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Todas as cobras que existem são consideradas venenosas?


Luís Felipe Soares
Do Diário do Grande ABC

18/07/2020 | 23:59


Nem todas as serpentes são venenosas. Parte delas utiliza a substância para se proteger ou caçar na natureza, mas outras contam com técnicas diferentes para ‘interagir’ com outros seres na vida selvagem, apostando em sua força, velocidade e na técnica de constrição, que consiste em se enrolar no alvo e o apertar ao máximo com o passar do tempo.

É preciso explicar que existem distinções entre alguns termos. Os bichos peçonhentos (o termo vem de peçonha, como é denominada uma substância tóxica produzida por um animal) possuem a capacidade de inocular esse elemento tóxico, ou seja, usam partes de seu corpo para introduzi-lo em outros seres. No caso das cobras, há os dentes e as presas. Já os bichos venenosos não contam com um órgão capaz de inserir o perigoso líquido em um corpo externo, mas possuem a substância em si e que pode ser passada para outros animais – incluindo o homem – por contato direto. Algumas cobras contam com veneno que não tem ação em tecidos humanos, casos das falsas-corais, e outras sequer produzem esse tipo de elemento, a exemplo da jiboia e das pítons africanas e asiática.

Pessoas acostumadas a lidar com serpentes conseguem identificar detalhes físicos de exemplares peçonhentos. Trata-se da presença da chamada fosseta loreal, um órgão termorreceptor localizado entre a narina e o olho do animal e que é capaz de detectar oscilações de temperatura, sendo essencial para a localização de presas. Detalhe que ela acaba por dar à cabeça do animal um pequeno formato de seta (triangular). A única exceção fica por conta das cobras-corais, sendo necessária análise, por especialistas, de cores características e padrão de dentição.

A recomendação para o público comum, na dúvida, é a de que toda serpente seja considerada peçonhenta. Todo bicho dessa espécie deve ser deixado em seu habitat natural e, se oferecer algum risco à comunidade, é necessário acionar algum grupo local competente, como Guarda Civil Municipal Ambiental e Corpo de Bombeiros. Pessoas não treinadas nunca devem capturar ou transportar esse tipo de animal.

Caso haja a picada de uma cobra, deve-se manter o máximo de calma possível, lavar o ferimento com água e sabão e manter a parte atacada de maneira elevada. O atendimento hospitalar deve ser imediato. Há relatos de ataques secos, quando não existiu transmissão de toxinas para o organismo da vítima, mas o apoio médico é imprescindível. Como nunca se sabe a quantidade de veneno que pode ter sido resultante do bote, estima-se que uma pessoa tem normalmente três horas após o acidente para ser socorrida a fim de evitar sequelas graves. O tempo também leva em conta a logística para se chegar em um hospital que tenha tratamento adequado.

Consultoria de Jeniffer Novaes, bióloga da equipe do Zoológico Municipal de São Bernardo. 



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Todas as cobras que existem são consideradas venenosas?

Luís Felipe Soares
Do Diário do Grande ABC

18/07/2020 | 23:59


Nem todas as serpentes são venenosas. Parte delas utiliza a substância para se proteger ou caçar na natureza, mas outras contam com técnicas diferentes para ‘interagir’ com outros seres na vida selvagem, apostando em sua força, velocidade e na técnica de constrição, que consiste em se enrolar no alvo e o apertar ao máximo com o passar do tempo.

É preciso explicar que existem distinções entre alguns termos. Os bichos peçonhentos (o termo vem de peçonha, como é denominada uma substância tóxica produzida por um animal) possuem a capacidade de inocular esse elemento tóxico, ou seja, usam partes de seu corpo para introduzi-lo em outros seres. No caso das cobras, há os dentes e as presas. Já os bichos venenosos não contam com um órgão capaz de inserir o perigoso líquido em um corpo externo, mas possuem a substância em si e que pode ser passada para outros animais – incluindo o homem – por contato direto. Algumas cobras contam com veneno que não tem ação em tecidos humanos, casos das falsas-corais, e outras sequer produzem esse tipo de elemento, a exemplo da jiboia e das pítons africanas e asiática.

Pessoas acostumadas a lidar com serpentes conseguem identificar detalhes físicos de exemplares peçonhentos. Trata-se da presença da chamada fosseta loreal, um órgão termorreceptor localizado entre a narina e o olho do animal e que é capaz de detectar oscilações de temperatura, sendo essencial para a localização de presas. Detalhe que ela acaba por dar à cabeça do animal um pequeno formato de seta (triangular). A única exceção fica por conta das cobras-corais, sendo necessária análise, por especialistas, de cores características e padrão de dentição.

A recomendação para o público comum, na dúvida, é a de que toda serpente seja considerada peçonhenta. Todo bicho dessa espécie deve ser deixado em seu habitat natural e, se oferecer algum risco à comunidade, é necessário acionar algum grupo local competente, como Guarda Civil Municipal Ambiental e Corpo de Bombeiros. Pessoas não treinadas nunca devem capturar ou transportar esse tipo de animal.

Caso haja a picada de uma cobra, deve-se manter o máximo de calma possível, lavar o ferimento com água e sabão e manter a parte atacada de maneira elevada. O atendimento hospitalar deve ser imediato. Há relatos de ataques secos, quando não existiu transmissão de toxinas para o organismo da vítima, mas o apoio médico é imprescindível. Como nunca se sabe a quantidade de veneno que pode ter sido resultante do bote, estima-se que uma pessoa tem normalmente três horas após o acidente para ser socorrida a fim de evitar sequelas graves. O tempo também leva em conta a logística para se chegar em um hospital que tenha tratamento adequado.

Consultoria de Jeniffer Novaes, bióloga da equipe do Zoológico Municipal de São Bernardo. 

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