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Com pandemia, 886 salões de beleza fecham as portas na região

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Levantamento de associação mostra que movimento gerou perda de 2.657 empregos


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

19/07/2020 | 07:00


Os salões de beleza estão entre os prestadores de serviços que mais enfrentam dificuldades na atual crise econômica causada pela pandemia do novo coronavírus. No Grande ABC, 886 estabelecimentos encerraram as atividades neste ano, o que representou a perda de pelo menos 2.657 postos de trabalho.

Os dados da ABSB (Associação Brasileira dos Salões de Beleza) e do Sindicato Beleza Patronal ilustram as perdas nos números de CNPJs entre março deste ano e o início de julho. Entre as sete cidades, o maior registro de fechamento de estabelecimentos foi em São Bernardo (273), seguido por Santo André (256). Na região, atualmente são 16,8 mil salões , que empregam 69,9 mil profissionais.

De acordo com a diretora da ABSB, Luciana Botelho, o setor da beleza é um importante gerador de emprego – e de tributos. “Em salões grandes há estacionamento, recepcionista, auxiliar de limpeza, isso sem falar dos (postos) indiretos como os fornecedores”, disse ela, ao afirmar que existe preocupação com a informalidade dos profissionais do setor, que hoje gira em torno de 60%.

O receio da diretora da associação é o de que o atendimento a domicílio cresça ainda mais, considerando sociedade em que grande parte das pessoas ainda segue as políticas de isolamento, o que pode ocasionar em fechamento de mais estabelecimentos e agravando ainda mais a situação. “Durante o período de pandemia, muitos recorreram ao atendimento em casa, o que não é regulamentado, é informal. Por isso, entendemos que é preciso fazer um trabalho junto às prefeituras (leia mais abaixo) para tentar recuperar isso.”

Segundo o gerente regional do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), Paulo Sérgio Cereda, esses prestadores de serviço foram os mais impactados. “(A atividade) Depende muito do presencial. O comércio varejista também foi prejudicado, mas neste caso ainda é possível fazer uma migração para o digital. Já o setor da beleza tinha o impedimento do afastamento social”, disse.

Após ficarem fechados por mais de 100 dias, os salões reabriram há duas semanas, com uma série de protocolos rígidos que devem ser seguidos obrigatoriamente (leia mais abaixo). Porém, a queda no faturamento ainda fica na média de 70% para todo o setor, de acordo com a associação.

“Cerca de 40% do público que vai até um salão é relacionado a eventos. Seja casamentos ou festas, ou seja, são pessoas que não estão frequentando salões neste momento”, afirmou Luciana, que mesmo com o retorno gradativo das atividades, acredita que o movimento só será recuperado com a imunização da população. “Nós estamos lutando para continuar, porque se nada for feito, estamos prestes a entrar em extinção.”

O economista e coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero, pontuou que ainda existe certo “temor do público em voltar aos salões, e grande parte talvez não considere algo prioritário”. “Além disso, mesmo que esses clientes voltem, não será com a mesma frequência. O setor de serviços não consegue repor o que foi perdido, então entendo que, enquanto não houver uma vacina, o caixa dessas empresas ainda será impactado”, explicou. Segundo ele, seria necessário auxílio do governo federal para essas empresas. “Até porque pouco da linha de crédito está chegando na ponta.”


Espaços se adaptam, mas movimento ainda é pequeno

No retorno ao ‘novo normal’, os estabelecimentos precisam passar por uma série de adequações para atenderem. Como a regra número um é evitar aglomerações, os salões precisam fazer o atendimento com distanciamento e protocolos de higiene e limpeza. Enquanto isso, os estabelecimentos ainda enfrentam a redução no faturamento.

Há cinco anos, Fabiana Clemente de Oliveira é proprietária do Donna Bela Salão de Beleza, localizado no Centro de Santo André, que ela administra junto com a mãe Rosemeire Rodrigues dos Santos. Durante o decreto de quarentena, ambas ficaram sem faturamento. “Foi um período preocupante. No primeiro mês, contamos com a ajuda financeira dos nossos maridos, pois tínhamos contas a pagar”, disse ela, que também contou que a negociação do aluguel com a proprietária do imóvel foi crucial para não fechar as portas.

Quanto à reabertura, ela afirma que vem sendo gradual. “Muitas (pessoas) ainda têm receio de vir, mesmo com as medidas de segurança que estamos utilizando. Acredito que 40% voltaram. Os serviços mais procurados são corte de cabelo, coloração de raiz e pedicure. Manicure ainda está bem devagar porque as mulheres estão fazendo muitos serviços domésticos e não saem de casa”, disse.

O proprietário do Renato’s Hair, que possui unidade em Santo André e São Caetano, Renato Botelho, também afirmou que o movimento ainda é baixo e fica em torno de 40%. Durante os últimos meses, ele que tem 45 funcionários, suspendeu o contrato de quem era trabalhador formal e deu uma ajuda de custo aos que eram prestadores de serviços. “Agora todos estão de volta, mas atendendo em horário escalonado. É bem diferente do que era antes”, disse o empresário, que tem sede própria, o que ajudou a segurar as pontas durante esse período.

Entre as mudanças que o salão fez, está a medição de temperatura na entrada e aumento ainda maior no rigor de higiene. Para quem ainda tem receio de sair de casa, há um ambiente onde ficam apenas a cliente e o profissional. “É o novo normal. E teremos que conviver assim por um tempo.” (Colaborou Tauana Marin)

Entidade discute soluções para o segmento junto às prefeituras

Algumas prefeituras da região já anunciaram medidas para tentar ajuda o setor. A ABSB (Associação Brasileira dos Salões de Beleza) se reúne com as administrações para buscar soluções para o setor. Em Santo André, os salões de beleza estão autorizados a funcionar das 14h às 20h. Em parceria com as entidades Beleza Patronal, Pró-Beleza Brasil e ABSB, a Prefeitura promoveu o curso virtual gratuito Protocolos Covid-19 para Salões de Beleza, que teve como objetivo capacitar os profissionais da área para a retomada das atividades. A qualificação seguiu as orientações e protocolos do Sebrae Nacional e Plano São Paulo. Após a conclusão dos estudos, foi emitido certificado para os profissionais da área.

Já em São Bernardo, o funcionamento é por até seis horas diárias, entre 12h e 18h. Por meio da Sala do Empreendedor, a Prefeitura lançou o curso Enfrentar para ajudar os micro e pequenos empresários, incluindo os do setor de salões de beleza, a superar este momento de pandemia. São sete encontros virtuais que discorrem sobre como inovar nas vendas, negociar com fornecedores e clientes, linhas de crédito, entre outros. Os participantes também têm acesso exclusivo a programa de crédito com juro zero e cinco horas de consultoria individual grátis.

Diadema permite o funcionamento de salões de beleza, de estética e barbearias das 14h às 20h. A Prefeitura adiou as parcelas do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) referentes aos meses de maio, junho, julho e agosto, respectivamente, para setembro, outubro, novembro e dezembro. Em Mauá, os locais funcionam das 11h às 17h. “Dialogamos por meio de reuniões com comissões e com representantes organizados da classe”, informou o Paço. Ribeirão Pires autoriza a reabertura das 12h às 18h, e afirma que mantém diálogo com comerciantes e prestadores de serviço.

O Consórcio Intermunicipal do Grande ABC diz atuar junto à cadeia produtiva para minimizar os impactos, bem como junto aos governos para a articular a redução e revisão de impostos neste momento de pandemia.



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Com pandemia, 886 salões de beleza fecham as portas na região

Levantamento de associação mostra que movimento gerou perda de 2.657 empregos

Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

19/07/2020 | 07:00


Os salões de beleza estão entre os prestadores de serviços que mais enfrentam dificuldades na atual crise econômica causada pela pandemia do novo coronavírus. No Grande ABC, 886 estabelecimentos encerraram as atividades neste ano, o que representou a perda de pelo menos 2.657 postos de trabalho.

Os dados da ABSB (Associação Brasileira dos Salões de Beleza) e do Sindicato Beleza Patronal ilustram as perdas nos números de CNPJs entre março deste ano e o início de julho. Entre as sete cidades, o maior registro de fechamento de estabelecimentos foi em São Bernardo (273), seguido por Santo André (256). Na região, atualmente são 16,8 mil salões , que empregam 69,9 mil profissionais.

De acordo com a diretora da ABSB, Luciana Botelho, o setor da beleza é um importante gerador de emprego – e de tributos. “Em salões grandes há estacionamento, recepcionista, auxiliar de limpeza, isso sem falar dos (postos) indiretos como os fornecedores”, disse ela, ao afirmar que existe preocupação com a informalidade dos profissionais do setor, que hoje gira em torno de 60%.

O receio da diretora da associação é o de que o atendimento a domicílio cresça ainda mais, considerando sociedade em que grande parte das pessoas ainda segue as políticas de isolamento, o que pode ocasionar em fechamento de mais estabelecimentos e agravando ainda mais a situação. “Durante o período de pandemia, muitos recorreram ao atendimento em casa, o que não é regulamentado, é informal. Por isso, entendemos que é preciso fazer um trabalho junto às prefeituras (leia mais abaixo) para tentar recuperar isso.”

Segundo o gerente regional do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), Paulo Sérgio Cereda, esses prestadores de serviço foram os mais impactados. “(A atividade) Depende muito do presencial. O comércio varejista também foi prejudicado, mas neste caso ainda é possível fazer uma migração para o digital. Já o setor da beleza tinha o impedimento do afastamento social”, disse.

Após ficarem fechados por mais de 100 dias, os salões reabriram há duas semanas, com uma série de protocolos rígidos que devem ser seguidos obrigatoriamente (leia mais abaixo). Porém, a queda no faturamento ainda fica na média de 70% para todo o setor, de acordo com a associação.

“Cerca de 40% do público que vai até um salão é relacionado a eventos. Seja casamentos ou festas, ou seja, são pessoas que não estão frequentando salões neste momento”, afirmou Luciana, que mesmo com o retorno gradativo das atividades, acredita que o movimento só será recuperado com a imunização da população. “Nós estamos lutando para continuar, porque se nada for feito, estamos prestes a entrar em extinção.”

O economista e coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero, pontuou que ainda existe certo “temor do público em voltar aos salões, e grande parte talvez não considere algo prioritário”. “Além disso, mesmo que esses clientes voltem, não será com a mesma frequência. O setor de serviços não consegue repor o que foi perdido, então entendo que, enquanto não houver uma vacina, o caixa dessas empresas ainda será impactado”, explicou. Segundo ele, seria necessário auxílio do governo federal para essas empresas. “Até porque pouco da linha de crédito está chegando na ponta.”


Espaços se adaptam, mas movimento ainda é pequeno

No retorno ao ‘novo normal’, os estabelecimentos precisam passar por uma série de adequações para atenderem. Como a regra número um é evitar aglomerações, os salões precisam fazer o atendimento com distanciamento e protocolos de higiene e limpeza. Enquanto isso, os estabelecimentos ainda enfrentam a redução no faturamento.

Há cinco anos, Fabiana Clemente de Oliveira é proprietária do Donna Bela Salão de Beleza, localizado no Centro de Santo André, que ela administra junto com a mãe Rosemeire Rodrigues dos Santos. Durante o decreto de quarentena, ambas ficaram sem faturamento. “Foi um período preocupante. No primeiro mês, contamos com a ajuda financeira dos nossos maridos, pois tínhamos contas a pagar”, disse ela, que também contou que a negociação do aluguel com a proprietária do imóvel foi crucial para não fechar as portas.

Quanto à reabertura, ela afirma que vem sendo gradual. “Muitas (pessoas) ainda têm receio de vir, mesmo com as medidas de segurança que estamos utilizando. Acredito que 40% voltaram. Os serviços mais procurados são corte de cabelo, coloração de raiz e pedicure. Manicure ainda está bem devagar porque as mulheres estão fazendo muitos serviços domésticos e não saem de casa”, disse.

O proprietário do Renato’s Hair, que possui unidade em Santo André e São Caetano, Renato Botelho, também afirmou que o movimento ainda é baixo e fica em torno de 40%. Durante os últimos meses, ele que tem 45 funcionários, suspendeu o contrato de quem era trabalhador formal e deu uma ajuda de custo aos que eram prestadores de serviços. “Agora todos estão de volta, mas atendendo em horário escalonado. É bem diferente do que era antes”, disse o empresário, que tem sede própria, o que ajudou a segurar as pontas durante esse período.

Entre as mudanças que o salão fez, está a medição de temperatura na entrada e aumento ainda maior no rigor de higiene. Para quem ainda tem receio de sair de casa, há um ambiente onde ficam apenas a cliente e o profissional. “É o novo normal. E teremos que conviver assim por um tempo.” (Colaborou Tauana Marin)

Entidade discute soluções para o segmento junto às prefeituras

Algumas prefeituras da região já anunciaram medidas para tentar ajuda o setor. A ABSB (Associação Brasileira dos Salões de Beleza) se reúne com as administrações para buscar soluções para o setor. Em Santo André, os salões de beleza estão autorizados a funcionar das 14h às 20h. Em parceria com as entidades Beleza Patronal, Pró-Beleza Brasil e ABSB, a Prefeitura promoveu o curso virtual gratuito Protocolos Covid-19 para Salões de Beleza, que teve como objetivo capacitar os profissionais da área para a retomada das atividades. A qualificação seguiu as orientações e protocolos do Sebrae Nacional e Plano São Paulo. Após a conclusão dos estudos, foi emitido certificado para os profissionais da área.

Já em São Bernardo, o funcionamento é por até seis horas diárias, entre 12h e 18h. Por meio da Sala do Empreendedor, a Prefeitura lançou o curso Enfrentar para ajudar os micro e pequenos empresários, incluindo os do setor de salões de beleza, a superar este momento de pandemia. São sete encontros virtuais que discorrem sobre como inovar nas vendas, negociar com fornecedores e clientes, linhas de crédito, entre outros. Os participantes também têm acesso exclusivo a programa de crédito com juro zero e cinco horas de consultoria individual grátis.

Diadema permite o funcionamento de salões de beleza, de estética e barbearias das 14h às 20h. A Prefeitura adiou as parcelas do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) referentes aos meses de maio, junho, julho e agosto, respectivamente, para setembro, outubro, novembro e dezembro. Em Mauá, os locais funcionam das 11h às 17h. “Dialogamos por meio de reuniões com comissões e com representantes organizados da classe”, informou o Paço. Ribeirão Pires autoriza a reabertura das 12h às 18h, e afirma que mantém diálogo com comerciantes e prestadores de serviço.

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