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Cigarro mata mais do que a Covid

Pixabay Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Ao menos 972 morreram na região vítimas do tabagismo ante 866 pela pandemia, contudo, coronavírus avança mais rápido


Flavia Kurotori
Do Diário do Grande ABC

19/07/2020 | 07:00


No primeiro semestre deste ano, pelo menos 972 pessoas morreram por doenças causadas pelo tabagismo em Santo André, São Bernardo e Diadema. No mesmo período, o novo coronavírus causou 866 óbitos nas mesmas cidades. Embora o vício pelo cigarro tenha vitimado mais indivíduos, especialistas alertam que a Covid-19 avança mais rápido – o primeiro pode levar anos até ocasionar a morte, enquanto a segunda requer apenas semanas. As demais prefeituras não informaram os dados até o fechamento desta edição.

“Não dá para classificar qual delas é mais ou menos séria, pois a Covid é uma infecção aguda e o tabagismo causa doenças crônicas”, explicou Elie Fiss, professor titular de pneumologia da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC). “Morreu um número semelhante de pessoas, mas a Covid matou em curto período de tempo, enquanto o tabagismo vem de anos”, completou.

Aproximadamente 50 doenças podem ser atribuidas ao tabagismo. Do todas as mortes causadas pelo câncer de laringe, 80% podem ser atribuídas ao hábito de fumar. Já 74% dos óbitos em decorrência da DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica) podem ser causadas pelo cigarro, ao mesmo tempo em que 65% das vítimas fatais do câncer de esôfago eram fumantes.

Rogério Krakauer, coordenador do departamento de cardiologia do HMCG (Hospital e Maternidade Christóvão da Gama), destacou que a OMS (Organização Mundial da Saúde) classifica o tabagismo como doença pediátrica, uma vez que atrapalha o desenvolvimento infantil e os jovens estão começando a fumar mais cedo. Exemplo é que o percentual de fumantes entre 18 e 24 anos foi de 10,8% em 2009 para 17,8% no ano passado. Já entre os adultos de 45 e 59 anos, o índice foi de 22,3% para 21,5%, segundo estudo do Inpes/USCS (Instituto de Pesquisa da Universidade Municipal de São Caetano).

O tabagismo, somado às doenças relacionadas a ele, são fatores de risco para a Covid. Vale lembrar que 80% das pessoas que morreram pelo coronavírus tinham comorbidades. “O fumante pode não ter nenhum sintoma (de determinada doença), mas tem certo grau de inflamação crônico no pulmão (pelo hábito de fumar) e a porta de entrada do vírus é, justamente, o pulmão”, assinalou Fiss.

Krakauer aponta que o tabaco também causa a perda da imunidade local. “Os cílios do nariz, chamados popularmente de pelos do nariz, formam barreira física que segura a poluição e ajuda a segurar o vírus, mas eles acabam morrendo quando a pessoa começa a fumar”, detalhou. “Fora isso, toda estrutura do sistema respiratório fica comprometida e, a partir do momento que não está boa, diminui a oxigenação”, adicionou.

Boa notícia é que parar de fumar causa efeitos positivos logo nos primeiros dias, reduzindo gradativamente os riscos relacionas ao tabaco, inclusive da Covid, pois a inflamação no pulmão começa a diminuir. “Conforme o sistema volta a funcionar, a sujeira é expelida. Depois de 10 a 15 anos, esta pessoa volta a ter riscos iguais a de uma pessoa que nunca fumou”, observou Krakauer. 



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Cigarro mata mais do que a Covid

Ao menos 972 morreram na região vítimas do tabagismo ante 866 pela pandemia, contudo, coronavírus avança mais rápido

Flavia Kurotori
Do Diário do Grande ABC

19/07/2020 | 07:00


No primeiro semestre deste ano, pelo menos 972 pessoas morreram por doenças causadas pelo tabagismo em Santo André, São Bernardo e Diadema. No mesmo período, o novo coronavírus causou 866 óbitos nas mesmas cidades. Embora o vício pelo cigarro tenha vitimado mais indivíduos, especialistas alertam que a Covid-19 avança mais rápido – o primeiro pode levar anos até ocasionar a morte, enquanto a segunda requer apenas semanas. As demais prefeituras não informaram os dados até o fechamento desta edição.

“Não dá para classificar qual delas é mais ou menos séria, pois a Covid é uma infecção aguda e o tabagismo causa doenças crônicas”, explicou Elie Fiss, professor titular de pneumologia da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC). “Morreu um número semelhante de pessoas, mas a Covid matou em curto período de tempo, enquanto o tabagismo vem de anos”, completou.

Aproximadamente 50 doenças podem ser atribuidas ao tabagismo. Do todas as mortes causadas pelo câncer de laringe, 80% podem ser atribuídas ao hábito de fumar. Já 74% dos óbitos em decorrência da DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica) podem ser causadas pelo cigarro, ao mesmo tempo em que 65% das vítimas fatais do câncer de esôfago eram fumantes.

Rogério Krakauer, coordenador do departamento de cardiologia do HMCG (Hospital e Maternidade Christóvão da Gama), destacou que a OMS (Organização Mundial da Saúde) classifica o tabagismo como doença pediátrica, uma vez que atrapalha o desenvolvimento infantil e os jovens estão começando a fumar mais cedo. Exemplo é que o percentual de fumantes entre 18 e 24 anos foi de 10,8% em 2009 para 17,8% no ano passado. Já entre os adultos de 45 e 59 anos, o índice foi de 22,3% para 21,5%, segundo estudo do Inpes/USCS (Instituto de Pesquisa da Universidade Municipal de São Caetano).

O tabagismo, somado às doenças relacionadas a ele, são fatores de risco para a Covid. Vale lembrar que 80% das pessoas que morreram pelo coronavírus tinham comorbidades. “O fumante pode não ter nenhum sintoma (de determinada doença), mas tem certo grau de inflamação crônico no pulmão (pelo hábito de fumar) e a porta de entrada do vírus é, justamente, o pulmão”, assinalou Fiss.

Krakauer aponta que o tabaco também causa a perda da imunidade local. “Os cílios do nariz, chamados popularmente de pelos do nariz, formam barreira física que segura a poluição e ajuda a segurar o vírus, mas eles acabam morrendo quando a pessoa começa a fumar”, detalhou. “Fora isso, toda estrutura do sistema respiratório fica comprometida e, a partir do momento que não está boa, diminui a oxigenação”, adicionou.

Boa notícia é que parar de fumar causa efeitos positivos logo nos primeiros dias, reduzindo gradativamente os riscos relacionas ao tabaco, inclusive da Covid, pois a inflamação no pulmão começa a diminuir. “Conforme o sistema volta a funcionar, a sujeira é expelida. Depois de 10 a 15 anos, esta pessoa volta a ter riscos iguais a de uma pessoa que nunca fumou”, observou Krakauer. 

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