para que não sintam falta de afeto, as casas de repouso têm se adaptado para que eles possam, gradativamente, voltar a receber visitas. Pensando nisso e para que o Dia dos Avós – celebrado hoje – fosse ainda mais especial, o Grupo DG Sênior residencial de idosos, em parceria com a Sodiê Doces, promoveu a ação Cortina do Abraço, na qual as famílias, em visitas de 30 minutos, possam tocar, mesmo que através de um plástico, os seus entes queridos.

A equipe de reportagem visitou o Residencial de Idosos Dona Gê – que pertence ao grupo –, no bairro Jardim, em Santo André, e acompanhou o momento do reencontro, que foi além da troca de carícias protegida pelo plástico. A emoção tomou conta não só dos familiares e idosos, mas também de toda a equipe do lar.

Jurema Oliveira de Souza Franco, 73 anos, mora no residencial há um ano. Com Alzheimer – doença que afeta a memória –, a ex-advogada já não consegue mais guardar recordações momentâneas, lembrando-se mais do passado do que de cenas atuais. Mesmo assim, a visita de seu sobrinho Silvio Luiz Souza Franco, 42, a fez se emocionar de saudade. “Ai que gostoso. Está muito bom”, disse dona Juju, como é carinhosamente chamada pelos funcionários da casa, assim que pôde sentir os braços do sobrinho através da cortina de plástico. Dona Juju disse que “sente muita falta” de abraçar as pessoas e, de olhos fechados, desfrutou do momento, que durou pouco, mas, segundo ela, foi “bom demais”.

O sobrinho, ainda com olhos marejados, contou sua história de amor com a tia. Aos 8 anos, Franco perdeu a mãe por um derrame cerebral. Ele e o irmão, então, foram morar com Jurema, a quem ele considera como mãe. “Ela é tudo para mim. Depois de quatro meses sem vê-la (porque a casa vetou visitas durante o período mais crítico da pandemia), poder abraçar minha tia, mesmo que através de um plástico, foi muito emocionante. Só senti ali muito amor”, revelou.

A cortina do abraço foi montada em espaço de varanda das casas, onde tendas que já existiam foram adaptadas para que pudessem servir como espécie de cabine de proteção, fechadas com plástico e higienizadas. Conforme foi explicado por funcionários do lar, a cada troca de visita, os espaços passarão por limpeza, sobretudo onde os parentes e idosos colocam os braços para se tocarem.

A enfermeira chefe da unidade, Maria Bernadete da Silva, 56, destacou que os idosos não foram informados da gravidade da doença que afetou o mundo, sobretudo porque no Dona Gê os residentes têm o cognitivo afetado e, portanto, para preservar e buscar amenizar o sentimento de medo, decidiram manter a rotina deles sem que entendessem o momento atual. “A falta de visita eles não sentem tanto, porque não têm muita noção de tempo. Mesmo assim, para eles é muito importante essa troca de afeto, e a cortina foi uma forma de proporcionar isso a eles”, disse Maria.

A área será preservada para que, mesmo depois deste fim de semana, as famílias possam, durante as visitas, tocar os idosos de maneira que todos estejam protegidos. As famílias têm de entrar nos lares de máscara, proteção acrílica na face, luvas e avental. E podem ver seus parentes por 30 minutos, sendo que um grupo faz as visitas de quinta-feira e sábado, e o outro, às sextas e domingos. Desta forma, todos os idosos podem receber pessoas duas vezes por semana.

Cuidado com os residentes foi antecipado para evitar a Covid

Para proteger os idosos que vivem nas três casas de repouso do Grupo DG Sênior, a empresa decidiu, ainda no início de março, fechar as portas, sobretudo para visitas. A medida antecipada, antes mesmo da decretação oficial do isolamento físico, serviu para preservar a vida dos moradores, o que resultou em nenhuma internação ou morte nos lares.

Proprietário do grupo, Eduardo Peres destacou que o lockdown imposto por eles foi a “melhor decisão”. “Não tivemos nenhuma perda, nenhum óbito e nenhum idoso com sintomas da doença. Fomos abençoados”, comemorou, destacando que, embora tenham liberado a visitação há 15 dias, os cuidados serão severos até que se possa amenizar as medidas de prevenção. “Fizemos testes PCR para Covid-19 em todos os moradores e funcionários, sendo um logo no início da pandemia, um no meio, e o mais recente, com as coisas voltando a funcionar”, disse.

Os quatro meses de portas fechadas mudaram a rotina dos lares do grupo, já que os idosos que residem nas casas têm, diariamente, atividades e, aos sábados, show musical. Além disso, festas de aniversário e datas comemorativas tiveram de ser canceladas – as celebrações já chegaram a reunir 180 pessoas. O mantenedor do grupo espera que, em breve, possam retomar os festejos. “Não temos nenhuma previsão e, por enquanto, tudo está sendo adaptado. Assim como as visitas mudaram, também tivemos de mudar algumas atividades, como o show de sábado, que agora está acontecendo a distância e com o cantor de máscara”, contou.

Por ora, a preservação da saúde dos idosos é a prioridade a ser mantida. Este fim de semana foi o primeiro passo para que a troca de afeto fosse retomada cuidadosamente, utilizando a contenção de plástico para que os familiares possam abraçar os idosos. “Esta cortina do abraço foi uma forma de trazer a eles esse carinho, em dia significativo (hoje é comemorado o Dia dos Avós)”, comemorou Peres.



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